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O maior grupo de transformação de cortiça do mundo tornou-se dono de metade de um grupo transalpino que detém 17 empresas, fatura 70 milhões de euros anuais e emprega 340 pessoas.

A Corticeira Amorim regressou às compras. Esta terça-feira, 11 de janeiro, anunciou a aquisição de 50% do capital social da italiana Saci, com sede em Turim, por um valor de 48,66 milhões de euros.

 

Uma participação que era detida pela família Perlich, sediada na Alemanha, continuando os restantes 50% nas mãos da família italiana Getto.

 

"Na sequência da decisão da família Perlich de vender a sua participação, os acionistas do grupo Saci procuraram um sócio que pudesse partilhar a sua visão do negócio e que, portanto, fosse capaz de compreender o setor,colaborando no crescimento e sucesso do grupo. A Corticeira Amorim surgiu como um parceiro natural pelos seus 150 anos de atividade e sucesso ao serviço da indústria vitivinícola mundial, com uma gama de soluções avançadas e de alta qualidade, que favorecem relações duradouras com os seus parceiros", explica o grupo português, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O grupo adquirido é constituído por 17 empresas, "que se movem em diversos setores", tendo como principal atividade a produção e a comercialização de "muselets" (estrutura em arame que se encaixa na cortiça de uma garrafa de champanhe, vinho espumante ou cerveja para impedir que a cortiça surja sob a pressão do conteúdo gaseificado), produto em que "é atualmente o principal produtor mundial", garante a Corticeira Amorim.

 

Segundo o grupo liderado por António Rios Amorim, o grupo Saci tem presença em mais de 30 países, conta com um efetivo de 340 pessoas e fechou o exercício de 2020 com um volume de negócios consolidado de 70 milhões de euros e um EBITDA de 10,5 milhões de euros.

Através desta operação, a Corticeira Amorim realça que adquiriu "uma participação significativa num grupo com uma forte carteira de produtos, uma excelente base de clientes, um elevado nível de prestígio e reconhecimento no mercado internacional, um reforço d a sua presença na cadeia de fornecimento do vinho, esperando alavancar o ‘know how’  técnico, a perícia e a competência do grupo Saci, fortalecendo a sua presença no mundo".

 

De resto, enfatiza a maior corticeira do mundo, "espera-se que o grupo Saci mantenha a sua identidade e autonomia para que as suas marcas possam ser assim salvaguardadas".

O Sr. Guetto industrializou a produção de "muselets" 

A filial mais relevante do grupo Saci é a I.C.A.S. - Industria Canavesana Attrezzature Speciali S.p.A., fundada em 1956, em Ivrea, por Bruno Getto.

 

"O Sr. Getto definiu como objetivo satisfazer os pedidos específicos dos primeiros produtores italianos de vinho espumante, ao criar e desenvolver uma máquina automática de altíssima precisão com o intuito de industrializar a produção de ‘muselets’, que até à data era feito manualmente", conta a Corticeira Amorim.

 

"Os investimentos contínuos em R&D, a utilização de maquinaria de ponta e a sua equipa altamente qualificada, apoiam uma gama diversificada e tecnologicamente avançada de produtos com qualidade e exclusividade reconhecidas pelos seus clientes, ao mesmo tempo que, em última análise, proporcionam aos consumidores finais uma experiência fiável ao abrir a garrafa", enfatiza o grupo sediado em Mozelos, Santa Maria da Feira.

 

Relata a Corticeira Amorim que o grupo Saci "tem vindo a expandir continuamente a sua gama de produtos, que inclui também tampas e cordões de arame, vedantes para as indústrias do vinho e do champanhe, oferecendo soluções individuais e eficientes para os seus clientes".

 

O grupo "também fornece apoio técnico às caves, que vai desde a consultoria à instalação dos seus sistemas de transporte e manuseamento, até aos sistemas de engarrafamento", estando "as suas principais instalações industriais sediadas em Itália, Alemanha e Portugal e os seus mercados geográficos mais significativos são Itália, França e Alemanha".

 

A entrada do grupo português na Saci, através da compra da participação da família Perlich, "também foi possível pelo conhecimento histórico das famílias Getto e Amorim e visa combinar as suas realidades de sucesso empresarial com o objetivo de criar uma forte união de intenções que permita ao grupo Corticeira Amorim e ao grupo Saci consolidarem e, sinergicamente, aumentarem as suas respetivas excelências", conclui a líder mundial do setor.

A Corticeira Amorim fechou os primeiros nove meses de 2021 com lucros que ultrapassaram os 58 milhões de euros, mais quase 10 milhões do que no mesmo período do ano anterior, e vendas que totalizaram 637,1 milhões de euros, mais 11,5% do que nos primeiros nove meses de 2020.

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