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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Braço tecnológico do Turismo de Portugal, o NEST atua em várias frentes só com três operacionais. Fica na Covilhã, mas tem alcance sem fronteiras.

A criação mais recente do Centro de Inovação do Turismo, que também responde pelo nome NEST, dá voz a objetos. Literalmente. Sejam os quadros de um museu, uma estátua, uma paisagem ou até um queijo, a sua função é pô-los a falar de si próprios ao interlocutor.

 

O organismo atua em várias frentes, mas com um só objetivo: ajudar a dar corpo à estratégia do turismo para o país, criando ferramentas tecnológicas dirigidas às empresas turísticas para que possam oferecer aos clientes condições irresistíveis para levarem Portugal no coração - e aqui voltarem.

 

Neste momento, o NEST conduz projetos na área do turismo de saúde, na poupança da água nos estabelecimentos hoteleiros, na acessibilidade desses espaços a pessoas com limitações e na mobilização de um exército de startups para criarem soluções úteis, numa atividade que se revelou determinante nos últimos anos para a economia nacional, embora tenha sido das principais vítimas da pandemia e careça de revitalização.

 

Tudo corre sob a orientação de dois operacionais, liderados por Roberto Antunes, diretor executivo do organismo, criado em fevereiro de 2019 e com sede na Covilhã, mas erguido sobre ligações que se configuram em rede, com uma multiplicidade de entidades espalhadas pelas várias regiões do país.

 

Esta associação, que se assume privada e sem fins lucrativos, nasceu da união de oito sócios fundadores de peso - o Turismo de Portugal, a Google, a Microsoft, os bancos BCP e BPI, a ANA-Aeroportos de Portugal, a Brisa e a NOS -, mas conta já com 64 associados. É da quota anual de todos os membros que o NEST vive, contando ainda com o contributo financeiro dos programas em que está envolvido.

 

Qualquer que seja o projeto em mãos, o modo de atuar já está definido: estabelecer um triângulo unificador dos intervenientes, encimado pelo NEST e ladeado por um meio académico e uma empresa (maioritariamente são startups). É a partir daí que surgem os milagres da inovação, com três ingredientes sempre por perto: o consumidor, a sustentabilidade e a digitalização.

Na prática, um dos projetos que os promotores estimam ser "único do género no mundo" visou a criação de um centro de conhecimento e inteligência sobre saúde e turismo, e do qual faz parte uma pós-graduação dirigida a estudantes e trabalhadores da área, que mais não é do que uma de cooperação para encontrar soluções inovadoras no domínio do Turismo de Saúde. "É uma área que já vinha a ganhar o seu espaço em Portugal, mas que se impôs com a pandemia", justifica Roberto Antunes, explicando que o projeto nasceu de uma parceria com a Nova Medical School, da Universidade Nova de Lisboa.

 

Outro trabalho em andamento envolve a Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, integrada na rede nacional de academias do Turismo de Portugal, e à qual está associado um hotel de aplicação gerido pela escola, o Eleven Hotel School - um pormenor de grande relevo quando estão em causa inovações que se querem experienciar antes de ficarem disponíveis para o mercado.

 

O que aqui se estuda tem que ver com a gestão da água nos hotéis. Como é gerida? O preço do quarto deve ter uma componente fixa e outra variável em função do consumo do cliente? Será que o turista tem interesse em ter acesso à informação do hotel em termos de gestão sustentável dos recursos?

 

Para aprofundar o tema e encontrar as soluções certas, o projeto envolve aqui a startup Noytrall, que pertence ao agrupamento Aqua+, nascido de uma iniciativa da ADENE-Agência para a Energia. "Com este modelo, queremos dar à startup a oportunidade de aplicar a sua ideia no espaço físico do hotel, fazer a experiência, ver como tudo funciona, e só depois levar a solução à realidade", pormenoriza o gestor.

 

"É um projeto-piloto que assegura formação e preparação para ingressar no mercado de trabalho, mas saindo dos palcos tradicionais do ensino. A vantagem de um hotel-escola é poder ter ideias que ainda não chegaram ao mercado."

 

Um avatar que dá informações
Outras startups estão a desenvolver quiosques interativos de check-in, com uma espécie de avatar que dá informação ao turista sobre todo o processo de acolhimento no hotel, além de informações sobre a região. Para Roberto Antunes, "um avatar permite ter um elemento digital que é uma extensão da equipa, mas também uma forma de dar resposta às questões mais frequentes colocadas pelo turista. E a função do NEST é também perceber se há vantagens em desenvolver uma solução deste tipo".

 

Ainda assim, "tornar Portugal num destino turístico para todos o ano inteiro" - como prevê o plano Estratégico do Turismo de Portugal - é um desafio adicional. Implica, por exemplo, adaptar o acolhimento a pessoas com limitações físicas, como cegos, deficientes motores, idosos ou grávidas. Neste caso, já existe uma solução digital gratuita, conseguida através do programa Access for all.

 

Apesar de os procedimentos para estas situações estarem previstos na lei, Roberto Antunes destaca que o Access for all tem a "vantagem de fazer uma listagem simples, para uso no momento, de tudo o que o hotel deve ter e proporcionar, nomeadamente, na receção, no quarto ou nos pequenos-almoços" para quem tenha este tipo de limitações.

 

Ainda no início deste ano, outra frente de operações do Centro incluiu a televisão, via SIC Notícias. Tratou-se do The Next Big Idea, uma série de 14 episódios na qual foram apresentadas startups do turismo.

 

Mas a grande dinamização de startups envolve o NEST, o Turismo de Portugal e a Portugal Ventures. Com este trio de ataque, são mobilizados 1,2 milhões de euros por ano, a cargo do Turismo de Portugal, para investir nos FIT - programas de aceleração de empresas, chegando a envolver 300 a 400 startups em cada ano, com ideias inovadoras para o setor.

Por outro lado, a Portugal Ventures, empresa estatal de capital de risco, investe nas melhores ideias apresentadas, entrando na capitalização das empresas selecionadas.

 

Das 150 startups classificadas e que trabalham na órbita do NEST, algumas estão envolvidas em programas para conceber soluções simples dirigidas às pequenas e médias empresas (PME) do turismo, com a criação de conteúdos digitais que valorizem as várias valências do setor.

 

Neste âmbito, além do Access for all e da solução para os recursos hídricos, o NEST também esteve envolvido na criação de uma ferramenta digital designada por T+, lançada em junho e gratuita, com a participação da consultora PwC, que "permite a qualquer empresa do setor fazer o seu próprio diagnóstico em termos de sustentabilidade. De volta, recebe dicas sobre como melhorar a sua situação". Roberto Antunes lembra que "a Organização Mundial do Turismo elenca 17 objetivos de sustentabilidade, pelo que a intenção desta ferramenta é evitar que as PME não se percam no meio de um assunto tão vasto".

Da mesma maneira, também já está disponível uma solução que permite às empresas fazerem o seu próprio diagnóstico, mas agora da sua maturidade digital. Chama-se Up grade e já há 70 mil empresas a usarem-na desde dezembro de 2020. Envolveu o NEST, a Microsoft e a Everis.

 

E se as paredes falassem...
A mais recente invenção, lançada também em junho, quebra com tudo aquilo que estamos habituados a ver. Pela sofisticação, o Talk to me é um serviço pago (cerca de 40 euros por mês), desenvolvido pela startup Uzer, que adapta os conteúdos às características daquilo que a empresa turística contratante pretende distinguir, mas apresentados de forma visual e audível.

O projeto-piloto partiu da experiência no WoolFest, o Festival da Lã da Covilhã, marcado pela arte urbana de grande impacto visual. O Talk to me permite um diálogo, um chat que é ativado por um QR Code e viabilizado pelo Messenger do Facebook.

Foi assim que se tornou possível "ter uma conversa com qualquer coisa, mesmo com uma parede com arte urbana". O turista seleciona o que lhe interessa e o alvo escolhido "fala" sobre si próprio e até sobre a região, se for preciso, explica Roberto Antunes. "É então que se pode conversar com um produto gastronómico local, uma paisagem ou uma estátua, por exemplo. A isto se chama dar voz aos objetos".

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