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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Ter um painel solar no telhado ou terraço é cada vez mais frequente em Cabo Verde. Num país com forte dependência energética, que importa todos os recursos petrolíferos que consome, e perante um cenário de crise ambiental, a aposta em formas alternativas de geração de energia é uma necessidade.

Além dos investimentos feitos pelo Estado ou empresas, em parques eólicos ou fotovoltaicos, o mercado abre-se, cada vez mais, aos particulares que vêm nas energias renováveis uma forma de cortar na conta da eletricidade. No caso dos pequenos investidores domésticos, o foco tem sido a energia solar.

 

Esta tendência é confirmada pelo presidente do Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial (CERMI), Luís Teixeira, “Estamos a falar, sobretudo de sistemas para autoconsumo. O eólico é mais para os projetos em grande escala. A nível da microgeração, é sobretudo a energia solar fotovoltaica. Estamos a falar de painéis colocados em edifícios, sejam residências familiares, empresas ou instituições públicas”.

 

Só no ano passado, o CERMI formou 40 inspetores de microgeração, que têm a responsabilidade de vistoriar as instalações feitas, garantindo a segurança e conformidade com os requisitos legais.

 

Os preços estão em queda. É cada vez mais barato investir em energias de fonte renovável, conquistando algum grau de autonomia face à rede pública. Dados da Agência Internacional de Energia Renovável (AIER) confirmam essa tendência, o que ajudará a explicar o aumento do interesse dos consumidores domésticos, uma vez que em Cabo Verde, onde a exposição solar é permanente, a rentabilidade de uma unidade fotovoltaica é elevada, o arquipélago tem condições para atingir a auto-suficiência energética, através de energias limpas.

 

A microgeração também oferece a possibilidade de venda de excedente à rede eléctrica, com a instalação de um contador bidireccional. Nesses casos, sempre que a quantidade de energia gerada for superior às necessidades de consumo, o excesso é injetado na rede, fazendo-se depois o acerto na fatura mensal.

 

Quem decidir apostar em renováveis poderá beneficiar de um conjunto de medidas públicas, da isenção aduaneira na importação de equipamentos à bonificação de juros bancários. No país, já existem várias empresas especializadas, capazes de projetar e implementar sistemas de microprodução.

 

A meta do governo é atingir os 30 por cento de penetração de energias renováveis, até 2025, elevando a fasquia para os 50 por cento, em 2030, e atingido os 100 por cento, em 2040. Em 2019, conforme dados disponibilizados pelo Ministério da Indústria, Comércio e Energia, o valor fixou-se nos 18,4 por cento.

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