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O primeiro curso superior a nível mundial para produção bioindustrial de insetos arranca em 2024, para dar suporte a um ecossistema que prevê três novas fábricas de produção de insetos, uma fábrica de produção de quitosano e um centro logístico a instalar na região até 2025.

Santarém está a mobilizar-se para reunir um ecossistema centralizador da indústria de produção de insetos a nível nacional. No próximo ano letivo, arrancará o primeiro curso superior a nível mundial para produção bioindustrial de insetos, recentemente aprovado pelo Instituto Politécnico de Santarém e que será liderado pela Egas Moniz School of Health & Science.

O curso vem responder à necessidade crescente de ter recursos humanos formados para um setor em desenvolvimento no âmbito da Agenda Mobilizadora InsectERA, que pretende desenvolver três novas fábricas de produção de insetos, uma fábrica de produção de quitosano e um centro logístico até 2025 nesta região.

A Agenda envolve 42 parceiros e visa gerar mais de 100 novos produtos, processos e serviços, instalando várias unidades bioindustriais de produção de produtos derivados de insetos e gerando cerca de 140 novos postos de trabalho diretos.

 

"Com vista a esta realidade já em 2025, será necessário formar os recursos humanos certos e com as competências que lhes permita entrar de forma efetiva neste novo setor", explica Daniel Murta, professor na Egas Moniz School of Health & Science, ao Negócios. "Esta aposta na formação vai permitir não só formar as necessidades efetivas de recursos humanos, como gerar o conhecimento adequado para que os setores a montante e a jusante se possam informar e adaptar a uma nova realidade, mais circular e sustentável", acrescenta.

Foi entretanto criada uma rede de formação, a Insect Training Network, que envolve várias empresas e instituições de ensino superior. "O novo curso envolve docentes de várias outras instituições de ensino superior e de investigação, como é o caso da faculdade Egas Moniz, mas também elementos das equipas das empresas do setor dos produtos derivados de insetos, transmitindo um maior contributo e formação da academia à indústria e gerando uma formação verdadeiramente direcionada a necessidades e desafios concretos", explica o docente, acrescentando que "os seus alunos terão não somente estágio garantido em empresas do setor como a sua empregabilidade será praticamente garantida".

Com o aumento da população mundial, as alterações climáticas e o desperdício alimentar, o setor de produção bioindustrial de insetos tem vindo a desenvolver-se no nosso país, com o objetivo de encontrar soluções alimentares e nutricionais alternativas. Neste sentido, Portugal está a assumir um papel de destaque neste ecossistema. Daniel Murta salienta que "Santarém surge como um local óbvio para albergar esta formação por se estar a tornar o cerne de um novo setor, estando-se a gerar um ecossistema ideal para o desenvolvimento empresarial e tecnológico, com formação, novas empresas e investigação. Atualmente, esta região é já a casa de várias empresas ligadas a esta indústria e é o local onde se espera que as primeiras grandes unidades se venham a instalar em Portugal".

 

Relativamente ao desenvolvimento até 2025 de três novas fábricas de produção de insetos, uma fábrica de produção de quitosano e um centro logístico, Daniel Murta dá conta de que "estão em fase de arquitetura, estando previsto que, caso se ultrapassem desafios de licenciamento, se venham a instalar naquela que poderá ser a primeira zona económica circular do mundo, numa região de desenvolvimento económico prevista para Pernes, concelho de Santarém, na qual todas as matérias-primas são subprodutos de outras indústrias".

Estes projetos, a estarem concluídos em finais de 2025, devem entrar em fase de construção já no primeiro trimestre de 2024 e "são a chave do crescimento industrial do setor nos próximos anos, gerando postos de trabalho e valor", sublinha o docente. Nomeadamente, o novo setor bioindustrial dos produtos derivados de insetos "permitirá a Portugal fazer mais com o mesmo, e é uma oportunidade única para liderar um ecossistema inovador e que veio para ficar".

Isto porque a produção de produtos derivados de insetos assenta em princípios de economia circular e utiliza, na geração de proteínas, óleos e fertilizantes, subprodutos de outras agroindústrias. "Os insetos aprecem assim não como um fim, mas como um meio, uma ferramenta. São os insetos que, pelas suas capacidades naturais, vão converter nutrientes presentes em subprodutos que outros descartam em matérias-primas de valor acrescentado. Basicamente, é fazer mais com os mesmos recursos. Assim, este novo ecossistema bioindustrial aparece como aliado de setores a montante, que necessitam de ter solução para subprodutos que não utilizam", explica ao Negócios.

Um exemplo disso é o bagaço de azeitona, gerado no processo de extração do azeite, em que é necessária uma solução adequada para este subproduto com um elevado impacto ambiental se não for adequadamente valorizado. "Os insetos podem converter rapidamente este desafio em solução, gerando proteínas, óleos e fertilizantes, devolvendo à cadeia de valor, de forma industrial e segura, nutrientes e valor que de outra forma seriam desperdiçados, ou pior, poderiam ser uma ameaça", explica.

 

Em Jornal de Negócios

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