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Sob a gestão da Beta Capital, o fundo de capital de risco da Sogrape está em vias de fechar investimentos em startups de viticultura de precisão e bebidas alternativas com baixo teor alcoólico.

Com um legado de 81 anos no mundo dos vinhos e com presença em mais de 120 países, a Sogrape não é apenas uma das mais emblemáticas casas de vinhos portugueses, mas uma das maiores do setor, graças a um volume de negócios de 347 milhões de euros só no ano passado.

 

Sob a liderança de Fernando da Cunha Guedes e assente numa estrutura empresarial que permanece familiar, a Sogrape pretende agora alargar o seu espólio. Ao campeão de vendas Mateus Rosé e aos ex-libris Casa Ferreirinha Reserva Especial e Barca Velha, a Sogrape prepara-se agora para adicionar ao seu portefólio, não um vinho, mas um fundo de capital de risco com uma dotação inicial de cinco milhões de euros para investir no ecossistema de startups.

 

O foco está em “startups que tenham uma ligação com a nossa cadeia de valor, ou com o nosso setor, os meios e o apoio necessário para testar, desenvolver e expandir soluções capazes de criar um verdadeiro impacto na nossa indústria”, revela Fernando da Cunha Guedes, presidente da Sogrape, ao ECO.

 

Depois de apenas algumas semanas a aguardar pela aprovação da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), num “processo rápido e simples”, o primeiro fundo de capital de risco da empresa entrou recentemente para a lista dos quase 250 fundos de capital de risco que estavam registados no regulador nacional até ao final do ano passado.

 

"Nos próximos 10 anos, pretendemos desenvolver um portefólio robusto de startups que contribuam seriamente para a inovação e crescimento do setor e consequentemente da Sogrape." Fernando da Cunha Guedes, Presidente da Sogrape

 

O Sogrape Ventures é gerido pela Beta Capital, uma empresa de venture capital fundada em 2003 por Roberto Branco e Carlos Rocha, e o seu capital é totalmente detido pela Sogrape. “Para já, não está prevista a abertura a novos investidores”, refere o presidente da empresa, salientando que “que a nossa abordagem de investimento não se prende em investimentos exclusivos e abrimos sempre a possibilidade de realizar coinvestimentos com outras entidades que partilham a nossa visão e interesse em promover a inovação.”

 

Até ao momento, o fundo de capital de risco da família Guedes ainda não formalizou qualquer investimento, mas, segundo André Campos, diretor de Estratégia e Inovação da empresa, “nos últimos seis meses, a Sogrape já está em processo de identificação e análise de startups, em Portugal e noutras origens (Nórdicos, Austrália, Espanha), que podem contribuir para o pipeline de oportunidades.”

 

Entre as empresas no radar da Sogrape contam-se startups em fase de early stage (fase embrionária e inicial de desenvolvimento da empresa) a operar na área da viticultura de precisão e bebidas alternativas com baixo teor alcoólico. A ideia é “investir ativamente em startups que tenham conceitos, tecnologias, processos e modelos de negócios na cadeia de valor da indústria do vinho em particular e das bebidas em geral”, refere André Campos.

 

As empresas que abram o capital ao Sogrape Ventures, além do financiamento que receberão em troca de uma participação acionista, contarão com o apoio da Sogrape no desenvolvimento da sua operação. “Pretendemos ter um papel de investidor ativo”, refere Fernando da Cunha Guedes, sublinhando ainda que a sua empresa “compromete-se a contribuir ativamente com o seu conhecimento, as suas parcerias e relações estabelecidas, bem como com a sua posição enquanto líder do mercado nacional e a sua forte presença internacional.”

 

Para o futuro, Fernando da Cunha Guedes garante que a aposta da empresa no ecossistema de startups não se esgotará no lançamento do Sogrape Ventures. “Estamos também a desenvolver outros mecanismos que nos permitam estar em contacto constante com os melhores projetos”, revela o líder da empresa.

 

Entre esses projetos está a criação de uma estrutura de venture builder que será lançada em 2024, juntamente com um programa de aceleração. “Nos próximos 10 anos, pretendemos desenvolver um portefólio robusto de startups que contribuem seriamente para a inovação e crescimento do setor e consequentemente da Sogrape”, conclui o líder da empresa.

 

Em ECO

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