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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Aos 88 anos, a marca portuguesa mais antiga de sapatilhas quer ganhar o estatuto de marca global de moda. Aliás, quer ser a mais conhecida além-fronteiras. Com a loja online já chega à Austrália e Singapura.

A Sanjo, a mais antiga marca de sapatilhas portuguesas, vai lançar, muito em breve, uma linha de vestuário. A Tribe Workwear Collection é o resultado de uma parceria com um fabricante de Lousado e o objetivo é "chegar ao coração" dos portugueses, explorando e reforçando "a ligação emocional" que a marca tem vindo a criar junto dos mais jovens. Sem esquecer os consumidores fiéis. O objetivo é que, só a nova área de negócio, venha a contribuir com meio milhão de euros de vendas em 2021. A ambição é clara: a Sanjo quer ser uma marca global, e não apenas de calçado, e mais, a marca portuguesa de moda mais conhecida no mundo. "Não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos fazer tudo para o conseguir", garante Egipto Magalhães.

 

Criada em 1933, pela extinta Companhia Industrial de Chapelaria, em São João da Madeira, a Sanjo foi relançada, para a sua "terceira vida", em outubro de 2019, depois de adquirida pela bracarense M2Bewear, de Egipto Magalhães e Helder Pinto. Pelo meio ficou uma experiência mal sucedida, de um investidor anterior, que produziu a marca na Ásia e não conseguiu igualar a qualidade do made in Portugal, criando descontentamento junto do seu público fiel.

 

O ano da pandemia, o primeiro completo da marca no mercado sob a alçada da M2Bewear, revelou-se positivo. A Sanjo fechou 2020 com quase 20 mil pares de sapatilhas vendidos, mais de 30% acima dos objetivos traçados, ainda antes da covid-19. A faturação foi de um milhão de euros. Mas Egipto Magalhães reconhece que nem tudo foi fácil. A anulação de encomendas em catadupa no início da pandemia foi um "susto de morte". A empresa focou-se no online, reforçou o orçamento promocional, muito centrado nas redes sociais e numa comunicação muito direcionada para os jovens, e os resultados apareceram, com as vendas a crescerem mês após mês. Pelo caminho ficou o projeto de lançamento de uma coleção de criança, em fase de negociação com um parceiro italiano que, com a pandemia, "desapareceu". Em contrapartida, há já um parceiro português interessado no projeto e tudo se encaminha para que as Sanjo de criança cheguem ao mercado com a coleção de primavera-verão de 2022.

 

Para este ano, a meta é duplicar as vendas para 40 a 50 mil pares - "no mínimo", diz Egipto Magalhães -, ultrapassar os dois milhões de euros de volume de negócios e chegar a mais de 100 pontos de venda, 30 mais do que os que tem atualmente, sobretudo em Portugal, mas também já alguns em Espanha.

 

A completar 88 anos de vida, a Sanjo quer deixar de ser vista como uma marca de sapatilhas, para ganhar uma dimensão global. Aliás, quer ser a marca portuguesa de moda mais conhecida no mundo. "É uma meta ambiciosa, eu sei, mas tudo o que estamos a criar é com esse objetivo. Não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos fazer tudo para o conseguir", diz Egipto Magalhães, que sublinha: "Somos dos melhores a produzir para as grandes marcas, por que carga de água não havemos de criar uma marca nossa de dimensão internacional?"

 

Para competir com os grandes players internacionais, a Sanjo "tem que se diferenciar e que apresentar algum valor acrescentado", que encontra na etiqueta Made in Portugal e na sustentabilidade. A coleção de verão das sapatilhas deste ano já foi toda produzida com algodão orgânico, uma tendência que a marca quer reforçar no futuro. A própria linha de vestuário, uma coleção de workwear, muito prática e minimalista, que pretende ser uma "homenagem ao passado da Sanjo", mas de olhos postos no futuro, designadamente na comunidade de jovens skaters, tem também essa preocupação da sustentabilidade associada.

 

"Aos poucos vamos abandonar as peles. Sempre que houver uma alternativa biológica e sustentável, vamos querer usá-la", promete o empresário. Mas isso tem custos: o algodão orgânico "custa mais do dobro" da lona habitual. Tal como fica mais caro produzir em Portugal, mas a marca não abdica de o fazer. "Claro que tem um custo, mas eu apelo à consciência dos consumidores. Não se trata apenas de olhar para a pegada ecológica da marca, mas também de preferir o que é nacional, olhando para o nosso país e economia", defende.

 

Os novos materiais são outra das apostas, de modo a ultrapassar a sazonalidade natural da lona, o material dos seus modelos mais icónicos. No inverno, lançou modelos especiais em burel, cordura e bombazine, materiais que deverão ganhar nova vida com os modelos da próxima estação. Para já, tem previsto o lançamento, em maio, de dois modelos inovadores, uma sapatilha runner e uma skater, ambas em versões branco, preto e tricolor. Em estudo estão novos produtos, designadamente a criação de uma linha de acessórios, com mochilas e cintos. Mas essas são novidades ainda sem prazo à vista.

 

Com vendas, a partir da sua loja online, para todo o mundo, incluindo mercados mais improváveis como a África do Sul, Austrália, Nova Zelândia ou México, mas também os EUA e vários países europeus, a Sanjo começa, agora, a dar os primeiros passos junto do retalho especializado internacional, designadamente com o apoio da AICEP. O objetivo, este ano, é chegar a Espanha, França e aos países nórdicos, como Dinamarca, Noruega e Suécia, mercados onde a cultura da sustentabilidade está muito enraizada.

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