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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Auscultados 1.400 gestores em todo o mundo, incluindo Portugal, mais de 50% dos executivos consideram a descarbonização uma vantagem competitiva, mas menos de metade acredita que o seu país tenha uma estratégia de descarbonização eficaz.

No novo relatório ‘Siemens Infrastructure Transition Monitor 2023: The Great Divide on the Path to Net Zero’, a empresa divulgou conclusões importantes sobre a transição das infraestruturas. Os dados do relatório, apresentados em comunicado, revelam que é bastante limitado o alinhamento entre as prioridades e a melhor forma de progredir em direção a um mundo descarbonizado e eficiente em termos de consumo de recursos.

 

Embora mais de metade das pessoas inquiridas acredite que, na sua região, a transição das infraestruturas está a ganhar velocidade, um quarto dos participantes afirmou que o progresso é “demasiado lento”, ao passo que 31% acham que está “dentro do prazo”.

 

O objetivo do estudo era avaliar o atual estado da transição das infraestruturas, incluindo desenvolvimentos nos sistemas, serviços, edifícios e estruturas necessários para que as indústrias, cidades e países funcionem eficazmente. Os dados foram recolhidos através dum inquérito internacional feito a 1.400 gestores seniores de 22 países, incluindo Portugal, bem como de uma série de entrevistas abrangentes a líderes e especialistas.

 

Os princípios orientadores subjacentes ao estudo, descrito no relatório, incluem a necessidade de a transição das infraestruturas ter um impacto positivo para além da descarbonização. Destacam ainda que uma integração mais inteligente das infraestruturas é mandatória para que se consiga alcançar as mudanças necessárias. E, por último, que é necessário agir com urgência e à máxima velocidade para impedir consequências desastrosas para o mundo.

 

As empresas estão sob pressão para descarbonizar os seus modelos de negócio, ativos e infraestruturas. De acordo com o relatório, quase metade tem objetivos para as emissões de âmbito 1 e 2 (47%). Apenas 40% pensam que é provável que a transição das infraestruturas descreve uma remodelação fundamental das estruturas e dos sistemas que mantêm o nosso mundo a funcionar, nas áreas da energia, dos edifícios, da mobilidade e da indústria. Esta transformação – que acontece entre 2020 e 2050 – é, sem dúvida, a maior, mais rápida e universal mudança na história do desenvolvimento das infraestruturas.

 

Outra área chave para as empresas são os seus edifícios. Apenas 37% dos inquiridos classificaram a sua organização como sendo madura ou estando avançada na melhoria da eficiência energética das instalações e edifícios, e somente 30% referiram o mesmo no que se refere à eletrificação e/ou descarbonização dos sistemas de aquecimento e ar condicionado.

 

Ainda que a transição das infraestruturas tenha ganho velocidade, é preciso que os progressos sejam mais rápidos a nível regional (país) para alcançar um mundo com baixas emissões de carbono. A energia é uma prioridade, dado que quase três quartos das emissões globais de gases com efeito de estufa têm origem na produção, transporte e utilização da energia. De acordo com o relatório, menos de 10% dos inquiridos consideram que a sua região (ou país) está “avançada, totalmente integrada e à escala”, no que se refere aos principais objetivos energéticos da transição. De acordo com a consultora McKinsey, para descarbonizar o sistema energético mundial seriam necessários cerca de 275 trilhões de dólares para fazer mudanças profundas na produção, distribuição e consumo de energia elétrica. As autoridades reguladoras são vistas como tendo a maior responsabilidade nesta matéria (de acordo com 31% dos inquiridos), seguidas de perto pelos proprietários finais dos ativos, ou seja, os investidores e acionistas (25%). Considerou-se que também cabe alguma responsabilidade a empresas (17%), políticos (13%) e cidadãos (13%), mas significativamente menos.

 

Em Jornal Económico

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