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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Ao ECO, o setor hoteleiro adianta que a JMJ cumpre "as expectativas", nomeadamente no que toca aos hotéis até 4 estrelas, e diz que preços estão "ligeiramente acima" face ao período homólogo.

Os hotéis em Lisboa estão com uma taxa de ocupação entre 65% e 90% durante a semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realiza entre 1 a 6 de agosto, isto é, em alguns casos abaixo dos valores registados no período homólogo. Ao ECO, o setor adianta que o preço médio das estadias está “ligeiramente acima” face a igual período do ano passado.

 

“O inquérito feito aos nossos associados, em junho, apontava para níveis de ocupação em torno dos 90%”, afirma o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em declarações ao ECO, acrescentando, que, neste momento, a hotelaria em Lisboa “até às 4 estrelas vai atingir esse objetivo“, ao passo que “hotelaria de 5 estrelas vai ficar abaixo”, com uma taxa de ocupação que rondará os 70% a 75%.

 

Bernardo Trindade, que é também administrador do Porto Bay Hotels & Resorts e antigo secretário de Estado do Turismo, explica que esta tendência deve-se ao facto de o público-alvo da hotelaria de 5 estrelas ter um “maior poder aquisitivo” e dado que são esperados entre um milhão a um milhão e meio de visitantes na capital portuguesa durante a JMJ “preferem visitar a cidade e a região numa outra altura”.

 

Esta tendência é, aliás, sinalizada por duas das maiores cadeiras hoteleiras do país. Ao ECO, o Pestana Hotel Group estima que, durante a primeira semana de agosto, as taxas de ocupação dos hotéis do grupo na região de Lisboa “fiquem aquém dos valores registados na mesma semana do ano passado, sendo que, logo na semana seguinte, o nível de reservas cresce para valores superiores a 2022″.

 

Neste momento, as taxas de ocupação do Pestana Hotel Group previstas para a região de Lisboa, para a semana de 1 a 6 de agosto “rondam os 65%, o que representa um valor 25% inferior à ocupação em 2022 no mesmo período”, enquanto na zona de Lisboa, nos hotéis e pousadas de 4 estrelas preveem “uma ocupação inferior em 16%, relativamente a 2022″, aponta fonte oficial do grupo, em resposta ao ECO.

 

Tal como foi sinalizado pela AHP, a tendência é mais notória nos hotéis e pousadas de cinco estrelas do Pestana Hotel Group que apresentam atualmente “ocupações inferiores às do ano passado, registando-se um decréscimo de 60%, valores que regressam de imediato à normalidade na semana seguinte, com taxas de ocupação superiores a 2022″.

 

Em contrapartida, em Cascais, e apesar de atualmente a taxa de ocupação estar aquém do período homólogo, o Pestana Hotel Group espera que, com as reservas de última hora, “a ocupação venha a ser 7% superior ao ano passado”.

 

Já o CEO da Vila Galé aponta que a taxa de ocupação do hotel Vila Galé Ópera, em Alcântara, para a semana de 1 a 6 de agosto “ronda os 83%, o que compara com cerca de 95% no mesmo período do ano passado”. “Se considerarmos todos os seis hotéis do grupo na Costa de Lisboa (Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, Vila Galé Sintra, Vila Galé Estoril, Vila Galé Cascais, Vila Galé Ericeira e Vila Galé Ópera), a taxa de ocupação ronda os 82%, face a 93% no homólogo”, acrescenta Gonçalo Rebelo de Almeida, em declarações ao ECO.

 

Evento “cumpre as expectativas” e dá “visibilidade”

 

Em linhas gerais, o setor acredita, por isso, que o evento “cumpre as expectativas”, nomeadamente no que toca aos hotéis até 4 estrelas, e realça a “visibilidade” que a Jornada Mundial da Juventude pode dar não só à capital, mas também ao país “enquanto destinos turísticos”.

 

Quanto às reservas de última hora, a AHP admite que “pode acontecer” nomeadamente de turistas espanhóis ou portugueses, mas não antecipa um “movimento de grande dimensão” dado que é um evento que traz pessoas de todo o mundo, isto é, de “mercados europeus e também o mercado brasileiro e norte-americano”.

 

“Temos registado reservas nos últimos dias, uma vez que ainda há alguma disponibilidade. Mas muitas das reservas para a Jornada Mundial da Juventude foram feitas com bastante antecedência, em particular de grupos vindos do estrangeiro e através de operadores turísticos”, corrobora o CEO da Vila Galé.

 

Quantos aos preços das estadias, a AHP rejeita que as cadeiras hoteleiras estejam a praticar preços exorbitantes, sublinhando que estes estão “em linha ou ligeiramente acima” do praticado nesta altura do ano. Ao ECO, o Vila Galé diz que o “preço médio deverá ficar cerca de 12% acima de 2022, fruto de alterações no mix de clientes, canais de venda e mercados de origem, bem como da natural correção em função da inflação”, já o Pestana Hotel Group escusou-se a revelar valores concretos.

 

AL com taxa de ocupação em Lisboa a rondar os 80%. Rejeita “preços absurdos”

 

Já o setor do Alojamento Local em Lisboa revela que está com uma taxa de ocupação “perto dos 80%” para a semana de 1 a 6 de agosto, isto é, abaixo dos “cerca de 90%” habituais para esta altura, afirma o presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), ao ECO. Ainda assim, o setor espera nos próximos dias atingir essa meta.

 

“Aquilo que notamos mais é que está a acontecer uma substituição da clientela do turismo tradicional”, sinaliza Eduardo Miranda, defendendo que este evento “não vai ajudar a salvar o turismo” nem trará “um ganho excecional”, dado que grande parte dos jovens vão ficar em escolas ou casas de voluntários.

 

À semelhança do setor hoteleiro, o Alojamento Local não antecipa uma corrida às reservas de última hora, dado que até agora notam uma grande afluência de turistas do outro lado do Atlântico, nomeadamente da América Latina. Quanto aos preços das estadias também descarta que estejam a ser praticados “preços absurdos”, sublinhando que no caso das reservas já feitas o preço médio está cerca de “20% acima” face ao registo em igual período do ano passado, rondando os 140 a 160 euros no caso dos T0 ou T1.

 

Por outro lado, nos 20% imóveis ainda disponíveis, que em grande parte são casas maiores, o presidente da ALEP adianta que nesses casos os preços chegam a “ultrapassar os 240 euros”. “Estão livres porque o público-alvo não tem grande capacidade financeira e não está cá para fazer turismo”, conclui.

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