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CABEÇALHO

Os restaurantes portugueses no Dubai têm expectativas positivas quanto ao impacto da Expo 2020 Dubai, que arranca em 01 de outubro, no seu negócio, trazendo mais turistas e ajudando a divulgar a gastronomia portuguesa.

"Acho que vai dar mais expansão ao projeto, claramente", diz, em entrevista à Lusa Ruben dos Santos, supervisor do restaurante português Lana Lusa, sobre o impacto da Expo 2020 Dubai.

 

"Vai provocar mais curiosidade a quem ainda não conhece o que é a cultura portuguesa, a cozinha portuguesa, acho que vai ter mais curiosidade em vir experimentar", acrescenta.

 

Por sua vez, Duarte Matos, sócio-gerente e fundador do restaurante Alma 560 Café, também presente naquele emirado, considera que "sem dúvida alguma" o impacto será positivo.

 

"Há um esforço enorme do governo" dos Emirados Árabes Unidos "para que consigam atrair e que façam com que esta feira seja - igualmente a todas outras - um grande sucesso", salienta Duarte Matos.

 

"Tudo o que eles fazem aqui [no Dubai] tem por norma muito sucesso. Acredito mesmo que será muito vantajoso para toda a economia, para todas as empresas que laboram neste mercado, seja com investidores externos, seja com turismo, vai mexer o mercado financeiramente", refere.

 

Também o 'chef' José Avillez, que tem o restaurante Tasca no Dubai, tem expectativas positivas em relação ao evento, onde Portugal marca presença depois de uma década ausente das exposições mundiais.

 

"Na minha perspetiva, uma exposição mundial é uma importante oportunidade de divulgação e de construção de notoriedade", afirma à Lusa, por escrito, José Avillez, que recordou que, "hoje, Portugal é bem diferente do que era há alguns anos".

 

Na sua opinião, "é importante dar a conhecer o Portugal de agora".

 

Além disso, acrescentou José Avillez, a Expo 2020 Dubai "é certamente uma oportunidade única para estabelecer contactos a nível global e captar investimentos".

 

A Expo Dubai "irá decorrer ao longo de seis meses, entre outubro de 2021 e março de 2022, e irá atrair visitantes de todo o mundo" e "penso que o impacto será muito positivo e que será uma excelente oportunidade de divulgação da cozinha portuguesa", prossegue José Avillez.

 

"Espero que as pessoas gostem de nos visitar, que ganhem curiosidade e que depois queiram ir até Portugal para conhecer melhor o nosso país e a nossa cultura", remata o 'chef'.

 

Dos três restaurantes, o Lana Lusa é o mais recente, tendo aberto portas no Dubai em 26 de outubro do ano passado, em plena pandemia de covid-19, mas segundo Ruben dos Santos, o negócio tem estado a correr "bastante bem".

 

Sobre o tipo de clientes que frequentam o restaurante - um espaço que faz esquecer que se está no Dubai, já que referências a Portugal e música portuguesa a passar em som de fundo é algo que não falta -, o supervisor diz que é "de tudo um pouco", desde "locais, como portugueses", e ainda de outras nacionalidades.

 

"A verdade é que temos um público muito diverso", salientou Ruben dos Santos.

 

Desde o seu início, a Lana Lusa vende pastéis de nata, algo que "foi muito bem recebido por todos", conta, com uma produção que pode chegar a "cerca de 250 diários".

 

"Há um esforço entre todos para que o pastel de nata [...] acabe por ser quase o 'ex-libris' da casa e há uma preocupação muito grande em mantê-lo sempre nas melhores condições para que seja o melhor", sublinha o supervisor do Lana Lusa, restaurante que tem como 'chef' Hélio Lino.

 

A produção de pastéis de nata é maioritariamente para o restaurante, embora aceitem algumas encomendas para privados e eventos.

Desde há cerca de dois meses, o espaço passou também a disponibilizar sumos da Compal, além do café ser Delta.

 

"Normalmente o comentário que nos fazem é que é uma cozinha muito saudável e que recorda muitas vezes a comida em casa, feita pelos pais, pelos avós, e realmente o nosso objetivo é sempre passar a autenticidade que é a cozinha portuguesa, que se dá pela simplicidade, não pela transformação dos produtos, mas pela qualidade dos mesmos", sublinha Ruben dos Santos.

 

Do prego ao pastel de bacalhau ou rissol de camarão, o Lana Lusa teve "sempre" desde o início "a preocupação de tentar manter-se o mais possível português", conta.

 

Algo que "por vezes foi um desafio, visto que estamos no Dubai, mas conseguimos sempre alcançar esse objetivo", aponta.

Já o Alma 560 Café abriu no Dubai "sensivelmente há cinco anos e meio com este conceito tipicamente português nos Emirados Árabes Unidos", relata por sua vez Duarte Matos, o seu fundador.

 

E o porquê do Dubai? Duarte Matos conta que já se encontrava a trabalhar no emirado e, juntamente com a mulher, detetou que "havia uma necessidade de criar este conceito aqui", para a comunidade portuguesa.

 

Duarte Matos conheceu a mulher, também portuguesa, que trabalha numa "grande companhia aérea" nos Emirados Árabes Unidos, no Dubai.

 

"Vimos uma oportunidade que não havia de momento e achámos que era oportuno para podê-lo fazer", recorda o sócio-gerente da Alma 560 Café.

 

"O nossos clientes são maioritariamente portugueses, contudo cada vez mais, também devido ao trabalho que fazemos cá," começam a surgir outras nacionalidades, desde indiana, inglesa, brasileira, entre outras.

 

Ou seja, "é uma mescla muito multicultural porque o nome Portugal cada vez mais é conhecido no mundo inteiro e a nossa gastronomia também", remata.

 

E entre as iguarias mais pedidas está o pastel de nata, podendo numa manhã movimentada vender-se entre os 150 e 200.

A pandemia veio a impactar o negócio, uma vez que tiveram de encerrar por algum tempo.

 

"Tivemos de estar encerrados. Sem dúvida alguma a pandemia teve um impacto negativo para o negócio, com as restrições de espaço, número de mesas", a que acresce que muitos dos clientes regulares, expatriados, tiveram de regressar a Portugal.

 

"Contudo, a comunidade" que ficou no Dubai "deu-nos um grande apoio e manteve-nos sempre com a cabeça fora de água para respirar durante este período", confidencia.

 

Adianta que o negócio ainda está longe de igualar o período pré-pandemia, mas garante estar em plena recuperação.

 

"A nível de expetativas espero voltar a fazer o mesmo [de faturação] que fizemos no ano financeiro anterior e temos alguns projetos também em mão de modo a poder crescer mais a nossa operação", avança Duarte Matos, sem adiantar detalhes.

 

E o que distingue a restauração portuguesa no Dubai? "Sermos únicos", remata o responsável.

 

"Há muitos conceitos internacionais, há muita cozinha internacional e há uma mescla de várias nacionalidades", mas "nós mantemos a nossa raiz, tentamos trazer a nossa cozinha o mais tradicional possível, é algo que não existe muito", e é o que "tem sido a base de sucesso do negócio -- que é tentarmos manter o mais autênticos às raízes que nós somos", sublinha.

 

Já a Tasca, primeiro projeto de restauração internacional do chef José Avillez, conta com mais de dois anos de vida.

 

"O convite partiu do Hotel Mandarin Oriental Jumeira, Dubai. Aceitei com entusiasmo pois apesar de ser uma grande responsabilidade ter um espaço assinado a tantos quilómetros de distância, é também uma interessante oportunidade de aprendizagem e de divulgação de Portugal e da gastronomia portuguesa", conta, por escrito, à Lusa, José Avillez.

 

O negócio, diz, "tem corrido bem". Trata-se de um restaurante português contemporâneo, dentro do Hotel Mandarin Oriental Jumeira, "que é uma estrutura hoteleira com imensa qualidade e prestígio", localizado junto à praia e com ambiente animado.

 

"No Dubai há uma enorme abertura e curiosidade em relação ao que vem de fora. A Tasca tem feito sucesso, porque a cozinha portuguesa é, de facto, extraordinária. É muito bom ver que as pessoas a aderirem com entusiasmo aos sabores portugueses e à forma atenta como gostamos de receber", conclui o 'chef' José Avillez.

  • A Lusa viajou ao Dubai a convite da AICEP

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