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Uma combinação de desafios geopolíticos, económicos e climáticos indica que as perspectivas económicas globais permanecerão voláteis em 2024, afectando directamente a confiança dos consumidores e os gastos nos principais mercados de moda. Esta é uma das conclusões do relatório The State of Fashion 2024, elaborado em conjunto pela The Business of Fashion (BoF) e pela McKinsey & Company, tendo como fontes dois inquéritos mundiais dirigidos a executivos e consumidores de moda.

Certo é que os executivos da indústria estão divididos quanto ao que esperar do próximo ano, com 26% a prever que as condições melhorem, 37% a afirmar que permanecerão iguais e 38% a considerar que as condições vão piorar.

 

Segundo o mesmo relatório, prevê-se que o crescimento da indústria seja de apenas 2 a 4%, com o segmento de luxo a registar o crescimento mais rápido entre 3% e 5%. «A indústria da moda mais uma vez demonstrou uma notável resiliência em 2022. O segmento de luxo, em particular, impulsionou o crescimento através de aumentos de preços, compensando parcialmente as fragilidades de outros segmentos. Embora haja muitos desafios pela frente para a indústria mundial da moda no próximo ano, principalmente impulsionados pela volatilidade e incerteza devido aos desenvolvimentos macroeconômicos, esperamos um crescimento global limitado a cerca de 2-4%, em 2024. O crescimento global das vendas no segmento de luxo deverá desacelerar para entre 3-5% no próximo ano, devido à contenção de gastos dos consumidores após um aumento nas compras pós-pandemia», explica Achim Berg, sócio sénior da McKinsey e editor-chefe do estudo.

 

Haverá potenciais factores positivos provenientes de uma recuperação do turismo global para 10% acima dos níveis pré-pandémicos (2019), criando oportunidades para as marcas reconquistarem os compradores internacionais em 2024. Mais do que nunca, este cenário representa uma janela lucrativa para as marcas, especialmente porque as compras estão no topo das agendas de viagens; 80% dos compradores inquiridos dos EUA, Reino Unido e China planeiam fazer compras de moda durante as férias e 28% esperam gastar mais nessas compras durante a viagem face ao ano anterior. Os consumidores estão também agora mais abertos a acrescentar cidades menos turísticas aos seus itinerários, enquanto mais de metade espera visitar no próximo ano destinos onde nunca esteve.

 

No que respeita à inteligência artificial generativa, 73% dos executivos de moda afirmam que será uma prioridade de negócio em 2024, com cerca de 25% do valor potencial na área de design e desenvolvimento de produtos. Isso depois de, em 2023, esta área ter estado em ascensão , impulsionada por 14,1 mil milhões de dólares em financiamento para startups focadas em IA apenas no primeiro semestre do ano. «A ascensão da IA generativa proporciona uma oportunidade criativa para a indústria da moda: já estamos a assistir ao surgimento de vários casos de utilização. Para captar o valor desta tecnologia transformadora no próximo ano, os executivos de moda terão de olhar para além da automatização e explorar o potencial da IA generativa para expandir o trabalho dos seus criativos», comenta Gemma D’Auria, sócia sénior e líder global da área de Apparel, Fashion and Luxury da McKinsey.

 

As alterações climáticas representam a maior ameaça de curto prazo para a indústria da moda. A frequência e o carácter extremo das catástrofes relacionadas com o clima em 2023 significam que as alterações climáticas são impossíveis de ignorar pelas marcas. Em termos reais, representam um risco significativo para o crescimento da indústria da moda, uma vez que os dados do estudo preveem que os fenómenos climáticos extremos possam impactar 65 mil milhões de dólares de exportações de vestuário e ameaçar um milhão de postos de trabalho em quatro grandes economias até 2030. Além disso, 90% das mercadorias exportadas dependem do transporte marítimo, estimando-se que 122 mil milhões de dólares de actividade económica nos portos estejam em risco devido a perturbações causadas por fenómenos meteorológicos extremos.

O relatório sublinha que todas as áreas da indústria da moda são afectadas pelas alterações climáticas, desde a produção de matérias-primas às cadeias de abastecimento e à logística. No próximo ano, estas deverão ser objecto de um maior escrutínio com as novas regras de sustentabilidade na Europa e nos EUA, que exigirão que as marcas e os fabricantes redobrem as iniciativas que reduzem as emissões e o desperdício, protegendo simultaneamente os recursos naturais e integrando estratégias climáticas nas suas empresas. O The State of Fashion 2024 partilha que apenas 12% dos executivos citam a sustentabilidade como uma oportunidade principal para 2024, uma vez que os executivos de topo da indústria da moda reconhecem que uma série de outros desafios irão disputar a sua atenção no próximo ano.

 

Imran Amed, fundador e CEO da The Business of Fashion, afirma: «Da intensificação da crise climática ao potencial transformador da inteligência artificial, o State of Fashion 2024 analisa os desafios e oportunidades-chave para a indústria mundial da moda no próximo ano. No entanto, os executivos não se devem acomodar. Ao mesmo tempo que devem abordar 2024 com cautela, é crucial continuarem a procurar oportunidades direccionadas para o crescimento e inovação.»

 

A nova era da influência: A autenticidade acima do estatuto

 

O marketing de influência – uma indústria que vale atualmente 21,1 mil milhões de dólares – continuará, segundo o The State of Fashion 2024, a ser uma forma fundamental de as marcas se conectarem com os consumidores. No entanto, os consumidores estão a mostrar sinais de “cansaço dos influenciadores”. O relatório revela que 68% dos consumidores inquiridos estão insatisfeitos com a quantidade de conteúdos patrocinados nas plataformas sociais e 65% confiam menos nos influenciadores do que nos anos anteriores.

 

Os dados indicam uma nova tendência para 2024, em que as pessoas interagem menos com os influenciadores que promovem um estilo de vida polido e aspiracional e se aproximam daqueles que consideram autênticos e divertidos. Os inquiridos elogiaram características como a empatia (43%) e a autenticidade (40%) em detrimento do estatuto de celebridade (15%) e dos conhecimentos de moda (23%). Em resposta a estas preferências, as marcas estão a procurar diversificar o tipo de talento com que estabelecem parcerias.

 

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