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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A relação entre Qatar e Portugal pode estar prestes a tornar-se mais forte. O Forum Portugal Qatar, que nasce em setembro, quer acima de tudo desenvolver oportunidades de negócio e investimento.

A pandemia de covid-19 pode ter afetado alguns negócios, algumas parcerias ou até ligações entre diferentes países. Mas no caso de Portugal e Qatar as trocas podem estar prestes a intensificar-se. Recentemente criada, a associação sem fins lucrativos Forum Portugal Qatar tem como principal objetivo promover o comércio entre estes dois países com referências históricas.

 

À frente do projeto está Nuno Anahory, consultor de negócios, que há mais de 10 anos trabalha com o mercado do Qatar numa perspetiva de desenvolvimento de negócios, conexões e projetos empresarias.

 

Conhecedor dos dois terrenos, o responsável propõe-se assim a levar para a frente a relação entre estes dois países ao desenvolver, apoiar e avançar com as relações sociais, culturais e de negócios bilaterais. A ideia deste Forum Portugal Qatar “visa precisamente a dinamização, constituir-se como um parceiro numa plataforma para a dinamização de quatro vertentes de atuação”, começa por explicar ao i o seu mentor. E acrescenta: “Uma delas será o tema da economia na perspetiva do desenvolvimento de negócios, comércios e investimentos. Numa ótica sempre de promover o melhor de Portugal dentro do mercado do Qatar”, diz Nuno Anahory.

 

Mas há mais. O Forum desenvolverá também as vertentes de hotelaria e turismo, a saúde, o desporto e a cultura. “É um projeto de iniciativa privada que visa agregar as empresas, os empresários e as associações empresariais criando o desenvolvimento de oportunidades de negócio e investimento para Portugal e todos os que queiram trabalhar connosco”, explica o consultor de negócios. O projeto é recente, está a ser estruturado e será apresentado já para o mês que vem.

Em vésperas de lançamento, as expectativas são boas. “Vai constituir-se como o veículo da internacionalização do tecido empresarial das empresas portuguesas no Qatar e, simultaneamente, quer constituir-se como uma referência para os diversos parceiros no Qatar que começam a despertar para Portugal e para a economia portuguesa”, perspetiva Nuno Anahory.

 

O desenvolvimento do Qatar 

A verdade é que o Qatar tem um forte potencial estratégico e a ligação entre os dois países poderá ser muito importante. “O Qatar é um país em que a sua economia e os seus recursos assentam em 60% no gás e 40% no petróleo”, descreve Anahory. “Dentro do plano do Qatar Nacional Vision 2030, soube definir muito bem quais seriam as suas linhas de atuação”.

É que o país, acrescenta o responsável, “conseguiu ter uma estratégia de diversificação de investimentos internacionais que permite, neste momento, não depender exclusivamente da produção dos seus recursos naturais. E daí se assiste à estratégia de investimentos e aquisições que o Qatar tem pelo mundo”.

 

Anahory confessa até que vários empresários lhe pedem informação sobre Portugal. “Obviamente que o Qatar começa a descobrir Portugal. Já temos alguns projeto de 100% de investimento de empresários do Qatar em Portugal, nomeadamente na área da hotelaria e outras áreas começam a surgir, nomeadamente o imobiliário e a área dos serviços como sendo muito atrativas para os empresários quer a nível individual quer a nível institucional no Qatar”, diz.

 

No que diz respeito à balança comercial, segundo a AICEP, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Qatar foi o 66º cliente das exportações portuguesas de bens em 2020, com uma quota de 0,1% no total, ocupando a 49.ª posição ao nível das importações (0,1%). “Ao longo do período 2016-2020 verificou-se um crescimento médio anual das exportações de 3,2% e de 244,6% nas importações. A balança comercial de bens foi desfavorável ao nosso país, tendo apresentado um défice de 48 milhões de euros em 2020”, destaca a AICEP.

 

A falta da ligação aérea 

Em julho de 2019, Doha – a capital do Qatar – e Lisboa ficaram ainda mais ‘perto’ através de uma ligação muito importante: a aérea. No entanto, com a pandemia, a Qatar Airways cancelou esse voo que até aos dias de hoje não foi retomado. E esse é também um problema que pode afetar a relação entre os dois países. “Era um voo que, em termos de operação comercial funcionava muito bem porque fazia uma parte da conexão com África, com os países lusófonos, nomeadamente em Moçambique”, diz Nuno Anahory. Neste momento estão a ser desenvolvidos trabalhos dentro da Qatar Airways, nomeadamente com a representação portuguesa, que “está a fazer um esforço e um trabalho intenso no sentido em que este voo seja reposto o mais breve possível.

 

Mundial 2022 

Há que ter em conta que o Qatar receberá no próximo ano o Mundial de futebol. Entre 21 de novembro e 18 de dezembro – as datas foram ajustadas ao clima extremamente quente e seco do país –, o troféu será disputado em oito estádios por 32 seleções. Um evento que, não obstante a polémica da escolha, adquire especial importância numa altura em que o Qatar – tal como no resto do mundo – começa aos poucos a retomar esta área que foi muito afetada pela pandemia.

 

A preparação foi estudada ao milímetro. “O Mundial de futebol é um projeto estruturante e o país todo se mobilizou para este projeto”, garante Nuno Anahory. “O Qatar acaba por ter uma geografia não muito grande e construiu oito estádios de eleição para que este mundial possa acontecer com um grande sucesso. Tem algumas características particulares”. Características como a distância entre os estádios, que é de cerca de uma hora no máximo, o que permite aos espetadores assistir a dois jogos no mesmo dia. “O propósito é que o Mundial seja um momento de conexão multicultural num ambiente completamente diferente do que foi até hoje. É o primeiro organizado num país de geografia árabe e o Qatar que entregar um Mundial de excelência. E está a preparar-se para isso”.

 

Para o consultor de negócios, “existe um mundo de oportunidades aqui também para as empresas portuguesas que já trabalharam nesta área da ativação dos serviços”.

O desenvolvimento do Qatar Nestes cerca de 10 anos em que trabalhou com o mercado do Qatar, Nuno Anahory assistiu a muitas mudanças e diferentes momentos na dinâmica do país. “Tradicionalmente o Qatar importava 98% dos bens e dos produtos que consumia e, com esta alteração estratégica, começou a ser um produtor e exportador, por exemplo, na área da agricultura. Isto são projetos que são estruturantes e que nos transmitem a dinâmica e a visão do país perante o mundo”, explica.

 

Recentemente o Qatar deu mais um passo na proximidade dos países de língua portuguesa ao ter recebido a categoria de Observador Associado da CPLP. Nuno Anahory considera que “isto é claramente um sinal de que o Qatar se quer posicionar junto da estrutura da CPLP”. E conclui: ”Este sinal, para mim, é uma oportunidade de contribuir para o desenvolvimento nomeadamente dos países africanos com projetos estratégicos dentro do continente africano”.

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