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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Em 2022, existirão, naturalmente, desafios diferentes aos quais teremos de dar resposta, um dos primeiros será ao nível dos preços das casas.

Boa notícia é que vamos iniciar um novo ano, deixando desde já o desejo que em 2022 possamos deixar definitivamente para trás a Pandemia e voltar a pensar em progredir e a dinamizar este setor imobiliário tão importante e fundamental na economia e na vida real das pessoas.

 

Em termos gerais 2021 foi um bom ano, o mercado voltou a crescer ao nível das transações ultrapassando o decréscimo que teve em 2020 e ao nível do valor global mantivemos a rota de crescimento, deste modo o mercado fechará com um volume de transações a rondar as 204 mil, atingindo um valor global de cerca de 33 mil milhões de euros.

 

Estes números representam um crescimento estimado em relação a 2020 de 18,8% ao nível das transações e de 26,6% em termos do valor global de mercado, equilibrando assim as contas relativas ao período 2020/2021. Importante salientar que na média dos triénios entre 2017 e 2019 as transações cresceram em média 12% e o valor global do mercado 20,4%, contra os 5% e os 11,7% verificados respetivamente entre 2019 e 2021, significando que as noticias são boas mas já tivemos melhores.

 

O mercado mostrou-se altamente resiliente tendo como consequência o incremento do seu valor global e servindo de refugio a muitas famílias na colocação e salvaguarda das suas poupanças. Manteve-se assim altamente liquido quando comparado com outras opções, nomeadamente ao nível do mercado de títulos e bolsista, continuando assim a atrair, pelo retorno gerado e pelo baixo risco, todo o tipo de investidores particulares e institucionais.

 

Em 2022 existirão naturalmente desafios diferentes aos quais teremos de dar resposta, enumero alguns dos quais considero mais relevantes.

 

Um dos primeiros será ao nível dos preços das casas, já que os últimos anos permitiram a acumulação a nível global de uma grande quantidade de recursos financeiros e monetários, que foram e serão investidos e aplicados na aquisição de imóveis, este fenómeno ocorreu por toda a Europa e naturalmente também em Portugal, colocando uma maior pressão nos preços da habitação sobretudo nos principais centros urbanos como Lisboa e Porto. Em termos de evolução no ultimo ano a variação média do índice de preços da habitação foi em torno dos 9%,  em linha com a média verificada nos últimos 5 anos, a que correspondeu em 2021 a um preço médio da habitação em torno dos 161.000€.

 

De acordo com esta evolução e para suster esta dinâmica no preço das casas, será critico em 2022 criar políticas de dinamização da construção de novas habitações, de modo a aumentar o parque habitacional português que cresce de forma anímica abaixo de 1% ao ano. O alargamento da redução do IVA na reabilitação à construção de obra nova poderá ser uma dessas soluções tais como a criação de incentivos à construção em zonas de menor pressão, limítrofes aos grandes centros urbanos, incentivos e bonificações ao credito habitação jovem deverão ser também tidos em conta.

 

O segundo relaciona-se com o aumento nos custos da construção, a ultima crise financeira ditou uma diminuição da capacidade instalada em termos de construção um pouco por toda a Europa, num período em que a necessidade de construção aumentou, a crise pandémica juntou-lhe um aumento nos preços das matérias-primas, impondo uma forte pressão nos preços da construção que sofreram um agravamento de cerca de 2 vezes superior em relação ao crescimento expectado, afetando as margens dos projetos em construção, os preços dos projetos a desenvolver e os seus prazos de conclusão. Neste âmbito o aumento da capacidade instalada ao nível da construção torna-se essencial no futuro, como forma de dar resposta às novas vagas de construção e reabilitação que se esperam nos próximos anos, o estado e as associações setoriais têm neste contexto um papel essencial na criação e desenvolvimento destas novas empresas.

 

Por ultimo uma nota importante para o fenómeno da inflação que ao verificar-se o seu incremento e manutenção, colocará forte pressão na procura de propriedades como forma de garantir uma reserva de valor e evitar a deterioração monetária e pressão no aumento das taxas de juro que afetarão a capacidade aquisitiva das famílias, mais uma vez o fomento da construção de obra nova poderá ser a solução para atuando junto da oferta suster o aumento dos preços.

 

Um bom ano e bons negócios

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