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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Vendas em outubro foram já superiores a igual mês do período pré-pandemia. E há mercados que mesmo no acumulado do ano já recuperaram.

As exportações de calçado cresceram 5,7% em outubro, para 151,9 milhões de euros, ultrapassando, pela primeira vez, os valores pré-pandemia. São mais 8,3 milhões de euros comparativamente a outubro de 2019, altura em que o setor exportou 143,6 milhões de euros. No acumulado do ano, o calçado continua abaixo da performance pré-pandemia.

 

"O ano de 2021 foi já, como se esperava, de recuperação do setor. Em vários mercados, foi já possível chegar a níveis anteriores aos da pandemia, com um destaque natural para o desempenho na Alemanha", diz o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS).

 

Efetivamente, as exportações para a Alemanha cresceram 29,6% em outubro, comparativamente a igual mês de 2019. Mais importante ainda, no acumulado dos primeiros dez meses do ano, as exportações para a Alemanha totalizaram 331,4 milhões de euros e estão quase 21% acima de igual período pré-pandemia. A Alemanha é, agora, o principal mercado de destino das exportações do calçado português, tendo ultrapassado a França, cujas compras, no acumulado do ano, estão nos 280,9 milhões de euros, 17% abaixo de 2019. Mais simpática é a performance do mercado holandês que está já só 3,1% abaixo do período pré-covid.

 

Paulo Gonçalves lembra que todos os indicadores sugerem que o setor do calçado, a nível internacional, só recupere plenamente em 2023, mas a expectativa é que a indústria portuguesa possa consegui-lo já em 2022. "Acreditamos que o próximo ano seja muito positivo para o setor nos mercados externos. A capacidade de resposta integrada - dos materiais ao calçado final -, a produção de pequenas séries e uma proposta criativa de valor, nomeadamente no domínio da sustentabilidade, são alguns dos principais argumentos que têm levado a um aumento da procura pelas empresas portuguesas", garante.

 

No entanto, este responsável reconhece que há que ser "muito cauteloso", já que o setor, como outros, continua "muito dependente de várias variáveis que não domina", como a evolução da pandemia e do processo de vacinação, ou o aumento dos custos das matérias-primas e as dificuldades de abastecimento, "questões recorrentes nestes últimos 18 meses loucos".
Paulo Gonçalves dá o exemplo dos curtumes, matéria-prima determinante para a indústria, e cujo preço aumentou, em média, 28% face aos valores pré-pandemia. Aponta ainda a questão do preço dos transportes: o custo do transporte marítimo cresceu 520% desde o início da pandemia e o frete aéreo aumentou quase 20%.

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