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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Sortelha foi distinguida como a “Melhor Aldeia Turística” pela Organização Mundial do Turismo. É a terceira vez consecutiva que uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal recebe este prémio. Fomos visitar algumas delas.

Sabia que era uma aldeias mais bem conservadas do nosso país. Mas confesso que não me lembrava o quão mágico este sítio é. Visitei a Sortelha nos anos 90 ainda durante a minha infância. Por isso, só agora tive a oportunidade de perceber porque é considerada uma das localidades mais bonitas de Portugal. Erguida num lugar repleto de rochedos escarpados, que parecem envolvê-la como um anel (“sortija”, em castelhano), a aldeia encontra-se cercada pelas muralhas de um castelo do século XIII, que nos transporta de imediato à época medieval. Ao longo dos anos tem sido um destino obrigatório para milhares de pessoas que visitam o interior do país, afirmando-se como uma referência em termos de turismo sustentável, ao conseguir aliar a promoção turística à preservação do legado cultural e histórico.

Este meu regresso à Sortelha deu-se no âmbito de uma reportagem que realizei recentemente para a rubrica “Destino Sustentável” do Imagens de Marca, poucas semanas antes de ser distinguida pela Organização Mundial do Turismo como “Melhor Aldeia Turística”. A terceira edição da iniciativa “Best Tourism Villages by UNWTO” voltou a destacar aldeias, por todo o mundo, para demonstrar que o turismo pode ser uma força positiva para o desenvolvimento rural e o bem-estar das comunidades. É o terceiro ano consecutivo que esta iniciativa distingue uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal: em 2021, o prémio foi atribuído à Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo e, em 2022, à Aldeia Histórica de Castelo Novo.


E as distinções não terminam por aqui. As Aldeias Históricas de Portugal são o único destino em rede no mundo reconhecido como Biosphere Destination, uma certificação alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. É o reconhecimento do trabalho realizado nos últimos anos em prol de um turismo mais consciente, e que se baseia, não só na valorização do património histórico e cultural destas comunidades, mas também na colaboração entre as empresas, residentes e os diversos agentes ligados ao setor. Foi precisamente a partir de uma parceria entre a Rede de Aldeias Históricas de Portugal e a marca Renault, com o apoio do Município do Fundão, que nasceu um projeto-piloto pioneiro de mobilidade urbana inclusiva e sustentável. Foram disponibilizados 5 veículos elétricos a residentes e visitantes da aldeia de Castelo Novo, que passam a ter, desta forma, uma alternativa de transporte mais acessível e limpa.


“Este não é apenas um problema da rede Aldeias Históricas. Estamos a falar de todo o interior, em que há uma escassez inequívoca de medidas de mobilidade. E foi a pensar exatamente no bem-estar e na qualidade de vida destas comunidades que a associação pensou num projeto que pudesse dar esta possibilidade de as pessoas terem alternativa para se deslocarem. Quer sejam os residentes, quer seja o tecido empresarial instalado aqui na aldeia, quer sejam também os turistas, que muitas das vezes não têm alternativas para chegar à rede das aldeias além da viatura própria”, refere Dalila Dias, coordenadora executiva da Rede de Aldeias Históricas de Portugal.

Para aderir ao serviço basta reservar as viaturas no posto de turismo ou, ainda de forma mais simples e rápida, na plataforma online da iniciativa. Nesta página, além de podermos reservar o nosso modelo elétrico preferido, é possível planearmos a viagem pelas Aldeias Históricas de Portugal, escolhendo o alojamento, os restaurantes e ainda várias atividades, como passeios pela natureza ou visitas guiadas. De referir que, em articulação com o Município do Fundão, estão ainda disponíveis serviços de transfer (também gratuito) a partir das estações ferroviárias de Castelo Novo, Alpedrinha ou Fundão. O objetivo é alargar a iniciativa a outras aldeias históricas, acelerando o crescimento verde dos territórios do interior.


“Nós definimos como meta até 2030 a diminuição de cerca de 45% de CO2 e, naturalmente, a utilização desta frota de viaturas elétricas vai contribuir para deslocações mais justas, mais amigas do ambiente e mais amigas da sociedade, que, em boa verdade, é esse o trabalho da associação, que é tirar partido daquilo que são as sinergias para potenciar estes lugares e fazê-los perpetuar por muito mais tempo, dentro de uma qualidade de vida que todos esperam e que é possível no espaço rural”, afirma Dalila Dias.


Um esforço materializado na multiplicidade de projetos que estão em curso em diversas áreas. Um dos mais recentes resulta do protocolo assinado com a ADENE, com a E-REDES e com a GREENVOLT, que visa a criação de comunidades energéticas.  “Estamos neste momento a falar de dois casos piloto, que já estão em curso, um em Sortelha e outro na Aldeia Histórica de Linhares da Beira, e que têm como objetivo experimentar e verificar até que ponto conseguimos introduzir o conceito do autoconsumo coletivo - as chamadas comunidades energéticas - para que as aldeias possam ter acesso a energia mais limpa, mais barata, mais justa. Nestes casos em concreto vamos avançar com a instalação de painéis fotovoltaicos, mas, por exemplo, noutras aldeias o tipo de energia sustentável, renovável, poderá ser outro. Terá de ser um estudo caso a caso”, esclarece a responsável.


Não há dúvida de que é através de projetos como estes que Portugal se pode posicionar como uma referência no domínio da sustentabilidade. Um país que olha para o futuro sem esquecer de preservar aquilo que o torna tão único: a sua história, a sua cultura e as suas gentes.

 

Em Imagens de Marca

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