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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A cordoaria foi o início dos negócios e hoje é campeã mundial na produção de fios e cordas, a que acrescentou a maioria do capital da Super Bock Group e as concessões de jogo em Espinho, Chaves e Algarve.

A primeira empresa de Manuel Oliveira Violas (1917-1991) surgiu em 1943 - pouco depois de o empresário ter casado com Ana Gomes Soares - na área da cordoaria, que era o seu ofício desde os 11 anos, e após uma primeira experiência empresarial como sócio de um tio, em 1941. A empresa tinha 30 funcionários, contava com meia linha de produção em sisal.

Durante a década de 1950, passou à fabricação mecânica e o número de operários aproximou-se do milhar. Em 1965, Manuel Violas descobriu, nos Estados Unidos, as cordas de plástico e viu o risco para o negócio do sisal, mas, em vez de o combater, decidiu investir no novo produto e a Cotesi nasceu em 1967.

Em 1969, a Corfi fazia 25 anos e era uma das estrelas das exportações portuguesas. Tinha uma área fabril de 42 mil metros quadrados e era considerada a maior produtora europeia de cordoaria de sisal e de cordoaria sintética na Europa.

Por sua vez, a Cotesi em Grijó tinha uma área fabril de 35 mil metros quadrados e contava com 1.200 máquinas, das mais modernas do mundo. "É a maior instalação mundial de fabrico de telas e sacos de rafia de polietileno e polipropileno", como escrevia a revista Indústria Portuguesa em 1969. Exportava 95% da produção, tinha 2.680 empregados.

Em 1973, a Solverde, fundada um ano antes por 288 investidores, ganhou a concessão do jogo em Espinho. Manuel Oliveira Violas ficou com metade do capital, por isso dizia que era "uma amante cara", pois só em 1982 ficou concluído o novo casino e, no ano seguinte, o aparthotel, com 300 camas. Hoje, o Grupo Violas tem 100% do capital da Solverde, que conta com cinco casinos - em Espinho, Chaves e três no Algarve, mais o casinosolverde.pt, e quatro hotéis.

Em 1975, com a onda de nacionalizações, concentrou-se na defesa do seu património em Portugal e, em 1978, alienou a operação fabril em Porriño, Espanha. Pouco depois, chegou a contratar Belmiro de Azevedo como consultor, mas a parceria não prosperou.

Seguiu o seu caminho e foi aproveitando oportunidades que a liberalização da economia lhe deu para entrar para o capital da SPI, mais tarde BPI, e adquirir pequenas participações na petroquímica, aliando a finlandesa Neste ao Grupo Quintas & Quintas. Mas foi em 1989 que conquistou a joia da coroa da família Violas, a Unicer, hoje Super Bock Group, tendo como parceiros de negócio as famílias Pinho, da Arsopi, e Guedes, da Sogrape, que pouco depois sairia, para entrar no BPI.

Em 1991, com a morte de Manuel Oliveira Violas, ficou à frente do grupo o filho, Manuel Soares Violas, acolitado pelas duas irmãs, Celeste Violas e Otília Violas, e dos dois cunhados, Edmundo Sá e Edgar Ferreira, que trabalharam sempre nas empresas de Manuel Oliveira Violas.

Separação a bem

Em setembro de 2006, em dois dias e em duas reuniões, a irmã Otília deixou o grupo, levando como principais ativos para a sua holding HVF (Holding Violas Ferreira) a participação no BPI de 2,9%, e imobiliário. Foi a forma de resolver as divergências sem pôr em causa a família. "A separação correu bastante bem. Cada um está nas suas áreas de negócio e existe uma relação muito próxima e saudável", disse Manuel Soares Violas.

Em 2018, deu-se uma revolução acionista no Super Bock Group, em que a Viacer tem 55% e a Carlsberg 45%. Em fevereiro de 2018, o Grupo Violas compra 25% da Viacer ao BPI por 233 milhões de euros. Em dezembro de 2018, a Arsopi, da família Pinho, vendeu 28,5% à Carlsberg, por cerca de 250 milhões de euros.

Hoje, a terceira geração já mostra as suas aptidões. Pedro Violas e Sá transformou a Cotesi, que absorveu a Corfi. Em 2003 tinha 80% das vendas concentradas em 10 clientes, hoje conta com mais de 10 mil clientes - com unidades fabris nos Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Dinamarca, Reino Unido, Bélgica - e presença comercial em todo o mundo.

 

Exporta 99,5% da sua produção e é campeã mundial na produção de fios e cordas. Manuel Alexandre Violas, licenciado em Gestão pela Universidade Católica e excelente jogador de golfe, entrou no fim de 2018 para a administração da Solverde, enquanto Ana Marta Violas, que passou pelo King’s College, está no marketing da Super Bock Group.

Outros ativos são ainda: 93% do Clip-Oporto International School. Na área imobiliária, detém a 100% Viogesp, 100% da Sociedade de Investimentos Imobiliários da Praia da Rocha, da 33,3 % Aquiraz e 8% da Caravela Seguros. O volume de negócios do grupo Violas é de 730 milhões de euros. Tem 3.700 colaboradores.

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