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Crescimento global deve abrandar de 3,5% em 2022 para 3% em 2023 e 2,9% em 2024”. FMI alerta que “a política orçamental tem de apoiar a estratégia monetária e ajudar o processo de desinflação”.

A economia mundial está a abrandar e as perspetivas a médio prazo são mais sombrias. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as suas previsões e, agora, estima que o PIB global cresça 3% este ano e 2,9% no próximo. Mas estes números não estão isentos de riscos, nomeadamente, a possibilidade de os preços das matérias-primas se tornarem mais voláteis e o facto de a inflação, apesar de ter desacelerado, continuar “desconfortavelmente elevada”.

 

“A previsão é de que o crescimento global abrande de 3,5% em 2022 para 3% em 2023 e 2,9% em 2024”, avança o FMI no World Economic Outlook publicado esta terça-feira. “As projeções permanecerem abaixo da média histórica de 3,8% (2000-19), e a previsão para 2024 foi revista em baixa em 0,1 pontos percentuais face à atualização das projeções publicada em julho pelo FMI.

Fonte: Fundo Monetário Internacional
 

É nas economias desenvolvidas que o abrandamento é mais significativo. O crescimento previsto este ano será de 1,5%, contra os 2,6% em 2022, e de 1,4% em 2024. Isto porque, apesar de os EUA apresentarem um desempenho mais forte do que o esperado, a Zona Euro vai crescer menos.

 

Os EUA vão crescer 2,1% este ano, à semelhança do ano passado, abrandando para 1,5% no próximo ano. Já a Zona Euro deverá crescer 0,7% este ano, depois de uma progressão de 3,3% em 2022, e 1,2%, em 2024. Este desempenho é parcialmente explicado pela contração de 0,5% esperada na Alemanha este ano, e noutras economias com a Estónia (-2,3%); Luxemburgo (-0,4%); Lituânia (-0,2%) e Finlândia (-0,1%). E se um extremo do eixo franco-alemão está em recessão, o outro cresce 1% (um abrandamento face aos 2,5% registados em 2022). Já Espanha, o principal parceiro económico de Portugal, trava a fundo com um crescimento previsto de 2,5% este ano (foi de 5,8% em 2022) e de 1,7% no próximo.

 

Numa nota positiva, o FMI sublinha que, “apesar das disrupções nos mercados energéticos e da alimentação causadas pela guerra, e o apertar sem precedentes das condições monetárias a nível mundial para combater a inflação em níveis historicamente elevados, a economia global abrandou, mas não parou”. “Contudo, o crescimento permanece lento, com crescentes divergências globais”, que se fazem sentir, sobretudo, entre as economias desenvolvidas, sublinha o Fundo. “A economia mundial está a coxear, não a correr a grande velocidade”, diz o documento.

A inflação desempenha um papel preponderante, já que, apesar de desacelerar — de 9,2% em 2022 para 5,9% este ano e 4,8% em 2024 –, continua em “níveis desconfortavelmente elevados”. E a política monetária mais restritiva, “necessária para desacelerar a inflação”. “Está a começar a ter impacto. Mas a transmissão é desequilibrada entre os vários países”, diz o FMI. As condições de crédito mais apertadas têm reflexos no mercado imobiliário, investimento e atividade, ainda mais nos países com uma percentagem mais elevada de hipotecas com taxa variável, ou onde as famílias têm menor disposição, ou capacidade, de recorrer às suas poupanças. “Se os preços do imobiliário descerem demasiado rapidamente, os balanços dos bancos e das famílias vão deteriorar-se, com potencial de graves amplificações financeiras”, alerta a instituição liderada por Kristalina Georgieva.

 

Além disso, tanto a inflação como a atividade são influenciadas pela “incidência do choque dos preços das matérias-primas no ano passado”. Um risco apontado pelo Fundo é os preços das commodities se “tornarem mais voláteis com as tensões geopolíticas renovadas e as perturbações relacionadas com as alterações climáticas”.

E como os países estão em diferentes fases no que diz respeito à política monetária – nas economias desenvolvidas já estão próximos do pico, exceto no Japão –, alguns viram mesmo as suas condições financeiras melhorarem. Mas agora existe o risco de uma rápida revalorização do risco, especialmente para os mercados emergentes, que resultaria numa apreciação ainda maior do dólar, saídas de capital e aumento dos custos do crédito e sobre-endividamento, alerta o FMI.

 

O FMI antecipa que não é de esperar muitas mais subidas de juros, mas chama a atenção para o risco de adotar demasiado cedo uma política monetária acomodatícia que “desperdiçaria os ganhos alcançados nos últimos 18 meses”. A sugestão é que a política monetária seja ajustada em baixa assim que o processo de desinflação estiver “firmemente a caminho”.

 

E num recado aos governos – que se aplica também a Portugal, no dia em que o Governo apresenta a proposta de Orçamento do Estado para 2024 –, o FMI diz que “a política orçamental tem de apoiar a estratégia monetária e ajudar o processo de desinflação”.

 

Se em 2022 a política monetária e orçamental estavam “ambas a puxar na mesma direção”, em 2023 “o grau de alinhamento diminuiu”, sendo que “o caso mais preocupante é o dos EUA”. Para o FMI, os governos deveriam estar “concentrados em reconstruir as almofadas orçamentais que foram severamente erodidas pela pandemia e pela crise energética”, dando como sugestão a “remoção dos subsídios à energia”. O coro das instituições internacionais tem pressionado os executivos a concentrar as medidas de apoio nas famílias mais carenciadas, em detrimento mesmo das empresas.

Voltando a bater numa tecla antiga, o FMI, através do seu conselheiro económico Pierre-Olivier Gourinchas, diz que, “com crescimento mais baixo, taxas de juro mais elevadas e espaço orçamental reduzido, as reformas estruturais tornam-se chave”. “Pode ser alcançado um crescimento de longo prazo através de uma sequência cuidadosa de reformas estruturais, especialmente as focadas na governança, regulamentação empresarial e setor externo”, sublinha o Fundo. “Estas reformas de ‘primeira geração’ ajudam a desbloquear crescimento e a fazer reformas subsequentes muito mais eficazes, seja para os mercados de crédito, seja para a transição verde”, conclui.

 

EmEco Online

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