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Airbus diz que daqui a dez anos a indústria estará tão verde como a ferrovia. Protótipo da Airbus recebe passageiros em 2030; testes quase a arrancar.

Depois dos automóveis são os aviões que vão embarcar no mundo dos veículos híbridos. Será uma revolução para o setor e a garantia de uma indústria mais sustentável, admite Sandra Bour Schaeffer, líder da equipa de inovação da Airbus. A fabricante europeia de aviões até já tem o seu protótipo: entra em operações em 2030; antes, em 2021, iniciam-se os testes para começar a voar.

 

“Estamos a trabalhar nos aviões elétricos e nos aviões híbridos e, para o mercado de pequeno curso – como de Lisboa a Paris -, acredito que será uma realidade na próxima década”, adiantou ao Dinheiro Vivo, depois de ter já, no palco do Planet Tech, na Web Summit, referido que o setor poderá tornar-se tão ‘verde’ como o comboio.

 

“Não temos aviões solares, mas temos várias ferramentas para tornar um avião elétrico, seja através de baterias elétricas, de um motor elétrico ou de hidrogénio…”, destacou ainda a responsável. “Temos de olhar para o panorama completo, para as várias opções, não será uma solução que mudará o setor, mas várias”.

 

Sandra Bour Shaffer assume que neste momento já “há uma consciência tanto do lado do fabricante como do lado das companhias aéreas de que é preciso melhorar a sustentabilidade da aviação”, indústria responsável por 2% a 3% das emissões mundiais de CO2. “Acho que o ambiente sustentável é um ponto central na aviação e, falando, por exemplo das companhias low-cost, temos a easyJet como pioneira neste tema.

 

De facto, a easyJet anunciou no verão passado que quer ter uma frota de aviões elétricos já em 2030. “O avião elétrico de dois lugares já voa e o de nove lugares vai fazê-lo no próximo ano”, aponta Johan Lundgren, dizia o líder da transportadora aérea, num artigo que pode ler aqui.

 

Ao Dinheiro Vivo, Sandra Bour Shaffer destaca que uma aviação mais verde não deverá refletir-se nos preços praticados para o consumidor. “O modelo terá de ser visto, mas temos de encontrar um modelo que seja neutro para os passageiros”, afirmou a responsável.

 

“Enquanto indústria temos de mudar, e com as baterias elétricas poderemos vir a ser sustentáveis como os comboios”, tinha já referido numa talk no Planet Tech, onde o futuro dos transportes foi posto em destaque.

 

A regulação destes novos modelos aeronáuticos terá de ser completamente revista mas a maior fabricante de aviões admite que isto não será um problema, mas antes um outro desafio.

 

“Não acho que seja o maior problema mas temos de trabalhar nisto, com as companhias, com os países, com os Estados. É um tema em que todos temos de trabalhar em conjunto”.

 

O avião híbrido da Airbus está pronto para começar a voar mas não deverá receber passageiros antes de 2030.

 

“Em 2021, arrancamos com testes mas como estamos a forçar os limites é preciso tempo para ajudar a tecnologia e os procedimentos”, destacou a responsável.

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