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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

No ano passado com o efeito tanto o défice como a dívida registaram aumentos significativos, invertendo a tendência dos anos anteriores.

O crescimento da economia e do PIB 'per capita' abrandou de valores superiores a 3%, na segunda metade do século XX, para menos de 1% desde 2000, segundo o Banco de Portugal (BdP) e o Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

De acordo com as séries longas das duas instituições hoje divulgadas, que compilam informação macroeconómica desde 1947, o Produto Interno Bruto (PIB) real 'per capita' registou "uma tendência de crescimento real ao longo da segunda metade do século passado", com uma "taxa média anual de 3,9%".

 

"Esta situação inverteu-se, porém, nos últimos 20 anos, refletindo o reduzido crescimento da economia portuguesa", referem o BdP e o INE.

 

Assim, "entre 2000 e 2020, o crescimento médio anual do PIB real 'per capita' foi de apenas 0,3%", um valor "muito influenciado pelos efeitos da pandemia em 2020", já que excluindo este ano "o crescimento médio foi de 0,8%".

 

Quanto ao PIB em volume, a preços constantes, "verificou-se uma diminuição do ritmo de crescimento ao longo das últimas décadas".

 

"O crescimento médio anual [desde 2000] foi de 0,9%, o que compara com valores perto de 5% nos anos 50 e 60", pode ler-se no destaque hoje divulgado pelas duas instituições.

 

De acordo com um gráfico divulgado pelo INE e BdP, na década de 50 do século passado, o crescimento médio foi de 4,6%, passando a 4,7% nos anos 60, 3,9% nos anos 70, 3,4% na década de 80 e 3,0% na última década do século XX.

 

Quanto a outros indicadores macroeconómicos, a taxa de inflação, "na segunda metade da década de 60 e, de uma forma mais evidente, na década de 70, subiu para níveis que permaneceram muito elevados durante vários anos, só regressando para valores abaixo de 5% na segunda metade dos anos 90".

 

Já relativamente às contas externas, "avaliadas pelo saldo conjunto das balanças corrente e de capital, apresentaram um défice na maior parte do período".

 

"Como exceções, refiram-se os excedentes observados entre 1964 e 1973, bem como em 1986 e, em especial, nos anos mais recentes", apontam o BdP e o INE, evidenciando que, a partir de 2012, com "a evolução mais contida das importações e o bom desempenho das exportações, a balança de bens e serviços registou saldos positivos, o que nunca tinha sido observado desde o início das séries agora divulgadas".

 

Quanto ao peso das administrações públicas sobre o PIB, as séries hoje divulgadas revelam "um aumento progressivo" do seu peso, que foi mais acentuado "ao nível da despesa pública na segunda metade dos anos 70".

 

"Refletindo essa evolução, a partir de 1973 a economia portuguesa registou défices públicos consecutivos e persistentes. Desde 2010, existiu uma diminuição desse défice, verificando-se em 2019 um excedente orçamental das administrações públicas", notam ainda BdP e INE.

 

Quanto à dívida pública em percentagem do PIB, "registou uma clara tendência de subida a partir da segunda metade dos anos 70, estabilizando depois no final da década de 80 e até ao final do século XX".

 

"A tendência de subida foi depois retomada no início do século XXI. Posteriormente, refira-se o seu expressivo aumento entre 2008 e 2012, seguido de alguma estabilização nos anos seguintes e de uma redução entre 2016 e 2019", pode ler-se no texto.

 

Em 2020, com o efeito da pandemia de covid-19, tanto défice e dívida registaram aumentos significativos, invertendo a tendência dos anos anteriores.

 

Quanto à taxa de desemprego, "permaneceu entre 2 e 4% até à primeira metade da década de 70", e "desde essa altura, como é corroborado por vários estudos", esteve "muito relacionada com a evolução do ciclo económico, a par de um aumento do seu nível estrutural a partir do início deste século".

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