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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Campanha está a terminar no Norte do país e a perspetiva é que 2021 possa ser um ano de retoma para muitos apicultores. O ano passado a produção de mel em Portugal fixou-se em 9.817 toneladas.

O setor do mel não sofreu um impacto significativo face à pandemia de covid-19 e espera até recuperar dos maus anos apícolas, marcados por quebras de produção até aos 80%, apesar da vespa asiática continuar a ser um problema.

“Os impactos da pandemia no setor do mel não se fizeram sentir, uma vez que o trabalho nunca foi interrompido (à semelhança das outras atividade agropecuárias) e as vendas do produto não sofreram um impacto significativo”, adiantou à Lusa a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP).

 

Conforme apontou, a venda de mel tem uma “sazonalidade marcada”, verificando-se um pico entre o outono e o inverno, sendo que as quebras notaram-se apenas nos apicultores que fazem muitas vendas em mercados e feiras, situação que foi também confirmada pela Sociedade dos Apicultores de Portugal (SAP).

 

Segundo a SAP, as perspetivas são agora “promissoras”, apesar de a importação de mel de países terceiros e a “deficiente rotulagem dos mesmos” configurar um “sério obstáculo” à comercialização. A isto acresce a concorrência com mão de obra mais barata e sem os “requisitos higiossanitários europeus”.

 

 a FNAP perspetiva que 2021 seja um ano de retoma, após os maus anos apícolas de 2018 a 2020, que, nalguns casos, levaram a quebras de produção de 80% devido, nomeadamente, a perturbações climáticas na época da floração.

“A campanha está a terminar no Norte do país e a perspetiva é que 2021 possa ser um ano de retoma para muitos apicultores”, notou, acrescentando que, no Algarve e Alentejo, registaram-se colheitas normais e que os preços do mercado mundial estão estabilizados.

 

Porém, no Centro e no Norte, onde as crestas (recolha do mel das colmeias) são mais tardias, “ainda não se consegue perspetivar se o ano será de retoma”.

 

No que se refere à vespa asiática, tanto a FNAP como a SAP confirmam que continua a ser um problema, sendo que a sociedade de apicultores sublinhou a falta de prevenção e supervisão.

 

“A vespa, cada vez mais, continua a ser um grave problema. A extensão para Sul atinge já o Alentejo e não me parece que as entidades competentes lhe estejam a dar a importância necessária. Muitas vezes, as empresas contratadas para a sua eliminação fazem-no de forma incorreta, levando à multiplicação dos ninhos”, apontou o presidente da SAP, António Hermenegildo, em resposta à Lusa, assegurando que existe também falta de “supervisão e de prevenção”.

 

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020, a produção de mel em Portugal fixou-se em 9.817 toneladas, sendo 9.643 toneladas das quais provenientes do continente. Os Açores e a Madeira, por sua vez, produziram, respetivamente, 128 e 46 toneladas.

 

Portugal tem 747.145 colónias e 43.564 apiários registados, segundo dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), referentes a setembro de 2020.

 

A FNAP representa perto de 50 associados, entre cooperativas, agrupamentos de produtores e associações, onde se inclui a SAP.

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