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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro, aponta falhas na forma como o Governo português articula o apoio às empresas portuguesas e que se querem internacionalizar ou apostar nas exportações. Não a combatendo, mas complementando-a. Não tenho uma visão de confronto, mas sim de parceria.

O vice-presidente da CIP , Armindo Monteiro , aponta falhas na forma como o Governo português articula o apoio às empresas portuguesas e que se querem internacionalizar ou apostar nas exportações. Como é que se pode contornar a concorrência espanhola nos mercados da América Latina? Não a combatendo, mas complementando-a. Não tenho uma visão de confronto, mas sim de parceria. E nós estamos com tantas décadas de atraso em relação a Espanha nestes mercados que não seria inteligente entrarmos num confronto. Acho mais inteligente preenchermos com as nossas vantagens competitivas espaços que não estão suficientemente ocupados. Até por uma questão: às vezes, a memória não é um ativo. Aquilo que nós, porventura, às vezes, podemos sentir em países onde fomos potência dominante também acontece com o caso espanhol e, nesse sentido, podemos ter uma relação mais equilibrada como “outsiders” desse processo de colonização, sendo igualmente europeus. Mas de parte desse países também existe vontade em diversificar os seus fornecedores e investidores? O que posso dizer, pela experiência própria, inclusive, é que temos sido muito bem acarinhados. Um profissional português é muito disputado nestes mercados. Uma multinacional que apareça num destes países normalmente oferece uma visão do mundo e isso tanto dá se somos portugueses, franceses ou outra coisa qualquer. Mas os portugueses têm uma capacidade de estar e de criar empatia. E isso é um fator extremamente importante. Não se escreve nos balanços das empresas, mas estes intangíveis resolvem muitos problemas no dia a dia e fazem, de facto, pender para Portugal e para as empresas portuguesas muitas coisas que, de outra maneira, se tivéssemos uma atitude mais fechada, não conseguiríamos contornar. Existem debilidades do ponto de vista diplomático. Têm tido conversas com o Governo para alterar a situação? Temos um excelente secretário de Estado da Internacionalização, que fez algo que me parece importante: juntar todos os protagonistas para perceber um bocadinho o estado da nação, o que é que as várias entidades estão a fazer no terreno para, naturalmente, somar. Agora, há um evidente desequilíbrio. Por exemplo, as competências da AICEP são de natureza económica, mas a tutela não é do Ministério da Economia mas sim dos Negócios Estrangeiros, e o financiamento é do Ministério da Presidência . Ou seja, para que esta ação seja efetiva, é um bocadinho difícil. Louvo o esforço que está a ser feito pela secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros , mas não é fácil. Era necessária uma outra arquitetura governativa? Acho que o que existe, pôr competências num lado, tutelas no outro, e financiamento num outro, é uma solução, pelo menos, difícil. Isso cria algumas dificuldades e, quando precisamos de respostas rápidas e ágeis, articular três ministérios – e não estou a meter o Ministério das Finanças , que superintende em tudo – não é fácil nem rápido. E neste momento precisamos de respostas rápidas porque o processo de internacionalização não é uma opção, é uma necessidade premente para conseguirmos ultrapassar as dificuldades. Em que áreas as empresas portuguesas terão mais facilidade em entrar na América Latina? Engenharia, produção em larga escala. Estamos a falar de um mercado enorme. Neste momento, a produção que é consumida nestes países está a ser feita na Ásia . Esta nova configuração do mundo também vai mudar isso. É preciso fazer novas fábricas ali. Este fórum pode efetivamente ser um momento de viragem e dar uma atenção para Portugal que Espanha já tem. E dou mais um exemplo: esta cimeira, durante anos, do lado espanhol, estava ligada ao Ministério da Economia , e do lado português ao Instituto de Camões . Tenho todo o respeito pelo Instituto Camões , mas estamos a falar de uma abordagem económica. Ou seja, o que eu quero dizer, caricaturando, é que a importância económica que damos a esse tema é pôr na dependência de uma instituição que deve promover a língua e a cultura portuguesas. Os espanhóis, pragmáticos, não puseram isto no Instituto Cervantes , mas numa perspetiva completamente económica. Ou seja, a nossa diplomacia, ou é económica ou não é. A nossa diplomacia tem de ser económica, ou não serve.

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