NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

No primeiro dia da Feira do Livro do Porto, a expectativa para livreiros e editores é de que a edição de 2021 seja, pelo menos, tão boa como a de 2020, que serviu para aguentar o ano.

Ainda antes da hora de abertura, às 12:30, já se formava fila para entrar no recinto da Feira do Livro do Porto, que hoje arrancou e se realiza até 12 de setembro, nos Jardins do Palácio de Cristal.

 

À espera para entrar estava Hugo Salvador, que aproveitou para ir cedo e procurar alguns achados.

 

"Tenho uma lista mental e, se vir alguns dos que quero a um preço acessível, talvez compre. Depende do dia e da loucura que estiver o dia", conta à Lusa, entre risos.

 

Mais tarde, Hugo Salvador revelava ter comprado, pelo menos, livros, numa altura em que ainda ia dar "mais uma vista de olhos".

 

Equipados com 't-shirts' alusivas à saga "Harry Potter", Paulo Cardoso e a família também aguardavam para ver o que os esperava do outro lado do pórtico.

 

A indumentária não é indicativa das intenções de compra, porque já têm todos os livros da coleção, mas Paulo adianta que gosta "de livros de fantasia e há uma ou duas editoras que têm esse tipo de livros".

 

"Estou à procura de encontrar bons preços. O resto da família veio acompanhar-me", disse à Lusa.

 

E a companhia não vem livre de interesse, já que Nuno, de 10 anos, está "à espera de encontrar algo hoje".

 

Para os livreiros, a esperança é que a edição deste ano seja tão boa como a anterior.

 

Arnaldo Vila Pouca, da livraria Flâneur, diz que as "expectativas não divergem muito do ano passado".

 

"Em tempo de pandemia, o ano passado colocámos as expectativas um bocadinho abaixo do que seria o desejado, mas a verdade é que foram largamente superadas. Este ano, gostaríamos que acontecesse o mesmo, ainda que tenhamos consciência que é difícil, porque passámos um período financeiramente mais complicado para muitas famílias", confessa.

 

Embora admita que "o último ano não foi difícil", Vila Pouca reconhece que, "para livrarias com uma dimensão como a Flâneur", a Feira do Livro "é a almofada para o resto do ano".

 

Também Carla Oliveira, editora da Orfeu Negro e sócia-gerente da Antígona, quer ver replicados os resultados de vendas de 2020.

 

Para a editora, a iniciativa serve para vender, mas "é também para partilhar e para conviver com os outros colegas, e a Feira do Porto é particular nisso, porque tem muitas livrarias representadas".

 

A responsável destaca a oportunidade de ter "contacto direto com os leitores", mas também a de promover autores.

Para a Antígona e a Orfeu Negro, 2020 trouxe "resultados melhores do que no ano anterior", fruto de "muito trabalho e muita estratégia", diz Carla Oliveira.

 

O mesmo não aconteceu na livraria Poetria, para quem 2020 "foi um ano muito difícil", mas a feira do ano passado foi "um balão de oxigénio para sobreviver o resto do ano", explica à Lusa Nuno Pereira.

 

Francisco Reis, também responsável pela Poetria, recordou que, para além da pandemia, a livraria atravessa um litígio com o senhorio, que tem vindo a dificultar a situação.

 

Uma situação semelhante à vivida pela livraria Moreira da Costa, que tem passado "anos difíceis, desde 2017", já que também teve de passar por um processo de litígio para se manter na Rua de Avis.

 

"Quando estávamos a recuperar o fôlego, veio esta pandemia, e dois anos seguidos é complicado. Mas estamo-nos a aguentar, a sobreviver e a lutar por aquilo que queremos, que é continuar a ser a livraria mais antiga da cidade e andar para a frente", confessa Susana Fernandes.

 

Desta edição da Feira do Livro, espera "que seja igual à do ano passado, que foi excelente".

 

Este ano, traz "expectativas um bocadinho mais altas", já que também apostou mais no certame.

 

"A livraria teve muitos problemas, estávamos há algum tempo sem conseguir adquirir material. Este ano, como as coisas começaram a normalizar, apesar da pandemia, excedemo-nos um pouco nesse sentido. Temos material mais significativo", explica.

 

A Feira do Livro do Porto deu hoje início à sua oitava edição organizada pela Câmara Municipal, nos Jardins do Palácio de Cristal, dedicada ao escritor Júlio Dinis com o mote de "Herborizar".

 

Com 124 pavilhões, a Feira do Livro do Porto pode ser visitada até 12 de setembro, desde que cumpridas as regras de segurança em relação à pandemia de covid-19.

 

Para aceder à Feira do Livro do Porto é necessário o uso de máscara, sendo recomendado que se mantenha a distância de segurança. A feira tem um limite máximo de mil pessoas em simultâneo no recinto.

 

Em 2020, a Feira do Livro do Porto, que decorreu num contexto de pandemia e com limitação de entradas, recebeu cerca de 100 mil visitantes, tendo contado com 120 pavilhões e 80 entidades.

Partilhar