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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Expo Dubai terá protótipo da Portugal Concept Store a abrir em diferentes capitais, em parceria com privados.

Estudo de perceção da marca Portugal revelou que só 52% dos decisores internacionais consideraria a compra de um produto de fabrico português


O Governo quer aproveitar a Expo Dubai a exposição mundial que conta atrair 25 milhões de visitantes ao Médio Oriente entre 1 de outubro de 2021 e 31 de março de 2022 para testar uma das medidas mais emblemáticas da sua estratégia para internacionalizar o país. Em causa está a Portugal Concept Store, uma loja portuguesa de bandeira, a abrir em diferentes capitais estrangeiras, para vender produtos nacionais e afirmar a marca "Portugal" lá fora.


"É uma ideia que vem sendo desenvolvida nos últimos anos. Primeiro, o conceito. Depois o sortido de produtos e o nome em inglês para ser internacionalizado. E agora vamos fazer o primeiro teste no pavilhão de Portugal na Expo Dubai", diz o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias. "É um conceito muito giro", acrescenta sobre as quatro dezenas de produtos selecionados por uma curadora para este teste inicial. Um sortido de produtos "únicos e sofisticados", desde utensílios do lar, decoração, moda ou agroalimentar tipicamente português.


Os passos seguintes à Expo Dubai serão testar a loja em Portugal e desenvolver um "modelo de negócio exportável para outras capitais". À Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) caberá concretizar um projeto de promoção externa "sustentável do ponto de vista económico" e "sem entrar em concorrência com privados". Porque "a vocação da AICEP não é gerir retalho", diz Brilhante Dias, "queremos fazê-lo com privados".


Este é um exemplo das "parcerias público-privadas" que o secretário de Estado da Internacionalização tem defendido para aumentar a notoriedade do país no estrangeiro. "Temos de investir mais nesta coordenação entre a promoção da marca Portugal, das marcas sectoriais e das marcas das empresas como sucedeu recentemente com a fileira 'Casa' porque uma debilidade evidente de Portugal é termos poucas marcas reconhecidas no exterior. Para a nossa dimensão de PIB, devíamos ter mais marcas de origem portuguesa. A Navigator é um caso, os hotéis Pestana e Vila Galé são outros. Mas, entretanto, desapareceram marcas associadas a Portugal, caso da PT".


A convicção é reforçada pelos resultados do estudo de avaliação da perceção externa da marca Portugal do BAV Group. "É um retrato de Portugal visto por mais de 20 mil decisores do mundo inteiro", explica o governante sobre este exercício que permitiu comparar a notoriedade do país face a um universo de 73 países que somam 95% do PIB mundial.


Portugal visto de fora

O estudo revela que 79% dos entrevistados até equacionam visitar Portugal. E 57% considerariam fazer negócios em Portugal, mas só 36% têm experiência em fazê-lo. O pior é que só 18% visitariam Portugal para um ato médico, 28% frequentariam uma universidade portuguesa e 52% considerariam a compra de um produto de fabrico português.


O estudo confirmou o apelo turístico de Portugal como destino "aventura" (é 6Q em 73) ou "património" (7Q). O país também se afirma no ranking dos melhores para "reforma confortável" (7S), "investir" (14s) e "iniciar negócio" (I6e).


Mas há um problema de perceção da qualidade dos bens ou serviços portugueses por resolver. E o mundo ainda não distingue suficientemente Portugal de vizinhos como Espanha, Itália ou Grécia. Entre os 36% que já compraram marcas portuguesas, 47% já compram marcas da Europa do Sul. Quem mais experimentou marcas portuguesas foram espanhóis e brasileiros.


A solução do Governo passa por mais promoção e maior coordenação entre entidades públicas, empresas, associações, academia e sociedade civil. Há que alavancar as marcas portuguesas em ascensão e selecionar marcas já existentes para defender Portugal no estrangeiro. Há que incentivar mais empresas a investirem em marcas para chegarem diretamen- te aos consumidores. E incentivar os portugueses incluindo da diáspora a assumirem o papel de embaixadores dos produtos e marcas nacionais.


A AICEP reuniu peritos do mundo académico, empresarial e criativo na Conferência Marca Portugal, a transmitir no dia 23 de setembro. É o caso do especialista internacional em mar- ca-país, Simon Anholt, Paulo Pereira da Silva (Renova), Nuno Barra (Vista Alegre), Ricardo Magalhães (Covet Group), Carlos Coelho (Ivity Brand Corp), João M. Maria (VMLY&R) e Mónica Seabra-Mendes (Católica Lisbon Business & Economics).

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