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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Grupo espanhol acredita que o projeto para a zona da Boavista, no Porto, vai sair do papel. Vendas mensais em recordes. De forma a reduzir a dependência face a outras geografias, o grupo El Corte Inglês tenciona ter mais produtos a serem feitos em Portugal, em especial no segmento da moda.

Chegar à liderança de uma empresa no início de uma tempestade de proporções gigantescas como está a ser a covid-19 é algo que ninguém deseja. Mas foi o que aconteceu com Enrique Hidalgo, o gestor que o El Corte Inglês escolheu para liderar o grupo em Portugal e que iniciou essas funções em março do ano passado, a poucos dias de ser declarada a pandemia. A boa notícia, diz o gestor, é que no verão as vendas normalizaram e estão agora em recordes.


"O primeiro ano foi horrível, tomei posse a l de março de 2020, depois de estar mais de 30 anos a trabalhar no El Corte Inglês, e 19 dias depois o país fechou todo", explica Enrique Hidalgo. Agora, apesar das nuvens de incerteza que permanecem, o grupo espanhol tem motivos para estar satisfeito com o momento que a operação em Portugal atravessa. "O verão comportou-se com normalidade, a grande surpresa foram setembro, outubro e novembro, nestes 20 anos em que estamos em Portugal nunca houve meses de setembro, outubro e novembro com tão bons comportamentos".


Não é só a pandemia que ensombra a operação dos grupos empresariais, pois há também importantes distúrbios nas cadeias logísticas. "Esse efeito está a ser devastador a nível mundial mas apraz-nos verificar que nos está a afetar menos pois beneficiamos em Portugal com o negócio robusto que temos em Espanha. Aqui notam-se menos as dificuldades de abastecimento, que estão a ser tremendas não apenas ao nível das matérias-primas mas em termos logísticos, de abastecimento, não há contentores nem barcos nem comboios, é muito complicado sobretudo num momento forte de vendas como este, o mais importante de todo o ano".


Enrique Hidalgo refere que para já esse efeito não se sente também porque o que o grupo tem agora à venda "já tinha sido programado há muitos meses. Temos mais ou menos assegurado o sortido, a incógnita é o que vai acontecer na primavera e no verão, o problema será trazer as mercadorias dos países onde são produzidas. Isso poderá beneficiar os fabricantes de ciclo mais curto como Portugal, Espanha ou Marrocos, países que têm alguma robustez e que poderão ajustar um pouco os preços para conseguir que muitos clientes que não olhavam para eles passem agora a fazê-lo".


E é nesse pressuposto que anuncia o interesse do El Corte Inglês em aumentar a produção em Portugal. "Vamos incrementar a produção de marca própria aqui, vamos incrementar a nossa produção em Portugal. Isso reduz os desgostos e as dores de cabeça de ter os produtos feitos sem os conseguir trazer para cá. Estamos a falar sobretudo de produtos de moda".


A aposta em produtos feitos em Portugal é especialmente evidente na parte alimentar, a que não são alheias as questões logísticas: "Mais de 80% das mercadorias que colocamos à disposição do consumidor português na alimentação são comprados aqui, é uma percentagem altíssima. Comprar produtos locais é mais fácil em termos logísticos e melhor para o ambiente."


Mais vendas pela internet


O diretor-geral do El Corte Inglês em Portugal acredita que o reforço de vendas pela Internet, que se verificou nos períodos mais agudos da pandemia, veio para ficar. "Em 2019 batemos o recorde de faturação em Portugal, o que aconteceu também nas vendas online. No exercício que terminámos em fevereiro de 2021 os nossos exercícios económicos vão de 1 de março a 28 de fevereiro , a percentagem de vendas online passou de 2,5% para 13,5%. As pessoas experimentaram, viram que resultava e repetiram. Em algumas categorias, como os brinquedos, houve meses em que se vendeu mais pelo canal internet do que pelo canal físico."


O problema foi responder à procura abrupta: "Tínhamos 300 envios de alimentação por dia pelo canal digital e no dia seguinte eram quase 10 mil. Não conseguíamos satisfazer todos os clientes ao mesmo tempo, o que nos deixou numa situação muito desconfortável, incómoda. Os primeiros meses foram muito duros."


Com dois grandes armazéns em Lisboa e Vila de Nova Gaia e seis lojas da Supercor, as vendas pelo canal digital permitem chegar a todo o país. "Para nós isso é fundamental, a diferença em relação aos concorrentes é que temos muito poucas superfícies físicas pelo que a única forma de chegar aos 10 milhões de portugueses é através do online", adianta Enrique Hidalgo, que destaca o acordo feito com a AICEP Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal para vender 50 marcas portuguesas pela internet. "Temos ajudado ao desenvolvimento online através de um marketplace com 50 marcas portuguesas." Referindo que o balanço do projeto "é muito positivo", destaca as vantagens que há para as empresas portuguesas: "Um acordo com o El Corte Inglês implica poder chegar de forma praticamente imediata a uma rede de distribuição de 80 centros comerciais e a 40 milhões de pessoas."


O grupo espanhol inscreveu o tema da sustentabilidade na sua estratégia e por isso é a primeira empresa privada em Portugal a ter o selo 'Resíduo Zero', uma certificação atribuída depois de se comprovar que as empresas, valorizam os seus resíduos, estimulando a economia circular e reduzindo as quantidades que acabam nos vazadouros. "No caso do El Corte Inglês o compromisso passa por atingir os 90% no final deste ano, sendo que em 2020 já conseguimos valorizar, reutilizar ou reciclar cerca de 77% dos nossos resíduos", explica Enrique Hidalgo.


Além disso, o El Corte Inglês assinou "um compromisso para ter, em 2030,40% dos postos de responsabilidade nas mãos de mulheres". Uma percentagem que já foi atingida sem necessidade de medidas de "discriminação positiva". E foi a primeira empresa privada em Portugal a receber o selo de entidade empregadora inclusiva.

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