NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Um ano depois do Brexit, os procedimentos aduaneiros parecem ser o principal problema nas trocas têxteis com o Reino Unido. Aumentaram as burocracias e com elas os custos e a complexidade. As encomendas que demoravam dois ou três dias arrastam-se agora por dez, explica a ATP.

Quanto aos números, das exportações estão ligeiramente abaixo dos registados em 2019 em consequência da separação da EU, mas num contexto em que a persistência da pandemia não permite ainda tirar conclusões definitivas, segundo explicou ao Dinheiro Vivo a diretora-executiva da ATP.

 

Os constrangimentos em termos de procedimentos aduaneiros são o obstáculo mais imediato, avança Ana Paula Dinis, argumentando que com isso aumentam os custos, morosidade e complexidade. “Uma situação que põe em causa a competitividade das empresas portuguesas do setor têxtil e vestuário, para as quais o tempo e a capacidade de resposta rápida são fatores determinantes do sucesso”, sublinha.

 

Os envios de encomendas que demoravam dois a três dias úteis demoram agora dez, ou, no caso do correio expresso, as amostras que eram entregues num dia demoram agora três a quatro, mesmo com o pagamento de taxa de urgência. Ana Paula Dinis admite que estas situações possam ter gerado alguns atritos nas relações comerciais, que poderão explicar uma ligeira quebra nos negócios da moda.

 

As exportações para Reino Unido registaram 292 milhões de euros até final de setembro, um recuo de apenas 0,2% face a igual período de 2019, mas num contexto em que se regista um crescimento entre todos os outros principais destinos das exportações têxteis portuguesas.

 

Um recuo que Ana Paula Dinis atribui ao efeito Brexit, mas que deixa no ar a principal dúvida: “Sabemos quanto perdemos, mas nunca saberemos quanto poderíamos ter ganho não fosse este novo enquadramento do relacionamento comercial entre a União Europeia e o Reino Unido”.

Partilhar