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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Economia está no vermelho desde 2016. FMI acredita que este ano será já de crescimento, mas há quem fale em default.

O PIB angolano está em queda desde 2016 e, nestes quatro anos, já acumulou uma perda superior a 4%. Mas o Fundo Monetário Internacional (FMI), chamado por João Lourenço em 2018 e que tem em curso um programa no país, acredita que a retoma começa este ano. As últimas projeções, publicadas em dezembro, na segunda revisão do programa que permitiu desembolsar uma terceira tranche de 247 milhões de dólares (€222 milhões), apontam para um crescimento de 1,2% em 2020. Neste momento, Angola já recebeu 1,48 mil milhões de dólares (€1,3 mil milhões), de um envelope total de 3,7 mil milhões de dólares (€3,3 mil milhões de euros).

 

Apesar da esperada inversão no PIB, a economia angolana continua a enfrentar sérias dificuldades. A inflação, que tem vindo a descer, embora se mantenha nos dois dígitos, deverá voltar a disparar para cima de 20% este ano devido à desvalorização do kwanza e à atualização de vários preços regulados (como os combustíveis, que vão subir). Uma variável muito relevante para os angolanos, cujo nível de vida é afetado pela evolução dos preços.

 

No caso da cotação do kwanza, o FMI explica que a diferença entre a taxa de câmbio oficial e o mercado paralelo se estreitou, embora continue a existir, e que isso é um fator de perturbação no valor da moeda. E, espera o FMI, deverão ser tomadas medidas para normalizar as relações financeiras de Angola com o exterior: “Em paralelo com a liberalização cambial, as autoridades estão a considerar a eliminação gradual das restrições na balança de capitais. Para apoiar os atuais planos de privatizações (...), o Banco Nacional de Angola está a considerar aliviar as restrições ao investimento direto estrangeiro e a fluxos de investimento de carteira menos voláteis (por exemplo, ações de empresas nacionais).”

 

A questão cambial é crucial para a dívida pública angolana, que ronda 90% do PIB. O FMI considera-a sustentável, ainda que alerte para o risco de flutuações cambiais, quebras no preço do petróleo ou deterioração do acesso aos mercados. A consultora Economist Intelligence Unit diz mesmo que, perante a forte dependência das receitas do petróleo, Angola tem um “risco elevado” de entrar em incumprimento (default).

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