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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Hoje, no dia 3 de fevereiro, celebramos o 100.° aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Estónia e Portugal.

Embora no mapa a Estónia e Portugal ficarem em partes diferentes da Europa, Portugal tem desempenhado um papel importante na adesão da República da Estónia à família dos países do mundo. A República da Estónia foi proclamada em 24 de fevereiro de 1918 e foi admitida à Sociedade das Nações pouco mais de dois anos depois. Na votação de 8 de dezembro de 1920, sobre a adição incondicional dos Estados Bálticos à Sociedade das Nações, Portugal foi um dos poucos partidários dos Estados Bálticos. Dois meses mais tarde, a 3 de fevereiro de 1921, Portugal reconhece a República da Estónia de jure.

Apesar da distância geográfica, a história da relação entre a Estónia e Portugal é muito mais antiga. Éramos ambos Estados marítimos em importantes rotas comerciais. Na Idade Média, os mercadores da Liga Hanseática transportavam peles, grãos, madeira e linho de Re vai (hojeTallinn) para Portugal, e carregamentos de sal valioso, especiarias exóticas, frutos secas e vinho Madeira iam de Lisboa para o Norte, para o território estónio por via marítima, e essas mercadorias também eram enviadas para a Rússia. No início do século XLX, Portugal estabeleceu consulados nas cidades portuárias das províncias bálticas que faziam parte do então Império Russo. Assim, houve um cônsul português na cidade de Pãrnu, desde 1825 até à Primeira Guerra Mundial. Em 1929, foi assinado um acordo comercial entre Portugal e a Estónia, que visava facilitar o transporte de cortiça de Portugal para a Estónia e de produtos têxteis, madeira, peixe e manteiga da Estónia para Portugal.

 

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Cortina de Ferro dividiu brutalmente a Europa. A União Soviética absorveu a República da Estónia e todas as embaixadas e consulados da Estónia foram liquidados. No entanto, Portugal nunca reconheceu a ocupação soviética da Estónia. Portugal foi um dos primeiros países a aceitar a nova independência da República da Estónia em 27 de agosto de 1991, e o primeiro-ministro português, Aníbal Cavaco Silva, assegurou ao primeiro-ministro estónio, Edgar Savisaar, que o governo português havia decidido restabelecer as relações diplomáticas com a República da Estónia. Em 2008, o Presidente Cavaco Silva, como apoiante da política de não admitir a ocupação da Estónia, foi distinguido com a mais alta ordem, a Ordem de Cruz da Terra Mariana, por ocasião do 90.° aniversário da República da Estónia.


Presentemente, a Estónia e Portugal são aliados na União Europeia e na NATO, e unidos à zona euro. Somos conhecidos na Europa como nações digitais inovadoras e concordamos em muitas questões, como a política de segurança e defesa da União Europeia, o desenvolvimento do mercado interno e o orçamento da União Europeia. Desde 2018 que Portugal é um membro do Centro de Excelência para a Ciberdefesa Cooperativa da NATO em Tallinn. Portugal participou em missões de segurança aérea do Báltico em quatro ocasiões, ajudando a proteger o espaço aéreo do mar Báltico e a segurança da Estónia.

A relação entre os nossos países é excelente. Em 2003, o Presidente português, Jorge Fernando Branco Sampaio, fez uma visita de Estado à Estónia. A visita de Estado da Presidente estónia, Kersti Kaljulaid, em abril de 2019, foi acompanhada por uma grande delegação empresarial. De acordo com a Chefe de Estado da Estónia, Portugal e a Estónia são países digitais inovadores: durante a visita foi assinado um memorando de saúde digital, que mutuamente viabiliza a ratificação e uso de prescrições digitais na Estónia e em Portugal.


Estamos longe um do outro, mas a distância geográfica não tem importância na economia digital. As relações económicas são facilitadas por reuniões políticas de alto nível e pela prontidão de ambos países em oferecer soluções eletrónicas inovadoras aos cidadãos. Dentre as empresas estónias, a empresa de sq/ruwePipedrive, a startup Bolt (anteriormente Taxify) e a empresa de serviços de pagamentos Mosene enraizaram-se em Portugal. Em Portugal é fácil fazer negócio no campo de tecnologia, aqui há o saber-fazer e a mão-de-obra. As relações económicas também são impulsionadas pelos residentes digitais portugueses na Estónia, que já são mais de seiscentos, e que fundaram mais de uma centena de empresas, ultrapassando assim até países mais próximos da Estónia.


Atualmente, a comunidade estónia em Portugal tem alcançado várias centenas, que encontraram aqui uma nova casa para si ou vieram para cá para trabalhar ou estudar. Para os estónios, Portugal é um destino de viagem apreciado, conhecido pelo seu clima favorável e pela hospitalidade e como um lugar agradável para trabalho freelance. Por outro lado, os portugueses também têm descoberto a Estónia, cujos frios rigorosos de inverno são compensados por um ambiente de trabalho moderno e flexível e por uma abundância de soluções digitais.


Em português podem-se ler obras da literatura estónia mais recente, como A Purga, de Sofi Oksanen. A poesia de Fernando Pessoa e os romances de José Saramago estão traduzidos para estónio. O recente livro do jornalista político José Milhazes, Os Blumthal, que conta a história da família da sua esposa estónia, Siiri, que foi vítima de regimes totalitários no século XX, também recebeu muita atenção. No outono passado, Os Blumthal também foi traduzido para estónio.


Em grandes datas como esta, lembramo-nos do que foi e olhamos para o futuro. A Estónia está grata a Portugal pelo seu forte apoio e pela amizade que teve começo com a criação do Estado Estónio independente. Somos amigos e parceiros na família europeia e aliados na NATO, e juntos enfrentaremos todos os velhos e novos desafios do século XXI. Desejamos a Portugal o maior sucesso na presidência do Conselho da União Europeia e apoiamos a vossa política de criação de oportunidades para emergirmos juntos e mais fortes da crise sanitária, económica e social.


Embaixadora da Estónia em Portugal

Para os estónios, Portugal é um destino de viagem apreciado, conhecido pelo seu clima favorável e pela hospitalidade e como um lugar agradável para trabalho freelance. Por outro lado, os portugueses também têm descoberto a Estónia, cujos frios rigorosos de inverno são compensados por um ambiente de trabalho moderno e flexível e por uma abundância de soluções digitais.

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