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Irlanda, Dinamarca ou Suíça são a prova que não é necessário ser um país grande para ser uma potência mundial: são apenas alguns dos mais bem classificados no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, embora não sejam casos excecionais: outras nações pequenas, como a Islândia, Singapura, Bélgica, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega e Suécia também aparecem nas 20 primeiras posições no indicador da ONU.

Qual é o segredo?

 

De acordo com o Credit Suisse, no seu terceiro relatório sobre o desempenho de pequenas nações, a ‘poção mágica’ pode ser uma combinação de duas virtudes contrárias: ousadia e prudência. A primeira é necessária para se abrir o mais possível comercialmente ao mundo, com toda a vulnerabilidade que isso implica. Daí a necessidade da segunda virtude: prudência para preservar uma margem de reação caso esses impactos negativos externos cheguem de facto.

 

O ‘Economic Resilience Indicator’ (IRE), do Credit Suisse, classificou países altamente inovadores, com alta produtividade e baixa desigualdade, com instituições independentes, balança comercial equilibrada e preços sob controlo; e onde o desemprego é mínimo e há boa infraestrutura, benefícios sociais e espaço para empréstimos, se necessário. Ou seja, todas as variáveis ​​clássicas de uma boa política económica.

 

Entre os primeiros lugares do IRE estão nações como Suíça, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Israel e Noruega. Mas como isolar as boas avaliações se devem ao tamanho de fatores como a concorrência descendente nos impostos corporativos (Suíça, Irlanda, Países Baixos), a bênção dos hidrocarbonetos (Noruega) ou relações privilegiadas com os Estados Unidos (Israel)?

 

Segundo Sara Carnazzi, economista do Credit Suisse responsável pelo relatório, em declarações ao jornal espanhol ‘El País’, esta edição foi aberta aos 193 membros das Nações Unidas para descartar esse motivo. “Nos últimos 20 ou 30 anos, verificámos que mais países pequenos conseguiram dar um passo adiante no seu desenvolvimento, em comparação com os países maiores; o que acreditamos é que, pela sua maior vulnerabilidade, os pequenos países são obrigados a desenvolver melhores estruturas económicas e de governança”, sustentou.

 

Segundo dados do Banco Mundial, 50% dos países pequenos melhoraram o seu nível de rendimento entre 1987 e 2021, em comparação com 38% dos países médios e 39% dos grandes.

 

Para James Breiding, autor do livro ‘Too Small to Fail’, “embora as diferenças tenham crescido em todos os lugares, os pequenos países bem-sucedidos são caracterizados por menos desigualdade e mais coesão social”, o que se deve, em parte, “à importância dada nesses países à formação dos cidadãos para que estejam mais bem informados sobre os assuntos públicos, com mais compromisso com as eleições e maior confiança nos seus eleitos”.

 

“De tão fragilizados pela dependência do comércio exterior, é mais provável que estes países estejam um passo à frente a experimentar coisas novas, um pouco como laboratórios. Não significa que estejam sempre certo mas que estão sempre à procura de novas ideias”, destacou Breiding.

 

Impostos mudam as regras do jogo

 

No site ‘Missingprofits.com’, os economistas Gabriel Zucman, Thomas Torslov e Ludvig Wier publicaram uma estimativa do quanto recebem alguns países pequenos com a concorrência fiscal desleal. Os números são surpreendentes: 59% do arrecadado em impostos pela Irlanda entra no conceito de “imposto corporativo”, o que corresponde a lucros atribuíveis a outros países que foram artificialmente deslocados pelas empresas para o país para pagar menos; uma porcentagem que para a Suíça é de 39% (do total da arrecadação suíça de impostos corporativos); e para Singapura sobe para 29%.

 

E os que perdem base tributária? O Reino Unido, a Alemanha e França parecem suportar o peso na Europa, com 32%, 29% e 22%, respetivamente, de diminuição de receita de impostos corporativos que escapam para países com impostos mais baixos. Espanha também surgiu em destaque, com 18%.

 

Em Executive Digest

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