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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O Pavilhão de Portugal na Expo Dubai já ultrapassou os 100 mil visitantes. O Comissário português faz um balanço positivo. À Renascença, revela que há um português nas operações da Expo Dubai e que espera conseguir uma subida das exportações para a região.

Luís Castro Henriques está otimista. Espera que a presença portuguesa na Expo Dubai “permita ter uma taxa de crescimento das exportações naquela zona, maior do que temos tido”.

 

Em entrevista à Renascença, depois de superar os 100 mil visitantes no Pavilhão de Portugal, o comissário português revela que o “talento” português foi procurado pela organização da Expo Dubai.

 

Devido à experiência da Expo 98 de Lisboa, o Dubai conta com Rolando Borges Martins “antigo responsável máximo da Parque Expo”, como um dos “responsáveis máximos das operações da Expo” Dubai.

 

Apostado em conseguir uma poupança de 10 por cento no orçamento da presença portuguesa, o comissário espera no Dubai “chegar a um número mais elevado de investidores daquela zona”.

 

Que balanço faz da presença portuguesa na Expo do Dubai?

 

Faço um balanço muito positivo. Já tivemos 100 mil visitas. Isso mostra o interesse dos visitantes da Expo em visitar o Pavilhão de Portugal. Há muitos pavilhões e por isso é sempre bom o nosso ser selecionado, demostra o interesse do seu conteúdo, a sua visibilidade e demonstra como tem tido uma agenda plena que tem trazido tanta gente ao pavilhão.

 

De que forma Portugal é mostrado no Pavilhão?

 

O lema do pavilhão é "Portugal, um mundo num país". Quer representar a abertura e como Portugal e os portugueses ligam pessoas e culturas pelo mundo fora há centenas de anos. Isso está representado, primeiro na arquitetura do pavilhão. É um desenho do arquiteto Miguel Saraiva, representa uma caravela estilizada. No fundo é uma alusão a este período em que ligámos as pessoas através dos mares. Segundo tem uma praça no piso térreo que é completamente aberta a todos os visitantes e que permite aos visitantes interagirem com determinadas áreas do pavilhão e inclusive com uma pequena zona onde se recebem pessoas e fazem eventos. Depois temos toda a experiência expositiva no primeiro andar.

 

Como é essa exposição no interior do Pavilhão de Portugal?

 

Temos uma experiência central e imersiva sobre Portugal. Apresentamos a diversidade e beleza de Portugal, seja natural ou arquitetónica e também a ligação ao mundo árabe através dos azulejos. Depois temos uma zona expositiva mais personalizada onde cada visitante pode escolher o conteúdo que quer seguir de forma mais próxima e onde interagimos com os visitantes. É muito engraçado porque o retorno que nos dão é que saem dessa experiência a dizer que não sabiam aquilo sobre Portugal, que foi muito interessante, ou aprendi algo! Essa zona está dedicada a temas centrais que estão em consonância com o tema da Expo, nomeadamente a sustentabilidade, a inovação e toda a ligação que Portugal tem com o mundo. Isto tem gerado muito interesse. Temos também uma zona onde as crianças podem fazer um jogo em que representam um pinguim que anda pelo mar a recolher lixo. Uma alusão na aposta na sustentabilidade dos mares que Portugal pretende.

 

Apostaram também em dar a conhecer a gastronomia?

 

Temos um restaurante fantástico no último andar com vista sobre o Jubilee Park. É um restaurante liderado pelo chef Chakall e que tem tido imenso sucesso. Também apresenta a gastronomia portuguesa. No final da visita ao pavilhão há uma loja, a que chamamos a PT Concept Store em que apresentamos produtos que são relacionados tradicionalmente com Portugal, mas que têm inovações de design ou tecnológicas que chamam à atenção e demonstram a nossa sofisticação do saber fazer. É a associação entre a autenticidade, as matérias primas, as técnicas tradicionais e a inovação e design.

 

Portugal tem larga experiência na organização de exposições como esta do Dubai. Além da Expo 98, Portugal assessorou outras exposições como a de Zaragoza. Houve algum contato com a Expo do Dubai nesse sentido?

 

Sim. A preparação da Expo já tem vários anos. Houve logo no início, quando os Emirados souberam que iriam ficar com a Expo, ainda por cima no seu ano de Jubileu, houve várias interações, inclusivamente com pessoas que organizaram a Expo 98, para beberem da experiência que nós tivemos, sobretudo como país organizador. Hoje em dia, um dos responsáveis máximos das operações da Expo, é um antigo responsável máximo da Parque Expo. Nesse sentido, até o nosso talento aproveitaram e Portugal tem excelente talento. Portanto, temos lá o professor Rolando Borges Martins que é um dos responsáveis máximos da Expo Dubai 2020.

 

Assumiu o cargo de comissário quatro meses antes da abertura da Expo Dubai. Estava na Agência de Investimento e Comércio Externo. Até que ponto o Dubai pode ser um local de captação de investimento?

 

É uma perspetiva mais da agência e de como alavancamos a nossa presença na Expo para concretizar esse desígnio. É obvio que uma Expo é uma ação de notoriedade global que tem vários outros fatores a serem tidos em conta e apresenta várias outras dimensões que não é só o investimento. Em termos de relação comercial acreditamos que aquela é uma zona do mundo muito relevante, que vai apresentar taxas de crescimento relevantes. Acreditamos que é importante ter uma agenda empresarial. Teremos ao longo dos seis meses da Expo para dinamizar as relações comerciais. Numa perspetiva de investimento, também utilizamos o nosso pavilhão para estabelecer contatos com investidores que estão a visitar a Expo, para terem um momento de relação com Portugal e uma atualização do que está a acontecer em Portugal.

 

Que retorno esperam vir a ter com esta presença na Expo Dubai?

 

Acreditamos que de um ponto de vista relacional com investidores, sobretudo ao dar notoriedade ao que se faz de mais inovador em Portugal, o Pavilhão é fantástico. Tem claramente, uma demostração dos setores em que Portugal tem cada vez uma presença mais relevante e dos setores mais inovadores. Até apresentamos a nossa aposta mais recente no espaço. Nessa perspetiva esperamos conseguir atingir e chegar a um número mais elevado de investidores daquela zona.

 

E de um ponto de vista comercial?

 

Aí temos uma ambição mais concreta. Acreditamos que a nossa relação comercial, também devido às semanas temáticas que estamos a organizar para diversos setores, todas essas ações permitirão estabelecer relações com compradores da região como um todo. A nossa expetativa é que isto permita ter uma taxa de crescimento das exportações naquela zona maior do que temos tido, e acima de tudo, maior do que em relação a outras regiões. Hoje em dia a nossa exposição comercial, ainda é reduzida para o potencial dos próprios Emirados, e para a região. A nossa expetativa é que tenhamos taxas de crescimento superiores graças a esta ação.

 

É possível quantificar?

 

Seria futurologia. O que acreditamos é que o estabelecimento destas relações, a apresentação dos nossos produtos permitirá já, espero eu, compras em 2022, mas acima de tudo que isso possa estabilizar redes de relacionamento e comerciais que depois repliquem sustentadamente exportações em 2023, 2024 e assim sucessivamente.

 

A pandemia atrapalhou toda a organização deste evento, acabou por o atrasar. De que forma é que também interfere hoje no dia-a-dia da Expo?

 

Teve impacto na implementação da iniciativa. Tivemos um ano com muitos desafios. Aproveito para saudar a construtora que é uma empresa portuguesa que operou do outro lado do mundo, que é a Casais e que entregou o Pavilhão tal como estava previsto e desenhado, e a tempo para a abertura da Expo. Foi um desafio tendo em conta o enquadramento. Estão de parabéns. Temos um conjunto de operadores portugueses que começaram a operar muito mais próximo da realização porque durante vários meses não era obvio qual seria a modalidade de abertura da Expo. Hoje em dia, temos as restrições que são decorrentes da pandemia, nomeadamente na capacidade de pessoas em simultâneo no pavilhão. Mas é um funcionamento normal, não tem impedido termos tido mais de 100 mil visitantes.

 

Qual é o custo desta presença portuguesa?

 

O que foi orçamentado foram 21 milhões e meio. Já tínhamos muitos compromissos assumidos que representavam uma fatia de mais de metade do orçamento, mas em relação ao resto fizemos uma revisão no pós-pandemia e acreditamos que vamos ficar abaixo do orçamento global. Conseguiremos nesta fase pós-pandemia fazer uma poupança de cerca de 10 por cento.

 

Quando será o Dia de Portugal na Expo do Dubai?

 

No início do ano teremos o momento alto que será esse dia de Portugal em que teremos vários artistas a atuar. Será a 14 de janeiro, e será todo um dia dedicado à participação de Portugal e ao pavilhão.

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