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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Exportações aumentaram 14,5% em volume e preço médio subiu 4,2% nos primeiros seis meses do ano. Arranque de 2021 foi positivo, mas é preciso fazer mais, defende setor.

A ViniPortugal e o Ministério da Agricultura revelaram esta quinta-feira que as exportações de vinhos portugueses viveram uns bons primeiros seis meses deste ano. Segundo os dados da Associação Interprofissional do Vinho, Portugal exportou mais, a um preço mais elevado e garantindo maiores receitas, quando comparado com igual período do ano anterior.
 

“As exportações dos vinhos portugueses tiveram, no primeiro semestre de 2021, um comportamento muito positivo, registando um assinalável acréscimo, tanto em valor como em quantidade, quando comparado com o período homólogo: 14,5% em volume, 19,3% em valor e 4,2% no preço médio”, indicou, em comunicado, o Governo.

 

Números que se traduzem numa receita de cerca de €436 milhões, mais €70,5 milhões que o valor registado no primeiro semestre do ano passado.

 

Em declarações à EXAME, a presidente da Associação Portuguesa de Enoturismo congratula-se pelos resultados, mas diz que é preciso fazer mais, sobretudo no que se refere ao posicionamento dos vinhos nacionais nas prateleiras internacionais.

“Os preços antes da pandemia tinham estagnado – apesar de o volume de vendas subir, os preços estavam mais baixos, portanto esta subida do preço médio é positiva. Sobretudo porque estávamos estagnados. Isto significa que o consumidor está disposto a pagar mais pelo vinho português, e essa evolução na perceção de valor é excelente e não acontecia anteriormente.”

 

Maria João Almeida realça que ainda não tem dados concretos sobre o assunto, mas acredita que há dois fatores que podem ter estado na base deste resultado: “Por um lado, a crise global terá feito com que as pessoas de outros países também tenham procurado coisas mais baratas. E aí Portugal ganhou a hipótese de mostrar que, no que se refere aos vinhos, não fica nada atrás dos outros países”, atira. “E o facto de muitos pequenos produtores terem aberto as lojas online, com envio internacional, tornou mais fácil a compra de vinhos portugueses.”

 

Ainda assim, sublinha a especialista, “acho sinceramente que devia haver uma política diferenciada para os preços para o mercado nacional e o mercado internacional”. Uma ideia, aliás, que tem vindo a defender ao longo dos anos, recordando que, para quem não conhece os vinhos, o efeito preço é sempre valorizado. “Há muitos países em que não se compra um vinho barato porque se acha que não é bom. E nós temos vinhos muito bons, mas demasiado baratos.”

 

Aliás, aproveita para recordar uma história que demonstra bem esta opção – que diz não compreender – de Portugal se posicionar num segmento demasiado baixo, internacionalmente.

 

“Lembro-me de que há muitos anos – talvez no final dos anos 1990 –, no Reino Unido, ir às garrafeiras e na altura só havia, praticamente, vinhos do Porto, alguns do Douro e alguns Madeira, de Portugal. E de encontrar o Duas Quintas Reserva a um preço muito mais baixo do que Portugal. Talvez duas ou três vezes mais baixo. E chegava a comprar seis garrafas lá porque era muito mais barato, de facto”, conta.

 

“Na Europa, onde supostamente temos acordos comerciais, devia haver uma política mais agressiva de posicionamento. Acho que, sinceramente, falta um bocadinho de garra aos próprios produtores. Têm que ser mais orgulhosos do seu produto e mais combativos, e trabalhar um bocadinho mais para mostrar que o seu produto é bom. E, se isso tem que ser feito, vamos fazer”, pede a responsável da Associação criada no ano passado, precisamente para ajudar os associados a encontrar uma estratégia que valorize os vinhos e o destino Portugal.

 

No mesmo sentido, o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, considera, em comunicado, que estes resultados “consolidam a posição dos vinhos portugueses no mundo e abrem boas perspetivas para o ano de 2021, com potenciais margens de crescimento relevantes em vários países que começam agora a descobrir os nossos produtos”.

 

Os Estados Unidos da América e o Brasil foram os países em destaque neste semestre: para estas duas geografias as exportações aumentaram 22,2% e 42,3%, respetivamente, ou €54,7 milhões para os EUA e cerca de €32 milhões para o Brasil.

 

Ainda assim, é no mercado comunitário que Portugal mais se afirma, com França no topo dos países onde chegam mais vinhos produzidos em território nacional: as exportações para aquela geografia subiram 14,5%, para €56,7 milhões. Os EUA e o Reino Unido (mais 12,8% para €33 milhões) fecham o pódio dos principais destinos de exportação.

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