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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O que o Homem quer e precisa no século XXI é diferente daquilo que queria e precisava no século XX. O setor da Engenharia foi e é um importante vetor desta mudança, criando pontes que aproximam civilizações, evoluindo, adaptando-se e impondo mudanças.

Nas primeiras décadas do século XXI, um pouco por todo o globo, existem múltiplos sinais de uma forte mutação nas mais diversas indústrias e atividades económicas. A Engenharia Civil não foge à regra, sendo que em alguns aspetos particulares a sua evolução está a ocorrer de uma forma ainda mais acentuada do que noutras áreas. Existem fatores contextuais para que assim seja, mas existem alguns aspetos sectoriais específicos que amplificam o fenómeno. Esta acelerada alteração traz relevantes desafios, mas não deixa de abrir oportunidades cujo alcance pode ser muito amplo.

 

Dentro dos aspetos contextuais existem três que são preponderantes. Primeiro: a desaceleração da evolução demográfica é evidente, sendo o seu impacto na Engenharia Civil quase direto. O século XX viu a população crescer de cerca de mil milhões para perto de sete mil milhões de habitantes. Uma tendência que se agudizou, pois, no século XXI, quase vinte anos volvidos, a população apenas cresceu cerca de 10%. Segundo: uma certa falência do modelo atual de democracia do mundo ocidental (Europa e Américas e de vários países doutras regiões) – sem ir mais longe, existe uma evidente incapacidade generalizada de pensar o mundo a duas ou três décadas (é muito vezes gerido a duas ou três semanas); existe uma tendência generalizada para o abstencionismo; as agendas politicas e a discussão dos media são frequentemente ocas de visão estratégica (aqui exclui-se a China). Talvez seja oportuno discutir o Conceito “Redemocracy”… mas não será neste texto. Terceiro: a revolução digital – sobre esta parece ser redundante escrever mais linhas.

 

A Engenharia portuguesa tem com muito mérito conseguido evidenciar-se a nível internacional e atualmente existem inúmeros projetos de prestígio nos diversos continentes associados a diversos tipos de participação: projeto; construção e soluções tecnológicas. No nosso campo de visão mais direto, estamos com projetos em curso em 5 continentes – que em alguns casos correspondem a pontes emblemáticas – sentimos, recorrentemente e de diversas formas, um muitíssimo gratificante retorno sobre as prestações dos nossos Engenheiros e sobre os nossos produtos/serviços.

 

Numa análise SWOT sintética da Engenharia Civil Portuguesa diria que os pontos mais fortes são: a reconhecida capacidade técnica (a nível internacional); a qualidade da formação; a responsabilidade e forte disponibilidade individual. Podendo-se adicionar três características da população portuguesas em geral: criatividade; capacidade de adaptação e capacidade de interação com diferentes povos. Dentro das fragilidades destacaria duas que são também transversais: falta de sentido coletivo (que implica, por exemplo a atomização de empresas ou a falta de dimensão das mesmas) e falta de posicionamento estratégico – pouca disciplina na seleção e foco nos produtos/serviços/mercados e não identificação do posicionamento que potencia mais a atividade.

 

Felizmente existem em Portugal alguns casos de sucesso em diferentes sub-sectores da Engenharia Civil: desde a Construção ao Projeto, passando por fornecedores de alta tecnologia. Mas nas próximas décadas a imagem dicotómica falência-sucesso ainda poderá ser mais fraturante. As empresas Portuguesas que aliarem os reconhecidos méritos a uma visão mais coletiva (com aumento de dimensão e menos “assinatura pessoal”) e com mais inteligente e disciplinado posicionamento estratégico poderão ter oportunidades verdadeiramente inéditas. Na Engenharia como no quotidiano, devemos estar todos atentos e disponíveis para evoluir. O Futuro é, de facto, desafiante e estimulante.

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