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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Até dia 11, a fábrica de Palmela vai funcionar apenas com dois turnos (manhã e tarde) e de seis horas diárias, em vez das habituais 8h.

A Autoeuropa é a primeira fábrica a retomar a produção. Inicialmente a fábrica de Palmela apontou dia 20 para o regresso gradual ao trabalho, mas acabou por adiar uma semana. Mas apesar de recomeçar esta segunda-feira, ainda vai ser a meio-gás. Até dia 11, a fábrica da Volkswagen vai funcionar com dois turnos – de manhã e à tarde – no máximo de seis horas e não com as oito horas diárias. 

 

Com esta redução laboral, cerca de metade dos trabalhadores (perto de 2300) trabalham numa semana e a outra metade irá trabalhar na semana segunda. Só a partir de 11 de maio é que a Autoeuropa irá passar a funcionar com três turnos diários de oito horas, cinco dias por semana, num total de 15 turnos por semana.

 

Recorde-se que a empresa recorreu ao layoff para os trabalhadores que não regressem nessa data, garantindo, no entanto, a totalidade das remunerações.

 

A fábrica de Palmela suspendeu a sua atividade a 16 de março e, com esta medida, a Autoeuropa deixou de produzir 17250 automóveis, o que altera as previsões iniciais para o conjunto do ano que apontavam para mais de 250 mil unidades.

 

Fábricas em standby

 

A PSA Mangualde, do grupo Peugeot-Citroën, continua a aguardar condições de mercado para reabrir a sua produção, depois de ter suspendido a sua atividade a 18 de Março.

 

No entanto, o fabricante automóvel já anunciou que o seu centro de produção está “pronto para retomar a atividade”, graças à implementação de medidas sanitárias reforçadas. A PSA de Mangualde disse ainda que “o calendário para retomar a atividade, que se fará no contexto do diálogo social com a representação dos trabalhadores, ainda não está definido e terá em conta a capacidade de funcionamento permitida pelas autoridades para as empresas exercerem a atividade industrial e comercial”.

 

O mesmo cenário repetiu-se na Renault Cacia, em Aveiro, que também suspendeu a atividade no final de março e na Toyota, em Ovar.

 

Para o secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), o impacto do novo coronavírus no setor “é complicado” e comparou-o a uma “terceira guerra mundial para a economia”. Para Hélder Pedro não há dúvidas: o “cenário é complicado” para o setor e tem tendência para piorar.

 

“Em 2009, tivemos uma crise profunda e difícil, houve uma redução de procura, mas não houve esta situação de encerrar as fábricas”, acrescentando que “a montante temos os fornecedores de componentes, que não muitas vezes pequenas empresas que vão deixar de fornecer, e a jusante os distribuidores, que deixam de ter veículos para distribuir, tudo isto associado à crise de confiança económica é muito problemático”.

 

Recorde-se que, a par da reivindicação de medidas específicas para o setor, a ACAP pede também a reabertura de stands já no próximo dia 4 de maio depois do mercado ter caído quase 57% em março.

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