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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Diretor executivo do Health Cluster Portugal está otimista de que as exportações em saúde vão manter tendência de crescimento no segundo semestre, com Alemanha, França, Reino Unido e EUA como os principais mercados."Smarth health" é uma áreas com maior potencial para o VAB, diz.

As exportações em saúde cresceram 13% no primeiro semestre e mesmo que o setor da saúde não se revele já neste ano o principal motor da recuperação económica, Joaquim Cunha, diretor executivo do Health Cluster Portugal - Polo de Competitividade da Saúde (HCP), acredita que o seu peso continuará a aumentar e a tendência de crescimento das exportações do setor se irá manter no segundo semestre.


"Não tenho dúvidas é que a saúde é e será cada vez mais um dos principais motores do desenvolvimento económico", afirma em entrevista ao Jornal Económico. O responsável da associação privada sem fins lucrativos que reúne atualmente mais de 180 associados, incluindo instituições de I&D, universidades, hospitais, organizações da sociedade civil, e empresas das áreas da farmacêutica, biotecnologia, tecnologias médicas e serviços, acredita que seguindo a tendência de crescimento de exportações do primeiro semestre, na segunda metade do ano "se manterá a tendência de crescimento observada nos últimos anos". De acordo com dados do Health Cluster, com base em informação da as exportações em saúde atingiram 1.749 milhões de euros no ano passado.


No primeiro semestre deste ano, a Alemanha foi o principal mercado de destino onde as exportações em saúde cresceram face ao período homólogo de 2020, com uma subida de 9%, passando de 107 milhões de euros para 117 milhões de euros. Um mercado que para Joaquim Cunha continuará a ser de referência e um dos quais onde Portugal poderá registar um maior crescimento, a par de França, Reino Unido ou os Estados Unidos da América.


Questionado se tem a expetativa de que na totalidade de 2021 o setor da saúde irá superar o volume de negócios anual estimado de cerca de 30 mil milhões de euros no ano passado, o diretor executivo do Health Cluster, garante que "a tendência será para crescer" e identifica "as áreas de conhecimento intensivo onde merece destaque o que se vem chamando por smart health" como aquelas que dentro do setor poderão contribuir para um maior Valor Acrescentado Bruto (VAB).

PRR: "oportunidade perdida" para a modernização

Juntando-se às críticas de diversas organizações empresariais, o diretor executivo do Health Cluster Portugal mostra-se relutante sobre o desenho do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). "Julgo que é grande o consenso quanto à perceção de que o PRR será uma oportunidade perdida para promover o salto de modernização do nosso tecido empresarial", afirma, justificando que "a escolha foi marcadamente por aumentar o peso do público". Ainda assim, diz que "apesar disso julgo que as "indústrias" da saúde não deixarão, como sempre o têm feito, de responder à chamada".


Para Joaquim Cunha, "a assunção definitiva por todos - público, privado e social/ empresas, hospitais e ciência/governo, agências governamentais e sociedade civil-, de forma concertada e estrategicamente orientada, da saúde como motor do desenvolvimento económico e social" é determinante para que Portugal dê neste setor o salto da competitividade, pelo que "o PRR pode ter aqui um papel importante".


Num balanço das políticas públicas em Portugal nos últimos anos, diz que a estratégia de longo prazo nas políticas para a indústria da saúde "existe", mas "faltará determinação para a sua implementação em tempo útil e modo eficaz".
"O Health Cluster Portugal tem neste domínio procurado dar o seu modesto contributo, agregando vontades e fazendo caminho", diz.


A associação apresentou em abril uma estratégia que apontava para que a investigação científica atingisse a meta dos mil milhões em 2030, um plano que assegura ser possível com "a concretização das ações e iniciativas preconizadas conjuntamente com a fixação deste objetivo, o que passa por um mix harmonioso de iniciativas públicas, ações coletivas, projetos em consócio e projetos empresariais".


O Plano prevê que se forem concretizadas as ações e iniciativas planeadas "será legítimo ambicionar para o final da desta década, tendo como referencial o ano de 2030, atingir mil milhões de euros de investimento anual em I&D, dos quais 2/3 com origem no setor empresarial e 1/3 no setor não empresarial", um crescimento face ao valor atual de 373 mil milhões. Pretende ainda estimular a geração de um VAB em torno dos 2,6 mil milhões anuais, que compara com o valor atual de 0,7 mil milhões e atingir um nível de emprego industrial de 35 mil trabalhadores, maioritariamente emprego qualificado e muito qualificado, face aos atuais 14 mil. Um cenário que contempla ainda atingir um volume anual de exportações de cinco mil milhões de euros.


Turismo médico


Em dezembro de 2019, o Health Cluster, o Turismo de Portugal, a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e a APHP - Associação Portuguesa de Hospitalização Privada assinaram um protocolo para impulsionar a oferta nacional na área do turismo médico. No entanto, a pandemia veio afetar a estratégia, que Joaquim Cunha espera ver recuperada.


"O balanço é manifestamente positivo e esperamos que assim que os condicionalismos e constrangimentos do quadro pandémico se dissipem esta atividade possa retomar, desejavelmente com um novo e fôlego", diz, mantendo a estimativa de que o turismo médico tem potencial para gerar negócios superiores a 100 milhões anuais em Portugal.

O que é o Health Cluster Portugal


É uma associação privada sem fins ucrativos que assume como missão "tornar Portugal num player competitivo na investigação, concepção, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos e serviços associados à saúde em nichos de mercado e de tecnologia". Assume-se como uma plataforma "facilitadora", que pretende criar um polo de competitividade e tecnologia nacional que tem como alvo o mercado global; promover o desenvolvimento económico e social; aumentar o volume de negócios, as exportações e o emprego qualificado nas atividades económicas associadas à saúde e contribuir para a melhoria da prestação de cuidados de saúde.

Metas até 2030


O Health Cluster Portugal divulgou um plano em abril, desenvolvido pela EY Partenon, no qual apresentou o contributo para o Plano de Recuperação e Resiliência. A organização explica que este foi um trabalho elaborado tendo em conta a importância estratégia da saúde, as tendências e oportunidades no setor e o posicionamento estratégico das indústrias de saúde no país. Focou-se em seis grandes prioridades: medicamentos inovadores, smarth health, medicamentos essenciais, dispositivos médicos, ensaios clínicos e valorização do conhecimento.

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