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CABEÇALHO

Cofinanciada pela UE, nova unidade de serviços de telecomunicações internacionais da dona da Meo dá nova vida a uma infraestrutura da antiga Marconi.

A Altice Portugal inaugurou esta quarta-feira o novo Centro de Interligação de Redes Internacionais, que representa um investimento de três milhões de euros com o apoio da União Europeia (com fundos do Connecting Europe Facility, vulgo CEF-2. O centro localiza-se em Linda-a-Velha e é controlado pela Altice Wholesale Solutions, unidade do negócio grossista do operador que gere e desenvolve serviços internacionais de telecomunicações.

 

O novo centro de serviços de rede internacionais, apelidado de Altice LdV, foi apresentado pela empresa como uma "alternativa aberta e neutral" para a interligação das redes nacionais a redes de telecomunicações internacionais. A nova unidade vai alojar a monitorização e controlo de redes internacionais para os clientes empresariais da dona da Meo. Quer isto dizer que, a partir de Linda-a-Velha, a Altice pode ligar redes de comunicações portuguesas a estações de cabos submarinos, teleportos, redes terrestres de longo curso e centros de dados internacionais.

 

A inauguração esteve a cargo da CEO da Altice Portugal, Ana Figueiredo, e de Alexander Freese, chief operations officer e responsável pela Altice Wholesale Solutions, e contou com a presença do ministro das Infraestruturas, João Galamba, e com o presidente da câmara de Oeira, Isaltino Morais. De acordo com os responsáveis da Altice Portugal, o novo espaço oferece "escala e competitividade" à região de Lisboa nos serviços internacionais de telecomunicações, uma vez que cria um potencial "nó da rede internacional" da dona da Meo.

 

O Centro de Interligação de Redes Internacionais da Altice está integrado num campus de onze mil metros quadrados, ocupando uma infraestrutura da antiga PT, que foi reabilitada. O novo centro está num edifício que em tempos era um centro de telecomunicações da Marconi (integrada na antiga PT na década de 1990).

 

Composto por um único edifício de três mil metros quadrados próximo de infraestruturas internacionais relevantes para as telecomunicações - como as estações de cabos submarinos de Carcavelos, Seixal e Sesimbra, o Centro de Satélites de Alfouvar (concelho de Sintra) e do Data Center do Prior Velho (concelho de Loures) -, o novo centro é alimentado "por energia 100% renovável". E, segundo a empresa, a readaptação de uma antiga infraestrutura relevante responde a "necessidades atuais", uma vez que a nova unidade "apresenta todas as características técnicas e tecnológicas de fiabilidade, redundância e segurança necessárias e exigidas a uma infraestrutura crítica".

 

"Este centro vem adicionar escala e competitividade e tornar Portugal mais atrativo na conectividade", destacou Ana Figueiredo na apresentação daquela unidade de serviços de telecomunicações internacionais. "Nesta primeira fase, serão criados cerca de dez postos de trabalho especializados", acrescentou a gestora, notando que esse número deverá crescer "num futuro próximo".

 

Segundo a CEO da Altice Portugal, Há em Madrid (Espanha) e Marselha (França) outros dois hubs de redes de comunicações internacionais "em franco crescimento", com o Altice LdV a "adicionar escala, diversidade e competitividade". "Torna Portugal mais atrativo na conectividade de grande alcance", prosseguiu, sublinhando que este é um contributo "para o sucesso da década digital da Europa", onde infraestruturas como a de Linda-a-Velha serão "elemento chave".

 

O Altice LdV é o segundo centro do género da dona da Meo, em Portugal. "Achávamos que havia oportunidade de criar um segundo centro", disse Alexander Freese, realçando que até agora o país estava "assente num único centro, o que é um grande risco".

 

A Decix, a EXA, a Aire Networks (dona da portugesa Ar Telecom), a iBasis e a Medusa são alguns dos projetos internacionais servidos pelo novo Altice LdV.

 

De acordo com o site da Altice Wholesale Solutions, esta unidade de negócio é responsável por 30 quilómetros de condutas para telecomunicações, 2,5 milhões de postes e mais de 1800 espaços técnicos, sendo que 450 já alojam fornecedores de fibra ótica que asseguram as comunicações em "todos os pontos relevantes do país". Além disso, controla as estações de cabos submarinos de Carcavelos e Sesimbra, que "acolhem atualmente dez cabos submarinos e quatro teleportos", que albergam cinco ligações satélite para os clientes da dona da Meo. Acresce uma ligação a um data center "aberto e neutro", bem como a possibilidade dos interessados acederem às redes fixas e móveis da Meo.

 

Nos últimos tempos, esta unidade de negócio foi responsável por assegurar a ligação dos cabos submarinos Equiano (da Google) e Medusa (da AFR-IX) a Portugal e pela reativação do porto de telecomunicações de São Miguel, nos Açores.

 

O "ativo único" de Portugal para atrair investimento

 

Convidado a estar presente na inauguração do Altice LdV, João Galamba, ministro das Infraestruturas, aproveitou a ocasião para assegurar que "o país aposta de forma inequívoca na transição digital e na conectividade". O Governo está, prosseguiu o governante, "comprometido a 100% em olhar" para o setor das telecomunicações, sobretudo na área dos dados, como pilar "fundamental de desenvolvimento económico".

 

Galamba elencou três razões para considerar o setor das telecomunicações peça "fundamental" para a economia. "A primeira é porque o mundo assim o exige, e a segunda e a terceira é porque podemos", sintetizou. Segundo o ministro das Infraestruturas, o país tem uma localização geográfica que "é um ativo fundamental" e uma "competitividade energética" que, "em combinação, são um ativo imparável".

 

"Portugal tem de facto um ativo único enquanto país", enalteceu. "Sim, apostamos sem hesitações nesta área como uma das áreas fundamentais no desenvolvimento económico e tecnológico do país", acrescentou.

 

"[Por isso] contamos muito com a Altice - e com todas as empresas deste ecossistema - para connosco e em conjunto fazer os investimentos necessários", afirmou Galamba, notando a necessidade de dar resposta a um "novo contexto" e a uma "nova fase de conectividade".

 

Já depois do formalismo da inauguração do Altice LdV, a CEO da Altice Portugal disse aos jornalistas: "Acho que um investimento de três milhões comprova que estamos aqui para ficar". Por sua vez, Galamba reiterou: "O Governo está fortemente empenhado em desenvolver o setor dos dados e da conectividade. Obviamente contamos com a Altice e outras empresas. Como acaba de dizer a CEO da Altice, o investimento nestas áreas existe, estamos hoje a testemunhar a inauguração de um centro desse natureza, portanto, o que o Governo tem de fazer é ficar satisfeito com o empenho de várias empresas no nosso país".

 

Desde este verão, na sequência da Operação Picoas, ressurgiram notícias de que o grupo Altice está disposto a vender a operação que tem em Portugal. No início de outubro, João Galamba e Ana Figueiredo encontraram-se para, segundo o que foi anunciado publicamente, debater o compromisso da empresa - e eventuais investimentos - no país. Esta quarta-feira, a Bloomberg noticiou que o fundador e líder do grupo Altice, Patrick Drahi, está disponível "todas as partes" da telecom.

 

Em Dinheiro Vivo

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