NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Fundada em 2021, a Portugal Bugs desenvolve produtos alimentares com larvas e grilos. Já começou a exportar para Espanha e prepara-se para lançar hambúrgueres e almôndegas à base de insetos.

Em 2016, Guilherme Pereira e Sara Martins estavam a concluir o curso de Engenharia Alimentar na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto quando foram desafiados pelo professor Luís Cunha a desenvolver um produto alimentar com farinha de inseto. No final do curso, decidiram aceitar o desafio e, após muitas horas de investigação, perceberam que os insetos poderiam ser uma “solução para um futuro mais sustentável”.

 

Em dezembro de 2016 rumaram até à Holanda para participar num dos primeiros seminários relacionados com a utilização de insetos para alimentação humana e animal, na Universidade de Wageningen. O impacto do seminário foi de tal forma “positivo” que no início de 2017 puseram “mãos à obra” na garagem do Guilherme para descobrir como é que se produziam insetos. Um ano depois, conseguiram sair de lá para instalações próprias.

 

“Nessa altura ainda não existia legislação em Portugal para a comercialização de produtos com insetos. Só em 2021 é que foi aprovada uma legislação que permitia a utilização de insetos e foi aí que criámos a Portugal Bugs. Podia ter sido mais cedo, mas, face à falta de legislação, não foi possível”, conta Sara Martins, cofundadora da Portugal Bugs e natural de Barcelos.

Após a aprovação dessa lei, nasce no Porto a Portugal Bugs, em 2021, que se assume como a “primeira marca portuguesa de proteína de inseto”. A startup já está a “voar” mais alto e entrou no mercado espanhol. Sara Martins adianta ao ECO/Local Online que o próximo passo é “começar a trabalhar o restante mercado europeu no mercado europeu já no próximo ano”, sendo os primeiros alvos Alemanha, Países Baixos, França e Bélgica. E em 2026 pretende entrar no mercado norte-americano.

 

Os empreendedores nortenhos estão agora à procura de um investimento de 650 mil euros, que “deverá ser finalizado brevemente” e que, dizem, vai permitir trabalhar outros mercados, aumentar a equipa e apostar na investigação e desenvolvimento de novos produtos.

 

Além da aposta na internacionalização, querem lançar no mercado hambúrgueres e almôndegas à base de insetos. Este hambúrguer à base de larvas de tenébrio molitor deve chegar ao mercado já no próximo ano.

 

Os insetos desidratados da Portugal Bugs já chegaram ao prato dos consumidores em restaurantes como o 100 Maneiras e o Carnal, ambos em Lisboa, à Adega da Vila (Vila do Conde) e ao Penha Longa Resort. “Os insetos são apresentados no prato bem visíveis no formato normal”, explica a cofundadora. No entanto, Sara Martins realça que nesta fase é mais “fácil desenvolver produtos com a farinha do inseto onde eles não são visíveis”.

 

Larvas de tenébrio molitor e grilos acheta domesticus são os insetos que a dupla utiliza nos snacks, farinhas, crackers ou barras energéticas. Os produtos estão à venda no Auchan, Continente, no Alcampo em Espanha e na loja online. Entre janeiro e outubro deste ano contabilizam já ter vendido 30 mil produtos à base de insetos.

 
Os insetos são produzidos pela empresa portuguesa Tecmafoods – Insect Based Feed & Food, que foi “a primeira a obter licenciamento para a produção de insetos para consumo humano”. A Portugal Bugs compra 30 quilos de insetos por mês para assegurar a produção.

 

Questionada se ainda existem algum tipo de estigma social em relação ao consumo de insetos, Sara Martins refere que isso “ainda acontece com alguns consumidores”. Porém, face ao período do lançamento no mercado, “parte desse estigma desapareceu e as pessoas já interiorizaram e já experimentam muito mais facilmente”.

 

“Os insetos podem contribuir, cada vez mais, para a redução do consumo de carne e, tendo em conta que está previsto que a população mundial aumente para 10 mil milhões de pessoas até 2050, sem dúvida que os insetos vão ser um grande suporte para as fontes de proteína. Os insetos vão equilibrar a balança e estão a surgir com uma nova proteína para minimizar a produção em massa da carne e ajudar numa produção mais sustentável”, conclui Sara Martins.

 

Apesar de serem uma solução para um futuro mais sustentável, o investimento das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ligado ao potencial dos insetos foi o mais afetado pelos cortes. Inicialmente, estavam previstos 60,1 milhões de euros para a iniciativa que quer transformar os insetos numa forma alternativa de alimentação para humanos e animais, além de desenvolver novos produtos para a indústria. O orçamento encolheu em 28,4%, para 42,988 milhões de euros.

 

in ECO

Partilhar