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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

No contexto da pandemia global decorrente da COVID-19, em particular dos impactos económicos que já se fazem sentir e que vão piorar, a AED Cluster Portugal elaborou um documento síntese com medidas de mitigação para os setores da Aeronáutica, Espaço e Defesa.

O documento, intitulado Posição do Cluster da Aeronáutica, Espaço e Defesa no Contexto do COVID-19, foi já entregue aos membros do Governo com as tutelas da Economia, Defesa, Administração Interna, Educação, Ciência e Tecnologia e Infraestruturas, bem como a vários departamentos públicos, como o IAPMEI, a AICEP, a IDD ou a ANI.

 

“A nível europeu, a indústria da Aeronáutica, Espaço e Defesa (AED) constitui uma das principais indústrias de alta tecnologia no mercado global, apoiando mais de 865.000 postos de trabalho diretos altamente qualificados. Neste sentido, tem um papel fulcral na economia global, catalisando o desenvolvimento tecnológico e a inovação em todo o tecido social e económico”, explica José Neves, presidente do Conselho de Administração da AED Cluster Portugal.

 

Neste contexto, a International Air Transport Association (IATA) previu a 14 de abril que o setor de aviação perderá este ano 314 mil milhões de dólares em receitas de passageiros em consequência do surto de coronavírus. Esta previsão equivale a uma diminuição de 55 por cento das receitas de passageiros das transportadoras em 2020, relativamente a 2019. Ainda, esta diminuição das receitas baseia-se na previsão de uma diminuição de 48 por cento do tráfego anual de 2020, previsão que ainda pode vir a agravar-se.

 

Em Portugal os três setores representam já um volume de faturação agregado superior a 1,7 mil milhões de euros, com valores de exportação de cerca de 90 por cento, suportando mais de 18.500 recursos humanos.

 

O surto de COVID-19 afetou todos os setores da AED, tendo sido a indústria aeronáutica civil a mais atingida, originando cortes nas encomendas, problemas de abastecimento, paragens na produção e problemas de tesouraria. Relativamente às indústrias da Defesa e Espaço, estas são maioritariamente direcionadas para o setor público pelo que ainda não enfrentam os mesmos impactos da indústria Aeronáutica, no entanto, o impacto indireto não tardará a fazer-se sentir. Por estas razões, a AEDCP decidiu agir e avaliar o que pode ser feito para diminuir as implicações desta nova crise”, defende o responsável.

 

Neste sentido, a AED defende uma estratégia Nacional consolidada de mitigação ao impacto económico desta crise e reforço dos três setores em questão, dando origem a um conjunto de medidas que o Cluster AED considera relevantes:

 

Transetoriais

·       Aprovação de um pacote específico de formação e qualificação online dos profissionais do setor, particularmente online, tendo como objetivo a manutenção das qualificações e certificações existentes, assim como o aproveitamento da redução de atividade para aumento e diversificação de competências;

·        Definição de medidas de apoio ao trabalho a tempo parcial no setor (como por exemplo, a criação de bancos de horas) para evitar a exclusão dos atuais profissionais do setor;

·        Promoção de medidas para os projetos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&D&T), incluindo as vertentes da Inovação Produtiva e Organizacional, focadas no contexto atual e pós-COVID19, a nível nacional para capacitar os setores aos novos desafios, e alavancar as novas oportunidades. São necessárias revisões dos planos estratégicos setoriais e a redefinição das temáticas dos desafios societais, como a transformação digital e o impacto na sociedade civil.

 

Setor da Aeronáutica

·        Criação de um plano de ação, detalhado e integrado no trabalho de Diplomacia Económica do Governo, entre o Cluster, Ministérios e Agências nacionais que dê resposta às oportunidades geradas pelas alterações às cadeias de fornecimento internacionais:

1) Realocação das operações e fornecimentos da Ásia, Norte de África e América de volta à Europa, reforçando-se redundâncias em pontos críticos dessas cadeias, minimizando os riscos de fornecimento expostos pela crise e mitigar a futura quebra económica Europeia;

2) Necessidade de restruturar os modelos de custo e volume de produção em função da nova realidade da aviação civil;

·        Participação de Portugal no futuro CleanSky3 (Clean Aviation), através de um maior envolvimento de stakeholders nacionais na estrutura de alto nível, dinamizando financiamentos nacionais para o efeito.

 

Setor do Espaço

·        Garantir a integridade do financiamento nacional dos programas obrigatórios e opcionais da Agência Espacial Europeia, comprometidos na última reunião do Conselho Ministerial de 2019;

·        Garantir a continuação e dinamização das iniciativas complementares previstas na Estratégia Espaço 2030, tais como a construção do SpacePort dos Açores;

·        Acelerar processos de aquisição pública de serviços, e projetos de introdução de tecnologia espacial na administração pública, através do lançamento de concursos públicos, em particular, integrados nos esforços dos restantes.

 

Setor da Defesa

·        Assegurar que os investimentos definidos na Lei da Programação Militar (LPM) se mantêm e se aceleram tanto quanto possível, havendo um compromisso firme do Ministério de Defesa Nacional e dos Ramos das Forças Armadas numa incorporação muito mais significativa de valor acrescentado nacional, garantindo, sempre que possível, a participação de empresas portuguesas ao longo de todo o ciclo de desenvolvimentos de novos sistemas e equipamento;

·        Empenho institucional e diplomático na manutenção do orçamento e data de lançamento do Fundo Europeu de Defesa (FED), assim como a assegurar a participação nacional futura nos grandes projetos europeus de remodelação das forças, promovendo emprego e competitividade das nossas empresas.

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