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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Venderam-se mais casas e onde os portugueses dominaram, no entanto, o investimento estrangeiro manteve-se e o valor dos imóveis continuou sólido.

Os especialistas consultados pelo Diário Imobiliário, foram peremptórios em afirmar que tivemos um ano com altos e baixos em consonância com a pandemia mas que no final, pode-se considerar um ano positivo e em alguns segmentos quase ao nível de 2019.

 

Manuel Reis Campos, presidente da CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliario: De uma forma global, ao longo do ano 2021, o sector continuou a dar um imprescindível contributo positivo para a economia nacional, estimando-se que o ano termine com um crescimento da produção de 4,3%, com a generalidade dos indicadores relativos ao mercado imobiliário a registar um comportamento positivo, destacando-se o aumento de 7,4% das licenças emitidas pelas Câmaras Municipais até Outubro, o aumento de 9,9% do índice de preços na habitação no 3º trimestre, o número de transacções de alojamentos que cresceram 25,4% até Setembro, em termos homólogos.

 

Paulo Caiado, Presidente da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal:  O mercado imobiliário enfrentou 2021 com muita resiliência. A construção manteve-se sempre em actividade e os projectos foram-se desenvolvendo. A par disso, a procura também não desceu e o sector adaptou-se à nova realidade, principalmente através das novas tecnologias, que ajudaram na divulgação e concretização de negócios. Por isso, as transacções aconteceram e a partir de meados do ano intensificaram-se. Terminamos o ano com vendas quase a atingirem números pré-pandemia.

 

Hugo Santos Ferreira, presidente da APPII – Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários: Com todas as dificuldades e como o Banco de Portugal divulgou, fomos o sector mais resiliente. Aquele que ajudou na recuperação e crescimento económico do país. Além dos profissionais da linha da frente, como os profissionais da saúde, também os profissionais do imobiliário foram os heróis da pandemia e que não deixaram a economia morrer. Os promotores não deixaram parar os seus investimentos e os investidores não deixaram de investir e de acreditar no nosso país. Em 2021 já conseguimos recuperar ao nível de 2019.

 

José Cardoso Botelho, CEO da Vanguard Properties: Alcançámos não apenas nós, mas também o sector, resultados muito positivos a todos os níveis, desde logo, no crescimento das vendas a clientes nacionais e estrangeiros. Contribuiu para este resultado, um acréscimo da equipa de vendas e maior presença no on-line. Apraz-nos registar que o sector da construção a par da promoção mostraram ser os mais resilientes da economia nacional, o que deverá ser motivo de evidente orgulho e relevância tendo em consideração a importância no PIB nacional.

 

João Sousa, CEO da JPS Group: A pandemia teve naturalmente um impacto no mundo e por consequência em todos os mercados. O sector imobiliário também foi afectado directa ou indirectamente, mas apesar de tudo, foi dos mercados mais resilientes. Continuaram a vender-se casas, até porque milhões de pessoas em todo o mundo ficaram, de um dia para o outro, confinados em casa, para tentar conter o avanço do Covid-19, o que fez com que existisse uma consciência global de que as casas tinham um papel muito mais importante na vida de cada um, do que até aí se pensava.

 

Ricardo Sousa, CEO Century 21 Portugal: O mercado residencial demonstrou uma forte resiliência à pandemia, que também provocou novas necessidades de habitação aos portugueses. Tendo em consideração o perfil conservador dos portugueses em matéria de investimento e com o aumento dos níveis de poupança das famílias, o mercado residencial tornou-se a opção principal de investimento.

 

Rafael Ascenso, Director Geral da Porta da Frente Christie’s: O impacto da pandemia no mercado imobiliário fez-se sentir mais na impossibilidade dos estrangeiros se deslocarem ao nosso país. Nomeadamente de fora da Europa. Mas este factor só se verificou até metade do ano. Neste segundo semestre houve uma retoma muito acentuada na procura externa. Apesar de existirem ainda algumas restrições com viagens, visitas e reuniões presenciais, conseguimos contornar as barreiras físicas com a nossa aposta no digital e através das plataformas online, que nos permitiram até viabilizar contratos e reservas à distância.

 

Por outro lado, este decréscimo da procura estrangeira no início do ano, foi compensada com um acréscimo muito significativo da procura nacional. Os portugueses e os residentes estrangeiros em Portugal investiram muito fortemente em imobiliário durante estes dois anos de pandemia. Sem dúvida que, com a pandemia, o imobiliário ganhou ainda mais estatuto de porto seguro dos investidores e aforradores nacionais.

 

Francisco Horta e Costa, Director-Geral da CBRE Portugal:  O ano de 2021 acabou por ser bastante razoável para o mercado imobiliário, mesmo tendo em conta a pandemia e os períodos de confinamento que tivemos no primeiro trimestre. Na realidade, verificou-se que a confiança dos investidores no mercado português manteve-se inabalável, principalmente nos sectores residencial, logístico e de escritórios. Continua a haver muita liquidez para investir em imobiliário e Portugal não saiu do radar dos principais fundos internacionais, bem como de investidores privados.

 

Pedro Rutkowski, CEO da Worx Real Estate Consultants: O mercado imobiliário em Portugal enfrentou diferentes dinâmicas, e como em quase tudo na vida, nem tudo foi bom, mas nem tudo foi mau. O turismo, nomeadamente a hotelaria foi realmente o sector que mais sofreu com o impacto da pandemia com quedas superiores a 70% em 2020. Contudo, foi o sector que mais rapidamente procurou reinventar-se e adaptar-se às medidas do Covid e em 2021 conseguiu uma recuperação significativa sustentada no turismo nacional e no acordo com Espanha que permitiu que os turistas espanhóis pudessem atravessar a fronteira sem teste ou certificado. Em termos acumulados entre Janeiro e Agosto de 2021, os estabelecimentos de alojamento turístico registaram proveitos totais de  1.273 milhões de euros, o que representa um aumento de 25% face a igual período de 2020.

 

Paulo Silva, Head of Country da Savills Portugal: 2021 foi claramente melhor do que 2020, sobretudo para o retalho e hotelaria. Mas foi também um ano de avanços e recuos mas o investimento estrangeiro manteve-se e 2021 acaba por ser o melhor ano de imobiliário de sempre. Chegaram novos investidores inclusive da Alemanha.

 

A recessão de 2020 foi uma travagem e não de diminuição de actividades. Os investidores que habitualmente se retraem nas crises neste caso não se verificou e a confiança tem vindo a recuperar.

 

Eduardo Abreu,responsável da Neoturis: No contexto de uma pandemia global, 2021 foi um ano que consideramos positivo para o mercado imobiliário associado ao turismo em Portugal.

 

No que se refere ao Turismo Residencial, os principais projectos em comercialização registaram velocidades de vendas interessantes; quer no Algarve quer na zona de Lisboa e no eixo Tróia-Melides. Ou seja, face ao expectável em período pré-pandemia os objectivos de vendas terão sido atingidos e até ultrapassados em alguns casos. A uma boa resposta do mercado nacional, têm vindo a ser reforçados novos mercados de origem de compradores, para além dos mais tradicionais UK & Ireland.

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