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CABEÇALHO

A reabertura do setor do calçado em Portugal será “difícil” sem a existência de “seguros de crédito eficazes”, admitiu hoje o presidente da APICCAPS, Manuel Carlos.

A reabertura do setor do calçado em Portugal será “difícil” sem a existência de “seguros de crédito eficazes”, admitiu hoje o presidente não executivo da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APPICAPS).

 

Numa conversa ‘online’, promovida pelo ISCTE Executive Education, Manuel Carlos não deu um prazo específico para a retoma da atividade nas empresas que estão encerradas, devido à pandemia de covid-19, tendo alertado para o facto de a coleção de verão estar já praticamente perdida.

 

E a entrada numa nova época, de outono/inverno, pode ser complicada pela falta destes seguros de crédito, importantes para as empresas exportadoras, como são as do calçado.

 

“As empresas aceitam as encomendas, mas depois é preciso seguro de crédito e os clientes não têm. Os fornecedores das fábricas também vão pedir seguro de crédito e não o vão encontrar”, referiu o dirigente associativo.

 

“Sem seguros de crédito eficazes receio que a reabertura seja difícil”, vincou, sugerindo uma intervenção do Governo neste caso, com garantias às companhias de seguros de crédito.

 

“Nos setores da moda e calçado o consumo caiu para quase zero, o investimento parou, os clientes cancelaram encomendas, deixaram de pagar aos nossos fornecedores, as fábricas pararam. Não sabemos quantas não reabrirão e o desemprego que poderá surgir”, sublinhou Manuel Carlos.

 

O responsável acredita que o “Governo andou bem”, tendo conferido “liquidez às empresas e rendimento às pessoas”, ainda que reconheça a lentidão no processo, mas que considera ser natural.

 

“A liquidez não chegou tão depressa às empresas quanto era expectável e se já havia alguma lentidão antes da covid-19, vamos imaginar o resultado de milhares de empresas a concorrer ao ‘lay-off’. Não há Segurança Social que aguente. Prefiro dizer que o Governo andou bem, porque acho que seria muito difícil” andar mais depressa, referiu.

 

Manuel Carlos teme ainda pelo futuro das pequenas e microempresas, que são, em muitos casos, fornecedoras das maiores. “Essas micro e pequenas empresas irão desaparecer em número elevado. Mas se houver uma recuperação no início do próximo ano, as exportadoras vão precisar destas empresas, para continuar a ter o nível de exportação que tivemos, e elas não estarão lá”, avisou.

 

O presidente não executivo da APPICAPS realçou ainda que a “economia foi congelada no mundo inteiro” e isso pode ser uma vantagem para as empresas portuguesas, ainda que acredite que a China vai sair “renovada” da crise, sobretudo face a países europeus como Espanha, Itália ou França.

 

O consumo mundial de calçado deverá recuar 22,5% este ano devido ao impacto da pandemia, com menos 5.100 milhões de pares de sapatos comercializados a nível global, segundo um estudo divulgado no dia 14 de abril.

 

De acordo com a segunda edição do ‘Business Conditions Survey’, realizado junto do painel internacional de especialistas do ‘World Footwear’, “o impacto da pandemia de covid-19 irá penalizar fortemente o setor de calçado em 2020”, ocorrendo “o cenário mais negativo” na Europa, com uma perda estimada de 27% no consumo, equivalente a menos 908 milhões de pares comercializados.

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