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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Pedro Silva, diretor-geral da OPCO, revela ao JE as razões que levaram a empresa de Azeitão a internacionalizar-se em Marrocos, onde, recentemente, abriu uma delegação e se afirma pela diferenciação.

O bom nome e a expertise na formação para a indústria automóvel em Portugal permitiram à OPCO, empresa de serviços de consultoria, formação e auditoria para a indústria, nascida em 2006 em Azeitão, dar um passo em direção a Marrocos, que culminou com a abertura de uma delegação em resposta ao crescimento do negócio.

 

“A delegação em Marrocos arrancou há cerca de um ano, com a constituição da empresa, propriamente dita, e com todas as formalidades associadas”, revela Pedro Silva, diretor-geral da OPCO, ao Jornal Económico. O gestor conta-nos que foi um “um processo interessante, dado ser um país diferente, com uma cultura diferente”, mas também, claro, não isento de burocracias.

 

No processo de internacionalização, a OPCO teve apoio local, através de uma empresa sediada em Casablanca, considerada a capital económico do país, onde onde também instalou a sua sede social, e com um ativo muito importante: o seu conhecimento do mercado.

 

“Inicialmente – conta Pedro Silva – podemos até dizer que foi Marrocos que nos procurou. Os projetos de formação ou auditoria começaram com empresas com as quais já trabalhávamos em Portugal e que também tinham operações em Marrocos, com empresas portuguesas a operar em Marrocos e ainda através de contactos com decisores portugueses a atuar em Marrocos. Foi dessa forma que iniciámos as atividades e nos apercebemos do potencial enorme do país, no nosso caso principalmente focado no sector automóvel. A delegação veio como consequência lógica para estarmos permanente presentes no mercado para podermos atuar a nível local”.

 

A delegação de Casablanca arrancou com uma pessoa e o apoio da casa mãe em Portugal, mas o crescimento do negócio rasga novos horizontes e é preciso crescer nos recursos humanos: “Contamos até final deste ano, com a conclusão de um outro projeto, reforçar a equipa”.

 

Pedro Silva explica ao JE que, no dia-a-dia do negócio, ajuda bastante a base de contactos construída ao longo dos anos: “Apesar de a empresa local ser recente, a nossa atuação no país conta já com cerca de sete anos de história. Assim, as parcerias estabelecidas, os projetos desenvolvidos, as missões realizadas e toda a base de contactos é o nosso principal fator diferenciador e de presença”.

 

Cada mercado tem as suas particularidades, mesmo dentro da Europa há diferentes realidades.  E Marrocos? “O que acabamos por notar mais em Marrocos tem a ver com uma maior rotatividade das pessoas, rodando entre várias empresas sendo que, por vezes, encontramos as mesmas pessoas, em empresas diferentes no mesmo ano”, adianta Pedro Silva. Tal rotatividade, justifica, tem como impacto principal a necessidade de “uma grande flexibilidade em termos de agenda e em termos de alterações”. Temos, por outro lado, acrescenta, também muitas semelhanças e dá como exemplo o nível de conhecimento técnico e empresarial no público-alvo. “É muito semelhante ao encontrado na Europa, o que explica também todo o crescimento que a indústria do país tem tido nos últimos anos”.

 

5 PERGUNTAS a PEDRO SILVA, diretor-geral da OPCO

 

Que razões levam as empresas marroquinas a optar por uma empresa portuguesa em vez de uma congénere nacional?

 

Primeiro, tenho que dizer que temos em Marrocos, nas referidas parcerias, formadores e consultores tão bons ou melhores do que os que temos em Portugal ou na Europa. Depois, creio que não seja o tema “Portugal”, em si, a fazer a diferença, mas sim a experiência das nossas pessoas, fator que é também preponderante nos projetos em Portugal, Europa ou fora da Europa.

 

Quem é a vossa concorrência em Marrocos?

 

Sinceramente, não gosto de falar de concorrência. Temos empresas com as quais partilhamos o mercado e, desde que se utilize a ética e a transparência, há lugar para todos. Deste modo, tendo a associar a palavra “concorrência” mais com parceria. Nessa perspetiva, podemos encontrar outras empresas europeias e algumas marroquinas, que têm experiências e conhecimentos semelhantes, os quais explicarei na pergunta seguinte. Relativamente a essas empresas, tentamos ver sempre o “copo meio cheio”, por exemplo, tivemos recentemente uma formação, num tema nos quais somos especialistas, e na qual sabíamos, de forma aberta, termos também consultores e formadores entre os formandos. Foi uma das melhores sessões que já tivemos e, à partida, será também o início de novas parcerias.

 

Que fatores vos diferenciam dessa concorrência?

 

O que nos diferencia é a abordagem e a experiência que connosco levamos. As nossas pessoas já estiveram na indústria, já “fizeram”, conhecem na prática as dificuldades e as abordagens no sentido de dar vida ao nosso moto, “criar soluções”. E é essa a nossa mais-valia, sabemos e conhecemos a área em que nos movimentamos e se, por acaso, nos pedem algo diferente, não “inventamos”, vamos procurar os especialistas e trabalhamos junto com eles. Claro que esta abordagem é também o que nos permite ter relações com entidades de referência como a VDA-QMC, Associação da Indústria Automóvel Alemã, a Odette International, que atua na área das cadeias de fornecimento, e são estas entidades que igualmente nos validam e nos fazem diferenciar dos restantes atores do mercado.

 

Que mais-valias leva a OPCO às empresas marroquinas?

 

A experiência e o conhecimento. Muitas empresas são multinacionais, a operar no território. O que trazemos é a abordagem que usamos com as respetivas casas-mãe ou localizações a atuar na Europa. É a transversalização das abordagens, os detalhes que os seus clientes globais lhes exigem e a experiência acumulada que colocamos ao dispor dos nossos clientes.

 

Quando e porque entrou a OPCO para a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Marroquina?

 

Quase logo no início do nosso projeto de internacionalização. Grande parte dos nossos clientes são de origem alemã ou fornecem os grandes construtores automóvel alemães como a Volkswagen. Nesse sentido, e tal como já fazemos em Portugal, achamos que tinha toda a lógica ligar-nos também à Câmara em Marrocos e podemos dizer que foi, garantidamente, uma opção acertada. Foi através da Câmara que entramos em contacto com a empresa que nos apoiou na constituição da empresa e tem sido também através da Câmara que temos direcionado algumas das nossas comunicações. Também de referir, que temos igualmente relação muito próxima com a Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Portugal em Marrocos (CCISPM), que nos tem também apoiado em várias ações.

 

Em O Jornal Económico

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