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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A crise económica provocada pela pandemia da COVID-19 vai levar a um inevitável abrandamento das exportações, não só devido ao atual enquadramento a nível de fronteiras, mas também devido a constrangimentos logísticos e de abastecimento. A constatação é do Presidente da AICEP.

Em entrevista à "Vida Económica", Luís Castro Henriques afirma: "A exportação online poderá ser uma forma de algumas empresas permanecerem em atividade e escoarem os seus produtos, inclusive para outros mercados". Segundo refere, pode haver empresas que aproveitem este momento para se estrearem na exportação.

 

Vida Económica - A AICEP acaba de lançar um novo pacote de serviços dedicado ao 'e-commerce'. As empresas portuguesas estão preparadas para o comércio online?


Luis Castro Henriques - As empresas portuguesas já começam a olhar com atenção para o e-commerce', mas há ainda um caminho de capacitação a fazer. E é por isso que a AICEP tem apostado, desde há dois anos, no desenvolvimento de uma série de produtos e serviços com foco no e-commerce.


Esta semana lançámos uma ferramenta de diagnóstico para o e-commerce [disponível em https://www.portugalexporta.pt/], que permite a cada empresa perceber qual o seu nível de preparação para iniciar a exportação online e receber um relatório com recomendações sobre como se preparar ou como começar a tirar partido da exportação online. Estamos também a promover um conjunto de webinars dedicados ao e-commerce' internacional, que ficarão disponíveis online.


A AICEP volta, ainda, a apostar em cursos e-learning', como o curso básico de 'E-commerce' Internacional e o curso de introdução ao Marketing Digital, que vamos ter disponíveis a partir do dia 28 (no Portugal Exporta). Além disso, continuamos a promover parcerias com 'marketplaces' para dar às empresas portuguesas a oportunidade de conhecerem o potencial de negócio e o funcionamento destas plataformas. Acreditamos que esta oferta será muito útil para as empresas que queiram expandir-se através da exportação online.

VE - Este 'salto' para o 'e-commerce' é mesmo inevitável? Depois da pandemia da COVID-19, o comércio online tenderá a ser o futuro das exportações?


LCH - O e-commerce' é uma realidade a que as empresas portuguesas, especialmente as PME, devem estar atentas. Vantagens como a redução de custos, a diminuição das barreiras à entrada nos diferentes mercados, a possibilidade de um maior conhecimento sobre os clientes e ambiente de negócios tornaram-se demasiado importantes para serem ignoradas. Além de que posicionam o e-commerce' já não apenas como uma alternativa ao comércio tradicional, mas como uma evolução necessária para as empresas.

VE - E poderá significar uma diminuição do ritmo e dos volumes de vendas dos canais "físicos"?


LCH - Não contribui diretamente para que haja uma diminuição do ritmo e dos volumes de vendas através dos canais 'físicos'. Esta crise provocada pela pandemia COVID-19 vai levar a um inevitável abrandamento das exportações, não só devido ao atual enquadramento a nível de fronteiras, mas também a constrangimentos logísticos e de abastecimento. Para fazer face a isso, a exportação online poderá ser uma forma de algumas empresas permanecerem em atividade e escoarem os seus produtos, inclusive para outros mercados.


Acreditamos que pode haver empresas que aproveitem este momento para se estrearem na exportação, arrancando já através dos canais online, e empresas que aproveitem este momento para acelerar a sua diversificação, apostando em novos mercados, agora através destes novos canais.

VE - A AICEP fez adiantamentos às empresas e associações empresariais no valor de 40 milhões de euros. Que percentagem diz respeito a empresas e a associações?


LCH - A grande maioria destes 40 milhões em pagamentos foram feitos a empresas. A AICEP reforçou a capacidade de resposta da equipa dedicada à verificação e pagamento de incentivos, no sentido de cumprir as orientações estipuladas pelo Governo, no âmbito do PT2020, como o pagamento no prazo mais curto possível, a prorrogação do prazo de reembolso de créditos concedidos no âmbito do QREN ou do PT2020 e a elegibilidade de despesas suportadas com eventos internacionais anulados. Estamos a acelerar o pagamento destes apoios, oriundos de fundos comunitários, com o objetivo de mitigar os problemas de tesouraria das empresas.

VE - A AICEP tem uma vasta rede de delegações pelo mundo. Que papel podem desempenhar a partir de agora? O modelo de funcionamento continuará a ser o mesmo ou há novas funcionalidades a serem pensadas?


LCH - As delegações da AICEP são, sem dúvida, uma caraterística diferenciadora da Agência. E têm revelado ser ainda mais relevantes, a vários níveis, num momento como o que estamos a atravessar. Aproveito para realçar o acompanhamento que tem sido dado ao processo de aquisições e doações de equipamento de proteção individual e equipamento médico-hospitalar na China, através das nossas delegações naquele país, em coordenação com a Embaixada em Pequim. Já foram realizados transportes aéreos de material que incluíram cobre-botas, fatos completos de proteção, batas, óculos e máscaras, e que abasteceram vários hospitais de Norte a Sul do País.


Além disso, as delegações têm preparado uma série de informação detalhada sobre os mercados internacionais, nomeadamente sobre setores com maiores constrangimentos, principais dificuldades a nível logístico, maiores barreiras à exportação, que é disponibilizada no site da AICEP. Já temos informação disponível sobre 34 mercados, que é atualizada semanalmente. Acreditamos que esta é uma fonte de informação muito útil para as empresas e que, neste momento, as delegações da AICEP podem ser um apoio ainda maior para as empresas com negócios nos mercados internacionais ou que queiram expandir-se.

"O 'e-commerce' é uma realidade a que as empresas portuguesas, especialmente as PME, devem estar atentas"

"A AICEP reforçou a capacidade de resposta da equipa dedicada à verificação e pagamento de incentivos" - refere Luís Castro Henriques, presidente da AICEP.

"Há organizações de feiras que já estão a propor outros formatos"

A vida empresarial mudou com as restrições da COVID-19. Missões empresariais ao estrangeiro com dezenas de empresários e feiras internacionais com centenas de expositores e dezenas de milhares de visitantes, como as conhecemos durante anos, não deverão realizar-se nos próximos meses ou anos. O Presidente da AICEP revela que já estão a ser pensados novos formatos.

VE - Com esta pandemia, o modelo das missões empresariais como as conhecemos está posto em causa, dadas as restrições nas viagens e na aproximação das pessoas, etc. A AICEP equaciona outros formatos para estas missões?


LCH - Essa é uma questão complexa para a qual ainda não conseguimos ter uma resposta definitiva. As grandes feiras internacionais, que atraem muitas pessoas de vários países, foram adiadas ou canceladas este ano. As feiras são uma montra para as empresas e, em muitos casos e setores, definem o ciclo de vendas. No entanto, há organizações de feiras que já estão a propor outros formatos, por exemplo, algumas delas passam a ser realizadas em formato digital ou então são dedicadas apenas para profissionais do setor, mais segmentadas, com menos público, mas mais focado para os objetivos a alcançar.

VE - Com as missões empresariais, feiras e demais eventos reduzidos a zero neste momento, os custos associados também diminuem. Como vão ser reinvestidas as verbas geradas por esta poupança?


LCH - Assim que for possível estabilizar a retoma da atividade das associações empresariais, estão previstas medidas no sentido de aceitar a reprogramação temporal e física da execução dos projetos. De acordo com uma orientação técnica dada pelo Governo, as verbas poderão ser realocadas a novas ações, a definir pelas associações. Já no que toca a despesas comprovadamente suportadas pelos beneficiários em iniciativas ou ações canceladas ou adiadas por razões relacionadas com a COVID-19, previstas em projetos do Portugal 2020, nomeadamente nos incentivos à Internacionalização PME e à formação profissional, serão elegíveis para reembolso.

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