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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Este resultado é maioritariamente explicado pelo reforço expressivo das imparidades, que totalizaram quase 2,9 mil milhões de euros (mais 73,8% que o valor registado em 2019), refere a Associação Portuguesa de Bancos.

A Síntese de Indicadores do Setor Bancário, relativa a dezembro de 2020 e que tem por base os dados divulgados pelo Banco de Portugal, revela que em 2020, a rentabilidade do setor bancário foi bastante afetada pelos impactos da pandemia Covid-19, com o resultado líquido a cair 77%, em termos homólogos, para os 435 milhões de euros.

 

Este resultado é maioritariamente explicado pelo reforço expressivo das imparidades, que totalizaram quase 2,9 mil milhões de euros (mais 73,8% que o valor registado em 2019), refere a Associação Portuguesa de Bancos. O peso das imparidades no produto bancário quase duplicou de 17,1% em 2019 para 30,7% em 2020. O produto bancário caiu 3,1% para 9.368 milhões de euros, graças à queda de -4,2% da receita com juros para 6.181 milhões. Já as comissões recuaram -4,5% para 2.858 milhões.

 

O rácio de NPL (non-performing loans) dos bancos caiu de 6,2% em 2019 para 4,9% em 2020, sendo que no crédito à habitação passou de 2,4% para 1,9%; no crédito ao consumo subiu de 8,2% para 8,4% e no crédito a empresas baixou de 12,3% para 9,6%. O crédito registado como NPL (malparado) soma 14.358 milhões de euros nos bancos associados da APB (17.199 milhões em 2019), sendo que em termos líquidos de imparidades o malparado soma 6.401 milhões em 2020 (8.347 milhões de euros em 2019).

 

A cobertura por imparidades subiu de um ano para o outro de 51,5% para 55,4%. Os activos ponderados pelo risco, denominador do rácio de capital, passaram de 193.700 milhões de euros em 201 para 185.900 milhões em 2020. Apesar do momento adverso, os bancos reforçaram os seus níveis de solvabilidade (o rácio CET1 aumentou para 15,4% e o rácio de solvabilidade para 18,1%), o que lhes permitiu continuar dar uma resposta eficaz às necessidades de financiamento da economia, conclui a APB.

 

Em 2020, e apenas com referência à atividade doméstica, o crédito às empresas cresceu mais de 10% e o crédito a particulares subiu 1,6%, em termos homólogos. Já os depósitos, em termos consolidados, registaram um aumento de quase 5% face ao ano anterior, para os 279,8 mil milhões de euros. No ano passado “os bancos deram continuidade ao seu processo de reestruturação, uma tendência que se tem verificado nos últimos anos e que resulta da necessidade de melhoria da eficiência operacional e da adaptação dos modelos de negócio às novas necessidades dos clientes”, refere a associação liderada por Fernando Faria de Oliveira. O rácio de eficiência caiu de 59,2% para 58,0% (melhorando a eficiência).

 

O número de colaboradores caiu 1.198 para 40.475, o que traduz uma queda de 2,9%. Já o número de balcões reduziu-se em 202 para 3.826, ou seja, uma queda de 5%. A rentabilidade é que teve uma evolução muito negativa. O ROE (return-on-equity) caiu de 4,9% para 0,5% e a rentabilidade do activo (ROA) caiu de 0,4% para 0%.

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