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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A empresa de componentes elétricos para automóveis vai investir “dezenas de milhões” em Ovar, onde já emprega 2.200 pessoas, para expandir a produção e chegar a uma faturação de 500 milhões de euros.

A Yazaki Saltano vai avançar com um plano de investimento de “dezenas de milhões de euros” em Ovar, que prevê a duplicação da área de produção de 22 mil para 45 mil metros quadrados “num prazo de cinco a dez anos”, progredindo dos atuais 230 milhões para um volume de negócios de 500 milhões de euros em Portugal.

 

O diretor da Yazaki em Portugal, Francisco Dias, adiantou ao ECO que vão ser construídos novos edifícios de suporte à produção, como um armazém externo para libertar área industrial, ampliado o centro de engenharia e reforçado o fabrico de componentes para carros elétricos, incluindo uma área de regrind e reciclagem de material para a injeção de peças plásticas de maior capacidade.

 

É nesta unidade do distrito de Aveiro que a Yazaki concentra desde 2008 a atividade em Portugal, após o fecho da fábrica de Gaia, que tinha sido a primeira a produzir cablagens na Europa. O grupo japonês chegou a empregar perto de oito mil pessoas no país e está hoje reduzido a cerca de 2.200, das quais 1.700 na área produtiva e quase 500 no hub de engenharia que fornece design, produtos e serviços aos principais fabricantes de automóveis japoneses, europeus e norte-americanos.

 

“Apesar de pretendermos subir a produção em Portugal, não estimo aumentar muito o número de operadores por causa da automação que estamos a sofrer neste momento. Mas também não prevejo nenhuma redução para os próximos anos”, aponta Francisco Dias. Por outro lado, avança de imediato a contratação de 130 profissionais para o designado Porto Technical Centre (PTC), que serão alocados ao desenvolvimento de produto e ao desenho de componentes e novas peças que vão depois alimentar a área fabril.

 

O diretor do PTC, Marco Ferreira, desafiou a direção europeia a apostar na diversificação das soluções desenvolvidas a partir de Ovar, até porque “hoje é mais fácil realocar serviços de engenharia em qualquer parte do mundo, com um custo por hora mais competitivo que o português”. “Também sabemos que ter uma boa performance não é suficiente, por isso temos de potenciar a nossa diferença que é o compromisso, o sentido de responsabilidade, a flexibilidade e a resiliência características do povo português”, acrescentou.

 

Os vários projetos já começaram a dar entrada na Câmara, num investimento que será faseado, mas que vai entrar já no orçamento para 2022. Francisco Dias conta que a estrutura portuguesa “tem sido privilegiada nos investimentos europeus e quer captar o mais possível”. Acenando com a experiência, o conhecimento e a mais-valia dos produtos feitos em Ovar, convenceu a multinacional de que “é melhor uma reconversão de Portugal do que a abertura de novas instalações noutros países”.

 

“As empresas japonesas são muito fiéis e ligadas à sua cultura. Na Europa, a Yazaki começou em Portugal há 35 anos e isso é algo que marca para os japoneses. O facto de ainda cá estarmos faz com que Portugal esteja sempre na pole position. Agora, temos de dar o retorno do investimento e continuar também a cumprir com o grupo”, completa o responsável pela fábrica nacional, que fornece “todo o sistema nervoso de um veículo”, como os cabos que fazem a ligação elétrica entre as baterias, o volante e os travões.

 

Falta de chips corta turnos

 

A escalada dos preços e a escassez de matérias de base como plásticos e metais, assim como de chips, ameaça esvaziar as prateleiras no Natal e está afetar também a fábrica da Yazaki Saltano, que regista desde o primeiro trimestre deste ano um aumento nos tempos de entrega e viu também duplicar os custos logísticos devido à falta de contentores marítimos.

 

O diretor geral conta ao ECO que isto tem forçado a empresa a adaptar os planos de produção e a fazer “uma gestão diária de prioridades” para tentar garantir as entregas aos clientes nas datas previstas. Além da subida dos custos produtivos, contabiliza que “este impacto tem vindo a causar uma perda de eficiência de cerca de 10%” e tem recorrido a transportes expresso ou fretes aéreos para antecipar a chegada de materiais que se encontram bloqueados nos portos.

 

Tendo muitos dos produtos que fornece uma composição à base de semicondutores, a falta destes componentes, em particular, já fez com que “vários turnos [tivessem] de ser interrompidos durante o horário normal de produção e muitas vezes substituídos por trabalho ao fim de semana”, de forma a recuperar atrasos na produção em Ovar.

 

Na visita que fez esta semana à Yazaki Saltano para assinalar o 20.º aniversário do PTC, o ministro da Economia destacou que aquela que é a maior fabricante mundial de cablagens elétricas para o setor automóvel “especializou-se em Portugal em engenharia de produto e de processo e trabalha para vários clientes internacionais”.

 

Antes da visita à fábrica, Pedro Siza Vieira reforçou que “Portugal precisa de investimento estrangeiro, em particular no setor industrial e das tecnologias de informação e comunicação”, que possa servir os mercados globais a partir do território nacional, mas também do investimento de empresas portuguesas que, insistiu, “têm de se capacitar para aproveitar as oportunidades que esta reindustrialização da Europa está a oferecer”.

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