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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os oceanos podem ter a resposta para ajudar a resolver a atual crise energética e o setor privado terá um papel importante nesse objetivo, segundo especialistas.

A economia azul tem sido apontada como uma bóia de salvação para a preservação e desenvolvimento dos oceanos. E ao mesmo tempo como estratégica para a transição energética, nomeadamente através da produção de energia eólica e solar offshore. Estes investimentos têm sido feitos maioritariamente por privados, e nos próximos anos vão ter de acelerar para se conseguir cumprir as metas de neutralidade zero estipuladas pela Europa, e não só. Uma aposta que não pode, contudo, ser feita a qualquer preço. E é preciso ter cuidado com o greenwashing. Os alertas foram feitos por um conjunto de especialistas numa conferência promovida pela EDP e pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), no Convento do Beato, em Lisboa, com o objetivo de debater a abordagem do setor privado ao oceano.


Na abertura da sessão, realizada ontem por ocasião da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas
que decorreu ao longo da semana em Lisboa, o presidente executivo da EDP relembrou que a Europa tem sido líder na transição energética, um caminho que considera ser urgente continuar a trilhar para, através do aumento da produção de energia de fontes verdes, se alcançar a neutralidade zero, mas não só. O caminho tem de ser feito também a pensar na segurança energética.


"Estamos aqui sentados em Lisboa, com um sol maravilhoso. E às vezes esquecemo-nos que está a decorrer uma guerra", sublinhou Miguel Stilwell d'Andrade, explicando que tinha decidido trazer este tópico para relembrar que "não podemos tomar a energia como garantida". A guerra na Ucrânia levou a uma escalada dos bens energéticos devido à forte dependência do petróleo e gás russos, principalmente por alguns países europeus. Um cenário que na visão do gestor veio demonstrar a importância de os países europeus investirem em energias renováveis "não só por ser mais barato, mas também por uma questão de segurança" e reduzirem a sua dependência face a outras economias, como a Rússia. "Temos de investir três vezes mais do que investimos no passado para ter energia limpa barata", alertou.


O mar pode assumir um papel de destaque nesse objetivo uma vez que, em terra, já há uma grande área ocupada com painéis solares e torres eólicas. Além disso, como relembrou o líder da EDP, o oceano cobre 71% da superfície do planeta. "Temos que começar a aproveitar o potencial do oceano. O mundo está em transformação e não há dúvida
que temos de ser mais céleres. Temos que quintuplicar o investimento em energia eólica offshore [no mar]", avisou. Mas de uma forma que seja "compatível com o ambiente", acrescentou.


A EDP anunciou recentemente que vai investir 1,5 mil milhões de euros em energia eólica offshore através da Ocean Winds, que pode representar até 17 gigawatts (GW) de capacidade renovável no mar. Trata-se de um investimento até 2025 e que não deverá incluir Portugal, pelo que a verba se destina a projetos na Escócia, Bélgica, Estados Unidos, Coreia do Sul ou França. O primeiro leilão de energia offshore em Portugal será lançado no próximo ano e insere-se na meta anunciada esta semana pelo governo de atingir 10 gigawatts (GW) de energia renovável oceânica até 2030.

O outro lado do verde


Sylvia Earle, bióloga marinha da National Geographic, concorda que é preciso "transformar a economia verde na economia azul", como tinha referido Stilwell d'Andrade. No entanto, a oceanógrafa norte-americana alertou para o preço a pagar pela mineração em alto mar para produzir baterias capazes de armazenar energia, tal como aconteceu com a exploração de combustíveis fósseis. "A mineração em alto mar tomou-se uma atívidade popular, (...) estão a tirar pedaços do fundo marinho para produzir baterias, para armazenar energia. Nós precisamos disto, mas qual é o custo? Estamos apenas a começar a compreender a magnitude do que estamos a fazer", avisou a investigadora, nomeada pela revista Time, em 1998, Heroína do Planeta.


Relembrando que a "nossa casa é azul", Sylvia Earle realçou que a humanidade deve estar "grata" aos combustíveis fósseis, porque permitiram o seu desenvolvimento. Porém, apontou que houve falhas ao "calcular os custos" da sua exploração, aconselhando a que não se cometam os mesmos erros com a mineração em alto mar, que envolve a extração de minerais e depósitos encontrados em profundidades de 200 metros ou mais, utilizados na produção de baterias, entre outras aplicações.
Ricardo Mourinho Félix partilhou a mesma posição, reforçando os alertas para o impacto no ambiente da produção de baterias para armazenar energia. O vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI) revelou que, nos últimos anos, o critério da sustentabilidade tem tido um maior peso nos projetos que decidem apoiar, mas alerta para o risco de se estar a comprar verde por cinzento: "Temos de saber quem estamos a financiar para evitar o gteenwa- shing".

1,5 - investimento
A EDP vai investir 1,5 mil milhões em energia eólica offshore, que pode representar até 17 GW de capacidade renovável no mar.

30 - capacidade de energia
Capacidade de energia Esta semana, o governo anunciou a meta de atingir 10 GW de energia renovável oceânica até 2030.

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