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CABEÇALHO

Atualmente, 82 clientes estão a ser abastecidos com uma mistura composta por 15% hidrogénio e 85% de gás natural. Floene pretende aumentar percentagem de gases renováveis para 20% até ao final do ano.

A Floene já recebeu mais de 100 pedidos de ligação para injetar hidrogénio “verde” e biometano na rede. Ao ECO/Capital Verde, Gabriel Sousa indica que a maioria dos pedidos são de injeção de hidrogénio, no entanto, antecipa que assim que quando for conhecido o Plano de Ação para o Biometano esse número “terá um forte aumento”.

 

“O projeto do Seixal continua a contar com 80 clientes [desde outubro de 2022], dois dos quais industriais. Em termos de pedidos de projetos de injeção na rede, hoje contamos com mais de 100 em todo o país. Essencialmente de hidrogénio e alguns de biometano mas contamos que logo que seja conhecido o plano de biometano, que este número tenha um forte aumento”, indica o responsável.

 

O hidrogénio verde injetado na rede pelas mãos da Floene é produzido localmente numa central de 57 megawatts (kW) localizada no Parque Industrial do Seixal. Depois de produzido e armazenado, o gás renovável é transportado por gasoduto até à Estação de Mistura e Injeção (EMI), onde é misturado com gás natural, sendo depois distribuído pelos tais 82 clientes. De momento, a mistura já é composta por 12% a 15% de hidrogénio, mas ambição é chegar até ao final do ano com 20%.

 

“O projeto do Seixal começou com 2% de mistura e perspetivamos que até ao final do ano chegaremos até ao 20%“, assegurou Gabriel Sousa.

 

O Parque Industrial do Seixal foi inaugurado no ano passado, um evento marcado pela estreia da injeção do hidrogénio “verde” na rede de gás nacional. O projeto tem captado a atenção de vários players a nível internacional. Ao Seixal já chegaram delegações de França, Itália, Brasil, dos Estados Unidos e do Japão, e mais recentemente da Alemanha, para visitar o projeto.

 

“Um dos objetivos do projeto era servir de piloto para treino da nossa tecnologia, mas ao mesmo tempo, ser um projeto de partilha de conhecimento com os diversos agentes e entidades interessadas”, justifica Gabriel Sousa, adiantando que não estarem previstos acordos de investimento com as delegações que visitaram o complexo industrial.

 

“[O Parque Industrial do Seixal] tem sido palco de visitas muito interessantes”, sublinhou esta quarta-feira, à margem da conferência organizada pela Floene, em Leiria, Comunidades de Futuro.

 

A segunda edição desta conferência teve como principal objetivo promover um debate sobre transição energética e descarbonização, sobretudo com recurso a gases renováveis, como o biometano e o hidrogénio verde. Embora seja no Seixal onde a Floene tem em curso o seu projeto de exploração de hidrogénio verde, Gabriel Sousa realçou a importância da partilha de experiências e de conhecimento científico, a nível local e nacional, sobre o tema da transição energética. E, deu como exemplo a região de Leiria, que se prepara para acolher dois projetos de produção de biometano avaliados em 50 milhões de euros.

 

“Leiria é um exemplo para o país no que diz respeito a ligações estreitas entre empresas, academia, sociedade civil e entidades públicas e privadas, focadas em contribuir para a descarbonização e circularidade da economia”, disse o CEO da Floene.

 

Segundo o presidente da Câmara de Leiria, os dois investimentos visam desenvolver projetos para instalação de unidades de produção de biometano a partir de efluentes do setor agroindustrial, “dando um contributo decisivo para a resolução do principal problema ambiental da região, a poluição da Bacia Hidrográfica do Rio Lis”, explicou o Gonçalo Lopes.

 

“Estão a ser dados passos muito significativos para a criação de um ecossistema ligado às energias renováveis, tendo como objetivo elevar o nível de eficiência energética e ambiental deste território, em que pretendemos implementar um modelo de desenvolvimento cada vez mais sustentável”, referiu o autarca.

 

Apoios à troca de caldeiras antigas já esgotaram

 

No passado mês de julho, a Floene, juntamente com a Portgás e Sonargás, apresentou uma iniciativa que visa comparticipar em 77% a troca de caldeiras antigas a 2015 por uma nova caldeira. A campanha estava destinada a todos os clientes ativos de gás natural, com uma tarifa contratada superior ou igual ao segundo escalão em baixa pressão e com caldeiras anteriores a 26 de setembro 2015, independentemente do seu comercializador de gás.

 

Aquando do anúncio, as candidaturas estavam abertas até 30 de maio de 2024, estando limitada a um total de 942 substituições de caldeiras em todo o país. No entanto, esse valor já foi ultrapassado. “Tenho uma forte indicação que, neste momento, o programa está esgotado e caldeiras foram entregues”, assegura Gabriel Sousa.

 

Os passos seguintes, indica o CEO da Floene ao Capital Verde, será de revisão do programa, estando previsto um alargamento do número de caldeiras para substituição.

 

“Num próximo programa temos que equacionar uma ambição maior porque a execução do programa de caldeiras superou e muito as expectativas”, frisa o responsável, sem adiantar datas para o lançamento de um novo aviso.

 

Em ECO

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