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CABEÇALHO

Exportações agrícolas registaram um aumento de 7,6% nos primeiros 10 meses do ano.

O rendimento da atividade agrícola deverá crescer 11,1% este ano, de acordo com a primeira estimativa das Contas Económicas da Agricultura (CEA) do Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

Esta subida, justifica o gabinete de estatística, acontece em “consequência dos acréscimos previstos para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) (+9,0%) e para os outros subsídios à produção (+9,7%), após uma quase estagnação em 2020 (-0,1%)”.

 

Assim, as exportações agrícolas, nos primeiros 10 meses do ano, registaram um aumento de 7,6% face ao período homólogo, inferior ao das exportações totais de bens, que aumentaram 17,9%. Por outro lado, no mesmo período, as importações de produtos agrícolas registaram um aumento de 9,8%, inferior ao das importações totais de bens (+18,1%).

 

Mas vamos a números. No que diz respeito à produção vegetal, a evolução nominal positiva prevista é de 16,5%, que decorre de acréscimos em volume e em preço (+10,1% e +5,8%, respetivamente). “Para este crescimento foram determinantes as evoluções observadas nos vegetais e produtos hortícolas e nos frutos”, justifica o gabinete de estatística.

 

Já para a produção de cereais, as estimativas de produção de cereais apontam para um aumento em volume (+6,9%), “em resultado dos aumentos do milho e arroz (+5,0% e +30,0% respetivamente)”. E acrescenta que “a campanha cerealífera foi bastante boa, tendo os preços registado um acréscimo significativo (+23,1%), onde se destaca a subida do preço do milho (+36,4%), em consonância com a evolução dos preços nos mercados internacionais”.

 

Mas há mais: para os vegetais e produtos hortícolas está previsto um crescimento em volume de 9,5%, o que reflete, sobretudo “a evolução dos hortícolas frescos, particularmente do tomate para indústria”. Este produto deverá registar um acréscimo em volume de 25%, “tendo-se alcançado rendimentos unitários historicamente elevados”.

 

Quanto ao preço, estima-se um acréscimo para o conjunto dos vegetais e produtos hortícolas (+2,8%).

 

Na batata e, “apesar do atraso na realização das plantações em virtude do frio e precipitação excessivos, o desenvolvimento vegetativo foi regular”. Assim, foram registados aumentos em volume e em preço (+4,6% e +9,9%, respetivamente), “por oposição ao ano de 2020, em que o fecho do canal HORECA (hotéis, restaurantes, cafés) e a diminuição da exportação tinham contribuído para uma diminuição acentuada das transações e, consequentemente, do preço (-19,3%)”, diz o INE.

 

E os frutos?

 

Para este ano, também há uma boa previsão nos frutos e prevê-se um elevado acréscimo da produção em volume (+14,5%), para o qual concorreu a generalidade dos frutos, destacando-se os contributos da maçã, pera, cereja, amêndoa, frutos tropicais e azeitona.

 

Assim, a produção de maçã terá aumentado 20,0%, “em resultado do ciclo produtivo ter decorrido de forma bastante favorável e dos frutos serem de boa qualidade”. E não há dúvidas: “Esta campanha posiciona-se, assim, como a segunda mais produtiva dos últimos 35 anos (apenas ultrapassada pela de 2019)”.

 

Já a pera “deverá ter confirmado as expectativas de uma boa campanha (+40,0%), após uma das campanhas menos produtivas da última década (-34,0% em 2020)”.

 

E o INE explica que embora a qualidade das peras seja elevada, “foi afetada pelas temperaturas amenas e baixa radiação durante o período de desenvolvimento dos frutos, que originaram menos açucares e menores calibres”.

 

Já na cereja, “destaca-se a excecional produtividade das variedades mais tardias, que posicionam esta campanha como a mais produtiva dos últimos 35 anos”. E, por isso, conta com uma produção em volume muito superior à do ano anterior: +200%.

 

A amêndoa segue o mesmo caminho e terá registado um acréscimo substancial do volume (+20,0%), “alcançando a maior produção das últimas duas décadas, em consequência do início de exploração de novas plantações intensivas, mais produtivas do que as tradicionais”.

 

E para a produção de azeitona, estima-se um acentuado aumento em volume (+31,4%), “decorrente de uma produtividade que será a mais elevada nos últimos 30 anos”.

 

O gabinete de estatística diz que, “de facto, após um ano de contrassafra, a floração e o vingamento dos frutos decorreu com condições meteorológicas muito favoráveis, originando, de uma forma geral, uma carga significativamente superior à alcançada na campanha anterior.

 

O INE fala ainda no preço diz frutos e revela que se estima um aumento de 8,7%, para o que contribuíram especialmente a maçã, o kiwi, os frutos de pequena baga, a castanha e o abacate. “Em grande parte dos frutos verificou-se uma boa qualidade do produto, com forte procura e aumento de transações”. No entanto, pelo contrário, a cereja registou um acentuado decréscimo do preço (-37,5%) em consequência da excecional produção em volume.

 

O gabinete de estatística fala ainda da produção de vinho onde, “apesar da instabilidade das condições climatéricas em fases relevantes do desenvolvimento da uva”, se prevê um aumento de produção em volume (+5,0%) e um “equilíbrio favorável” entre a acidez e os açúcares (embora estes sejam inferiores ao habitual), “esperando-se, assim, vinhos de boa qualidade”.

 

Para o azeite, prevê-se um acréscimo significativo em volume (+20,5%), em consequência da excelente produção de azeitona da campanha em curso (2020/2021) que mais do que compensou a redução da produção de contrassafra da campanha anterior (2019/2020).

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