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CABEÇALHO

Sérgio Domingos, da Universidade de Coimbra, ganha 1,9 milhões de euros para desvendar a dinâmica estrutural de motores moleculares. Já Vera Aldeias ganha a primeira bolsa ERC para Universidade do Algarve, que é também a primeira bolsa em Arqueologia atribuída a Portugal.

Vera Aldeias, da Universidade do Algarve, Yonatan N. Gez, do ISCTE – IUL, Sérgio Domingos, da Universidade de Coimbra, Susana Soares, da REQUIMTE – Rede de Química e de Tecnologia, e Manuel Souto, da Universidade de Aveiro, integram a lista dos 397 cientistas talentosos em início de carreira contemplados pelo Conselho da Europa com as “Starting Grant”. No total são 619 milhões de euros, com um valor médio de 1,5 milhões de euros cada bolsa.

 

Estas são as primeiras subvenções do European Research Council (ERC) atribuídas no âmbito do programa Horizonte Europa, destinando-se a ajudar os jovens investigadores a concretizarem as suas melhores ideias, lançarem os seus próprios projetos e formarem as suas equipas.

 

Em Faro, Vera Aldeias, investigadora do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve, ganhou a primeira “Starting Grant” do Conselho Europeu de Investigação para esta Universidade e que é também a primeira bolsa ERC em Arqueologia atribuída a Portugal.

 

O seu projeto “MATRIX – Into the Sedimentary Matrix: Mapping the Replacement of Neanderthals by early Modern Humans using micro-contextualized biomolecules” tem como objetivo analisar as dinâmicas que levaram à transição de homens de Neandertal para a nossa espécie, o Homo Sapiens, no continente europeu. A investigadora usa uma nova abordagem para esta muito debatida questão: o uso de biomoléculas (ADN, proteínas e lípidos) preservadas nos sedimentos (na terra) dos sítios arqueológicos. Este projeto irá, explica, “contribuir para estabelecer uma metodologia inovadora que integra a arqueologia à microescala com análises de biomoléculas para perceber quais foram as dinâmicas por trás desta transição e se foram sempre as mesmas em diferentes zonas da Europa”.

 

A “Starting Grant” obtida por Sérgio Domingos, cientista da Universidade de Coimbra, na foto, ascende a 1,9 milhões de euros. E conforme adianta o investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia, vai permitir-lhe  desenvolver, durante os próximos cinco anos, uma estratégia experimental, inovadora, “para desvendar as formas tridimensionais de algumas moléculas chave no campo da nanotecnologia molecular, e entender a sua mecânica de funcionamento”.

 

O investigador explica que o seu projeto “MiCRoARTiS – Microwave Fingerprinting Artificial Molecular Motors in Virtual Isolation”, tem o propósito de  desvendar “os segredos da mecânica estrutural de motores moleculares ‘construídos’ pelo Homem, de forma a torná-los cada vez mais funcionais, mas também desenvolver a técnica de espectroscopia de micro-ondas para além do estado da arte, tornando-a cada vez mais útil nesta e noutras áreas do conhecimento, como na identificação de moléculas em partes distantes do universo (Astrofísica Molecular), ou no estudo de interações entre medicamentos e recetores moleculares do corpo humano (Química Medicinal)”.

 

O financiamento, revela Sério Domingos, vai fazer nascer na Universidade de Coimbra um laboratório de espectroscopia de micro-ondas de elevada performance, “uma infraestrutura única em Portugal”.

 

As propostas selecionadas pelo Conselho Europeu de Investigação abrangem todas as disciplinas da investigação, desde aplicações médicas de inteligência artificial até à conceção de novas gerações de dispositivos tecnológicos com comando luminoso, passando pela melhoria da transparência e equidade do comércio levado a cabo pelos influenciadores das redes sociais. Os distinguidos neste concurso são originários de 45 países e propuseram a realização dos seus projetos em universidades e centros de investigação de 22 países da União Europeia e países associados.

 

O Conselho Europeu de Investigação foi criado em 2007 pela União Europeia para financiar cientistas de excelência. As bolsas “ERC Starting Grant” são dirigidas a investigadores em início de carreira, possibilitando-lhes formar grupos de trabalho e desenvolver projetos em diferentes áreas científicas.

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