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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Acredito que hoje em dia a integridade de culturas diferentes traz muitos benefícios para uma estrutura organizacional.

Desde a minha infância fui educada de forma aberta para diferentes culturas, pelo que sempre viajei muito com os meus pais e, mais tarde, sozinha. Lembro-me que me apaixonei por esta diversidade cultural quando, aos 14 anos, passei um mês em Itália com uma família: foi aí que me apercebi da riqueza de culturas, línguas, pensamentos e perspetivas diferentes que de algum modo transforma uma pessoa. Essa paixão levou-me a estudar várias línguas. A portuguesa foi uma delas, o que me levou a fazer Erasmus em Lisboa há dez anos.

 

Esta foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida e fez-me abrir os meus horizontes ainda mais. Existe um provérbio italiano que me acompanhou sempre ao longo destes anos que é o seguinte: “Chi parla due lingue vive due vite” – Quem fala duas línguas tem duas vidas.

 

Quando tomei a decisão de viver em Portugal, sempre tive o foco de encontrar um lugar de trabalho onde existisse esta multiculturalidade e diversidade, porque acredito que hoje em dia a integridade de culturas diferentes traz muitos benefícios para uma estrutura organizacional.

 

Depois de algumas experiências profissionais, foi no mercado tecnológico – mais precisamente na Adentis, onde trabalho agora – que me senti em casa, acolhida e muito bem recebida, apesar de vir de uma cultura bastante distinta. Há uma grande abertura para a diversidade cultural e a prova disso é que já tive colegas de mais de dez diferentes nacionalidades, de quase todos os continentes do mundo. Esta inclusão transforma-se, indubitavelmente, numa mais valia e enriquece a cultura corporativa global.

 

Para uma pessoa que vem de uma cultura distinta o fator diferenciador deve ser sempre a empresa, pois é o seu ponto de referência e o seu “abrigo”. A integridade é inevitavelmente um dos fatores principais de uma corporação multicultural que pode estar presente em várias formas e que traz inúmeras vantagens para os seus colaboradores e para o funcionamento saudável de organização.

 

Além disso, a diversificação é um dos benefícios desta realidade visto que existem diferentes perspetivas que vêm das várias vivências culturais, o que pode ser uma mais valia na resolução de problemas. Vários estudos provam que quanto mais perspetivas existem na resolução de um problema, maior é a criatividade gerada pelos vários colaboradores da empresa: existe um aumento de ideias e de formas de inovação derivada da riqueza das experiências heterogéneas. Quando as organizações criam ambientes verdadeiramente inclusivos, onde as divergências têm espaço existindo assim envolvência, torna-se ainda mais atraente para pessoas culturalmente diferentes, resultando num crescimento da empresa e no fator de retenção de colaboradores.

 

O multiculturalismo cresce de uma forma exponencial nos tempos precedentes e principalmente nos últimos dois anos em várias áreas do mercado de trabalho, especialmente na área de Sistemas de Informação, onde o trabalho pode ser realizado em qualquer lado do mundo através das tecnologias inovadoras.

 

Por um lado, é muito vantajoso para os colaboradores estrangeiros, pois têm a oportunidade de ganhar diferentes experiências e conhecer realidades distintas. Mas por outro lado é um fenómeno que traz desafios inéditos para as estruturas organizacionais devido às distâncias geográficas. É algo que tem de ser superado pelas empresas, que precisam de trabalhar constantemente em soluções que reforcem a envolvência com os seus colaboradores.

 

Acredito que, desta forma, as organizações têm de descobrir novos métodos e estratégias de modo a manter a proximidade com os seus colaboradores, mesmo que exista uma distância física entre eles. O trabalho remoto veio para ficar pelo que temos de estar preparados e prontos para corresponder a esta nova realidade.

 

O multiculturalismo é inevitável hoje em dia e traz muitos benefícios que enriquecem a estrutura organizacional pelo que serei sempre a favor da integração de diferentes culturas na realidade profissional. Creio que se existir uma estrutura firme e estável, poderá levar a uma harmonia coesa com uma mente aberta e corporativa.

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