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“Esperamos que o crescimento global permaneça forte em 2022, em torno de 4,5% nas economias avançadas e 5% nas economias em desenvolvimento e emergentes. O crescimento ficará acima dos níveis pré-Covid, mas enfraquecerá em 2023”, defendem os economistas do banco suíço.

O EFG Bank publicou o seu Market Outlook, refletindo já os mais recentes movimentos do Banco Central Europeu (BCE) e do banco central do Reino Unido.

 

“Esperamos que o crescimento global permaneça forte em 2022, em torno de 4,5% nas economias avançadas e 5% nas economias em desenvolvimento e emergentes. O crescimento ficará acima dos níveis pré-Covid, mas enfraquecerá em 2023”, defendem os economistas do banco suíço vocacionado para o private banking e que em Portugal é liderado por Bernardo Meyrelles.

 

O Bank of England (BoE) anunciou, nesta quinta-feira, aumento da taxa básica de juros em 15 pontos-base, de 0,10% a 0,25%, com objetivo de conter a recente escalada da inflação no Reino Unido.

 

As decisões monetárias dos maiores bancos centrais do mundo foram conhecidas esta semana. Em Inglaterra, o BoE elevou sua taxa básica de juros, contrariando expectativa da maior parte do mercado. Já o Banco Central Europeu (BCE) decidiu pela manutenção dos juros, como também, na quarta-feira, fez o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que acelerou o ritmo do tapering.

 

O EFG Bank defende que a pandemia do coronavírus continuará a influenciar as economias, os mercados e as ações dos bancos centrais no ano que se inicia. De acordo com os especialistas em investimento e economistas do EFG, a forte e sincronizada recuperação económica global continuará em 2022, impulsionada em parte pela recuperação do consumo na sequência de vários bloqueios.

 

A inflação será a principal preocupação dos bancos centrais na definição de sua política monetária no próximo ano, diz o EFG.

Os economistas do banco com sede em Zurique esperam que a alta inflação seja um fenómeno transitório, dando assim razão à perspetiva do BCE.

 

Recorde-se que esta quinta-feira, o BCE admitiu esperar uma taxa de inflação mais alta para a zona euro face às projeções de setembro e cortou ligeiramente as perspectivas de crescimento económico para o próximo ano, ainda que tenha melhorado as projeções para 2023. O BCE prevê agora uma inflação anual de 2,6% em 2021, 3,2% em 2022, 1,8% em 2023 e 1,8% em 2024. O banco central espera ainda que o crescimento económico se mantenha ao longo do próximo ano, projetando uma expansão do PIB de 5,1% este ano, de 4,2% em 2022, de 2,9% em 2023 e de 1,6% em 2024.

 

“Acreditamos que existe o risco de os bancos centrais cometerem um erro de política monetária. Nos EUA, antecipam que o Federal Reserve pode aumentar as taxas no segundo semestre de 2022”, diz o EFG que considera que o Federal Open Market Committee (FOMC) poderá começar a aumentar as taxas de forma cautelosa e, em seguida, continuar a endurecer a política monetária ao longo de 2023.

 

Na opinião do EFG, o principal desafio para os mercados será se a Fed será capaz de aumentar as taxas além do pico de 2,5%, que foi alcançado no final de 2018. “Visto de maneira geral, parece provável que as taxas dos EUA permanecerão baixas num futuro próximo. No que diz respeito a outros bancos centrais, esperamos que o Banco da Inglaterra aumente ainda mais as taxas em 2022, ao passo que o Banco Central Europeu e o Banco Nacional da Suíça dificilmente farão mudanças nas taxas antes de 2023”, defendem os economista do EFG.

 

No que diz respeito aos mercados financeiros, a visão do EFG é que as ações continuam a oferecer as melhores oportunidades para os investidores nos próximos seis meses ou mais. Isso se deve ao estímulo contínuo das políticas monetárias nas economias avançadas, incluindo taxas de juros reais negativas e medidas fiscais.

 

Além disso, embora a redução gradual das compras de ativos seja esperada em 2022, a política fiscal geral será suporte de ativos de risco, dizem os economistas do EFG.

 

“As valorizações das ações são mais preocupantes nos EUA, embora as empresas americanas provavelmente reportem o melhor crescimento de lucros. Isso significa que as ações dos EUA estão mais vulneráveis ​​a choques à medida que avançamos no ano”, defendem.

 

O EFG tem uma visão não consensual sobre o Japão, já que as avaliações, o crescimento dos lucros e a moeda mais barata tornam as empresas japonesas muito competitivas. Embora este mercado não seja popular entre os investidores no momento, o EFG considera-o bastante atraente.

 

Olhando para a China, o EFG está à espera para ver se os bloqueios económicos por causa do Covid e os desafios nos mercados imobiliários podem levar a uma desaceleração prolongada no contexto económico. “Isso poderia criar ventos contrários para os preços das commodities, já que a China é o maior consumidor marginal de matérias-primas”, defende o EFG Bank.

 

Moz Afzal, Diretor de Investimentos Global do EFG diz na nota enviada ao mercado que o ano de 2021 “provou ser um ano sólido para os mercados de ações, apesar dos vários ventos cruzados entre as regiões e os diferentes estilos”.

 

“No próximo ano, esperamos que o crescimento global continue sua recuperação, com o estrangulamento da oferta a diminuir e as pressões inflacionistas a caírem”, diz Afzal.

 

“O recente surgimento da nova variante, no entanto, lembrou aos mercados que a incerteza da pandemia permanece e é necessária uma alocação de ativos cuidadosa para equilibrar os riscos e oportunidades”, conclui.

 

Já Stefan Gerlach, Economista-chefe do EFG refere que “com a inflação a mostrar-se mais persistente do que o previsto, a questão é se vai cair por conta própria ou se os bancos centrais terão que intervir? Pensamos a inflação será transitória, mas ainda há o risco de os bancos centrais cometerem um erro de política monetária”.

 

Em termos de previsões para 2022, o EFG Bank antevê ainda que à medida que as preocupações com a pandemia Covid diminuam, em 2022 os consumidores estarão dispostos a gastar mais, principalmente com as suas poupanças acumuladas. Gastos com lazer e saúde serão duas áreas principais. A rapidez com que esses gastos ocorrem depende da situação da Covid, mas o EFG acredita que a confiança do consumidor está a recuperar de forma constante.

 

As economias emergentes normalmente ficam atrás das economias avançadas no movimento em direção à digitalização, mas com a pandemia “vemos as economias emergentes a fazer progressos substanciais em 2022, dando origem a oportunidades de investimento atraentes”.

 

Os economistas do EFG dizem que a inflação mais alta nos EUA, no Reino Unido, na Zona do Euro e na Suíça provavelmente será transitória, caindo para 2% novamente no segundo semestre de 2022. A inflação no Japão subirá brevemente acima de 1%. Mas existe o risco, no entanto, de os bancos centrais cometerem um erro de política monetária, dizem.

 

O ano de 2022 será um ano de financiar a infraestrutura verde. O EFG Bank defende ainda que  após uma forte escassez de oferta em 2021, os preços das commodities cairão no ano que vem. No entanto, 2022 deve ser um ano em que a tendência geral dos preços das commodities pode ser menos importante do que identificar vencedores individuais. “Fatores estruturais – especialmente a transição para energia limpa – favorecem a força de commodities como cobre e cobalto, dada sua utilização em veículos elétricos e a nova infraestrutura energética”, dizem os economistas.

 

O próximo ano terá um ambiente mais normal para os lucros das empresas, após as fortes oscilações observadas nos últimos dois anos, com um 2020 muito negativo e um 2021 muito positivo. “As maiores surpresas positivas provavelmente serão na Ásia – mas o mercado dos EUA continua a ser o único a bater”, dizem.

 

Os analistas do EFG têm ainda previsões para o mercado de dívida pública. “As pressões de alta sobre os rendimentos (yields) dos títulos de dívida dos governos reduzirão os retornos totais. O nível inicial de rendimentos é baixo em termos nominais e negativo em termos reais. Parece provável que a pressão ascendente contínua sobre a inflação, juntamente com um crescimento económico razoavelmente robusto e a procura por infraestruturas de energia limpa, elevarão os rendimentos dos títulos soberanos em 2022. Nesse ambiente desafiador, o EFG vê uma oportunidade atraente em títulos de mercados emergentes, quer em moedas fortes, como em moedas locais.

 

“Aa reconstrução do sistema de comércio global será uma área-chave de foco em 2022, com ênfase em três áreas”, defende o EFG. Embora muitos vejam a globalização como sendo predominantemente sobre o comércio de bens físicos, A indústria de serviços é muito importante na globalização.

 

“Em segundo lugar, a realocação de alguma produção está já a ocorrer. A necessidade de maior Resiliência da cadeia de suprimentos e menores emissões de carbono são dois fatores importantes que impulsionam esse desenvolvimento”, considera o EFG.

 

Terceiro, as questões de segurança nacional são importantes na diversificação das bases da indústria, principalmente na indústria eletrónica, conclui o banco.

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