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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Nos negócios, como na vida, acredito que a objetividade, a racionalidade e a resiliência são fatores essenciais para nos aproximarmos do sucesso. Fiel a estes princípios, habituei-me a não procurar subterfúgios nem suavizações dos cenários que enfrentamos. A verdade é que o ano de 2020 surpreendeu governantes, analistas, empresários e a sociedade civil.

É, hoje, mais do que evidente que a crise sanitária provocada pela pandemia da COVID-19 estendeu as suas ramificações ao setor económico e social, e obrigará, durante um período de tempo ainda incerto, uma redefinição de modelos de negócios, processos e operações. O cluster do mobiliário e afins é um dos mais afetados por esta conjuntura. A vocação exportadora das empresas destes setores coloca-as como especialmente suscetíveis aos condicionamentos à mobilidade transnacional, bem como aos diferentes ritmos de retoma económica dos vários mercados externos.

 

Paralelamente, as restrições à concentração de pessoas em recintos fechados privaram-nos de alguns dos principais fóruns de promoção e de contactos comerciais.

 

A conjugação destes indicadores levanta sérias preocupações e convida ao pessimismo. Mas eu, e bem sei que esta minha postura encontra eco em cada um dos empresários destas indústrias, habituei-me a enfrentar, de forma frontal e comprometida, os desafios. Se é verdade que estes setores são dos mais céleres a sentir o impacto das oscilações dos mercados externos, não é menos certo afirmar que integramos um dos clusters mais resilientes da economia nacional. Afirmo-o, perentória e publicamente, assente num conjunto de prerrogativas.

 

a) Os setores do mobiliário, colchoaria, iluminação e tapeçaria são dos mais tradicionais da história da indústria portuguesa, cuja atividade se funde com a própria identidade nacional e molda as tradições e vivências dos principais concelhos onde se encontram implementados.

 

b) Grande parte das empresas deste cluster soma várias décadas de experiência no mercado. Muitas delas ultrapassaram já, desde 1974, cinco períodos de recessão, incluindo a mais recente (e, porventura, mais profunda) crise financeira de 2008.

 

c) A afirmação internacional realizada na última década foi firmada em valores inalienáveis, como a qualidade, o know-how e o design. A não dependência do fator preço é a maior garantia e selo de credibilidade externa, que nos assegura que os bens e produtos produzidos pelas nossas empresas continuarão a ser desejados e procurados a nível global.

 

d) Sabemos, nos momentos mais importantes, atuar de forma una e integrada. Foi em conjunto, e com forte enfoque na complementaridade, que firmamos a afirmação internacional destas indústrias. Foi em conjunto que montamos, em tempo recorde, uma estrutura para produzir viseiras para os profissionais de saúde do país. É em conjunto que estamos a desenhar a nova estratégia de promoção internacional.

 

Termino esta análise com uma reflexão sobre o papel da APIMA. Num dos períodos mais turbulentos da economia nacional, a APIMA soube demonstrar a dinâmica e a proatividade necessárias. Foram realizados quatro webinares, com médias de participação que rondaram a meia centena de empresas, e que se traduziram num apoio concreto às necessidades urgentes do tecido empresarial. Realizou um inquérito interno, cujos preocupantes resultados foram entregues à AICEP, à CIP e ao Governo e objeto de divulgação mediática.

 

A APIMA tem pugnado, privada e publicamente, pela adoção de medidas de apoio a médio e longo prazo, que vão para além da satisfação das necessidades urgentes de tesouraria, e denunciado as condenáveis práticas da Banca, que continua a praticar taxas de juro pouco condizentes com a realidade atual e a exigir garantias pessoais em Linhas que contam com garantias públicas. Está a apoiar, sem qualquer custo, a implementação dos Planos de Contingência nas organizações. Por último, mas talvez a mais importante ação, apresentou já à AICEP uma proposta de redefinição da dinâmica de divulgação e posicionamento externo deste cluster.

 

Os próximos meses representarão, indubitavelmente, um desafio imenso para cada uma das nossas empresas. Um obstáculo para o qual não existem receitas milagrosas. Mas que a aposta na qualidade, a objetividade e nas sinergias saberá compensar a breve trecho.

 

* Joaquim Carneiro, presidente da APIMA e CEO da Animovel

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