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O transporte ferroviário de mercadorias entre o centro da China e a Europa aumentou 60%, durante a pandemia da covid-19, beneficiando de interrupções nas vias aérea e marítima, disse hoje à Lusa um funcionário chinês.

"Durante o período mais grave da pandemia, o nosso volume de mercadorias aumentou, contrariando a tendência geral de declínio no comércio externo", explicou à agência Lusa Wu Guangqiang, funcionário do Parque de Comércio e Logística Internacional de Xi'an, o maior porto seco da China.

 

O serviço ferroviário entre a cidade chinesa de Xi'an e a Europa transportou mais de 2,81 milhões de toneladas de carga, em 2020, um aumento de 60%, face ao ano anterior, de acordo com dados oficiais.

 

"Nós exportamos sobretudo têxteis, máquinas, produtos eletrónicos e veículos e importamos alimentos, fio de algodão e outras matérias-primas, mas também produtos manufaturados na Europa, incluindo automóveis e alguns componentes de alta qualidade", resumiu Wu.

 

A pandemia da covid-19 beneficiou as vias terrestres, ao reduzir drasticamente as ligações aéreas internacionais. O transporte marítimo foi também abalado pelas medidas de prevenção da doença, com o desembarque das tripulações dos navios a ser proibido em vários países.

 

Nas áreas da fronteira com os países da Ásia central, as mercadorias são transportadas para território chinês por camião e os motoristas estão impedidos de sair do veículo, explicou Wu.

 

A China controla rigorosamente a entrada de pessoas oriundas do estrangeiro, impondo um período de quarentena em centros designados pelas autoridades.

 

A primeira ligação ferroviária foi inaugurada em 2013, com destino final em Almati, a maior cidade do Cazaquistão. Nos últimos anos, novas vias passaram a incluir o resto da Ásia Central, Médio Oriente e a região do Cáucaso, com paragem final na Alemanha, Polónia, Bélgica ou Espanha.

 

O percurso entre o centro da China e a Europa leva 12 dias a ser percorrido. É um terço do tempo necessário por via marítima, mas que também acarreta habitualmente mais custos.

 

Nos últimos meses, porém, o preço do transporte por navio entre a China e a Europa quase quadruplicou, devido à escassez de contentores, atingindo valores recorde.

 

"O preço do transporte ferroviário manteve-se relativamente estável", explicou Wu. "Continua a ser mais caro, mas ao ritmo que o preço do transporte marítimo está a subir, vai dar basicamente ao mesmo", apontou.

 

A localização central de Xi'an permite à cidade servir de 'hub' para 29 províncias e regiões da China exportarem e importarem mercadoria, por via ferroviária, para e a partir dos países que compõem a massa terrestre da eurásia.

 

Com cerca de 12 milhões de habitantes, Xi'an é a capital da província de Shaanxi, situada a cerca de mil quilómetros de Pequim. A cidade, que serviu de capital ao longo de dez dinastias da China Antiga, era o início do caminho terrestre da Rota da Seda.

 

Aqueles percursos foram fundamentais para as trocas entre a Ásia e a Europa até à descoberta do caminho marítimo para a Índia pelos portugueses.

 

Xi'an assume agora uma posição central na iniciativa 'uma faixa, uma rota', o projeto internacional de infraestruturas lançado pela China, que visa abrir novas rotas comerciais entre a Ásia, Europa e África, através da construção de portos, autoestradas, linhas ferroviárias ou parques industriais.

 

A cidade é também a única na China que tem um voo direto para Lisboa, a cargo da companhia aérea Beijing Capital Airlines.

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