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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Portugal volta a participar numa exposição mundial, a qual arranca em 1 de outubro no Dubai, Emirados Árabes Unidos, depois de um interregno de mais de 10 anos (a última participação portuguesa foi em Xangai, em 2010).

O comissário-geral de Portugal para a Expo 2020 no Dubai, Luís Castro Henriques, revela, em entrevista à Lusa, que o Pavilhão de Portugal conta com a participação direta na loja de “40 empresas diferentes”.

 

Portugal volta a participar numa exposição mundial, a qual arranca em 1 de outubro no Dubai, Emirados Árabes Unidos, depois de um interregno de mais de 10 anos (a última participação portuguesa foi em Xangai, em 2010).

 

“No nosso pavilhão temos participação direta na loja de cerca de 40 empresas diferentes”, mas “obviamente o portefólio de produtos é mais alargado”, explica o também presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

 

Trata-se da concept store, loja que irá apresentar produtos portugueses aos visitantes da primeira exposição mundial na região do Médio Oriente, África e Sul da Ásia (MEASA, na sigla inglesa), no ano do jubileu de ouro dos Emirados Árabes Unidos.

 

“E temos outras 20 empresas que participaram no pavilhão”, onde se inclui o arquiteto Miguel Saraiva, “que desenhou este magnífico pavilhão, estou a incluir a Casais, que construiu o Pavilhão [de Portugal], depois há todo um conjunto de materiais construção, de materiais de acabamento, de móveis, de iluminação”, acrescenta o responsável.

 

“Tudo o que foi possível trazer para cá e que era viável”, Portugal trouxe: “E também vamos ser práticos”, o que “tem visibilidade é de facto português e tem que ser português para que as pessoas, quando entrem no pavilhão, sintam que estão em Portugal com tudo o que” o país “tem para oferecer”.

 

Portanto, o Pavilhão de Portugal é uma montra do país? “É exatamente isso”, responde perentoriamente Luís Castro Henriques. Questionado sobre se o pavilhão vai manter-se após o final da Expo, que termina em março de 2022, o responsável desconhece qual “vai ser o destino futuro”. Este tema “ainda está em discussão, estamos a aguardar um bocadinho para perceber quais são os planos da própria organização para esta zona toda”, refere. No entanto, “há uma proposta para que os pavilhões fiquem e possam ser utilizados ou não”, mas “isso tem de ser discutido com a própria Expo”.

 

Neste momento, o “foco” de Portugal é chegar ao dia da inauguração e lançar o Pavilhão de Portugal, que tem uma área de 1.800 metros quadrados e dois pisos e onde não falta a calçada portuguesa, azulejos da Viúva Lamego, cadeiras e candeeiros em cortiça e até um terraço com oliveiras. “O objetivo primordial é termos um pavilhão excelente durante os seis meses da Expo”, reforça Luís Castro Henriques.

 

Além de estar localizado numa zona onde irão decorrer espetáculos, o pavilhão português está também na área da sustentabilidade (uma das três temáticas da Expo 2020 Dubai). Uma escolha de Portugal “por dois motivos: um prático e um conceptual”, remata o comissário-geral.

 

No que respeita ao conceptual, “e a verdade é porque esta é a temática onde nós achamos que nos inserimos mais, Portugal já tem algum reconhecimento nesta área, está a fazer algum trabalho na sustentabilidade, por exemplo”, em indústrias designadas por tradicionais, “mas que estão a fazer uma boa conversão”.

 

E “aí vimos bem, numa perspetiva de futuro, que esta é uma área onde nos podemos afirmar e o nosso objetivo era, de facto, estarmos numa zona onde conseguiríamos ser diferenciadores”, destaca. Já quanto ao motivo prático, “é que, dentro das localizações todas, nós considerámos que esta localização era absolutamente ‘premium’”.

 

As relações comerciais entre Portugal e os Emirados Árabes Unidos (que são compostos por sete emirados) ainda têm “uma importância reduzida“, ou seja, em que, em média, há “pouco mais de 150 milhões de euros em termos de exportações”.

No entanto, “esta é uma zona onde manifestamente queremos crescer e continuar a crescer, até porque tivemos um crescimento muito relevante há cinco anos”, curiosamente “quando começaram as ligações diretas por avião”, afirma o comissário-geral. O que Portugal pretende desta região é, sobretudo, “dar notoriedade” aos produtos portugueses. E a razão assenta no facto de haver “muitas cadeias de compras que estão sediadas no Dubai e depois, a partir do Dubai, vão para outras zonas do Golfo e também para outras zonas de África, só aí há uma vantagem direta”, considera.

 

Um segundo aspeto, “é preciso não esquecer que o próprio Dubai é uma plataforma de trading, é um dos maiores portos do mundo”, entre outros. “Nesse sentido, quanto maior for a visibilidade que conseguirmos dar aos nosso bons produtos e à inovação” dos mesmos, qualidade e autenticidade, “melhor”, defende. Quanto a áreas de atividade, é tudo “muito diversificado”.

A presença de empresas portuguesas nos Emirados Árabes Unidos não é grande: “Estamos a falar de cerca de 30 empresas que estão cá, diria 26 no Dubai, quatro em Abu Dhabi, a larguíssima maioria ou são empresas de comércio e, portanto, de troca de bens, importadoras, ou empresas de serviços que estão cá e que prestam serviços a vários níveis”, explica.

Luís Castro Henriques argumenta que os produtos portugueses ainda não têm um grande nível de reconhecimento nesta zona, pelo que se pretende mostrar que são “diferenciados”, são “tipicamente de uma qualidade superior” e “muitos deles estão muito, muito direcionados aos gostos desta zona do mundo”.

 

No que respeita aos bens, “estamos a falar obviamente do agroalimentar“, como também “de oportunidades a nível da moda e da ourivesaria” – ou seja, “também são setores que irão ter semanas temáticas cá” –, “estamos a falar de desenvolver ações para dar notoriedade ao nível do turismo médico” e até do setor fármaco, “aí potenciando a venda de bens de produtos farmacêuticos, mas também produtos hospitalares”, detalha.

 

O responsável recorda que há no Dubai “uma grande feira de equipamento hospitalar onde há uma presença relevante de empresas portuguesas para potenciar isso, mas também a oportunidade de virem fazer tratamentos a Portugal”. Energia e sustentabilidade são duas áreas em destaque, tal como as tecnologias de informação (IT).

 

Na Expo 2020 Dubai haverá uma semana temática dedicada ao IT e às startups porque “de facto Portugal, hoje em dia, pelo menos na Europa, já é reconhecido como um hub a nível de software“, salienta o comissário-geral.

 

“Tudo indica que muitas dessas empresas e talvez algumas das nossas ‘startups’ possam fazer expansões para esta zona do mundo”, utilizando a plataforma do Dubai, estima o responsável.

 

Os Emirados Árabes Unidos já manifestaram a sua intenção de reforçar a aposta no setor das tecnologias e no mês passado anunciaram que vão oferecer vistos gold a 100 mil programadores e codificadores de todo o mundo para estabelecer empresas na região.

 

“Aliás, nós estamos no bairro cujo objetivo futuro para esta Expo é que esta seja a cidade do ‘tech’ e a cidade das novas tecnologias”, ou seja, que se instalem na zona ‘startups’ e fundos de capital de risco, aponta.

 

“Portanto, aí estamos em sintonia e achamos que temos uma oferta que é diferenciadora”, sublinha Luís Castro Henriques, salientando que atualmente há “muitos produtos de ‘software’” portugueses, muitos deles até “em serviço para os próprios Estados” que estão espalhados pelo mundo. “Alguns já cá estão e eu creio que poderão estar mais”, espera Luís Castro Henriques.

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